Mundial-2026: Presidente da Federação diz que há crença na vitória de Cabo Verde sobre Espanha

Telmo Arcanjo e Gilson Benchimol são duas das armas da seleção de Cabo Verde
Telmo Arcanjo e Gilson Benchimol são duas das armas da seleção de Cabo VerdeRodrigo Antunes/ Arcanjo REUTERS

Num grupo muito complicado com Espanha, Uruguai e Arábia Saudita, Cabo Verde define como "grande objetivo" na sua estreia no Mundial "pelo menos passar a primeira fase", sublinhou o presidente da Federação de Futebol do arquipélago, Mario Semedo, numa entrevista à AFP.

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- Qual é o objetivo e o estado de espírito da equipa neste Mundial?

O objetivo é sempre chegar o mais longe possível. Mas não devemos estabelecer metas de forma irrealista. Queremos pelo menos passar a primeira fase, esse é o grande objetivo. O nosso lema é 'nu bai (vamos!)'. Em crioulo, significa que vamos com energia e força. Disse aos jogadores que é um momento para desfrutarmos, sem medo de nada. Vamos com sentido de realidade, mas com uma meta ambiciosa.

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- O seu primeiro jogo é na segunda-feira contra Espanha, uma das favoritas ao título. Como encaram este encontro?

Por natureza somos otimistas e há cabo-verdianos que dizem que vamos ganhar a Espanha. Sabemos que é muito difícil... e que Espanha é uma das melhores seleções do mundo, mas no futebol nada está ganho até ao apito final. Temos de o enfrentar e ser realistas, mas não devemos ter uma mentalidade derrotista antes do jogo. Temos um selecionador experiente que saberá escolher as melhores táticas possíveis, não só contra a Espanha, mas também contra as outras equipas.

- Leva 24 anos à frente da federação, qual é, na sua opinião, a receita do sucesso desta seleção?

Temos uma diáspora importante e futebolistas que vivem no estrangeiro e acrescentam valor à seleção nacional: entre os que vivem fora e os que estão cá, conseguimos formar uma grande seleção e a simbiose perfeita. O futebolista cabo-verdiano tem talento e excelentes qualidades técnicas, e com a experiência de profissionalização de alguns, tudo isto trouxe qualidade à nossa seleção.

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Os programas da FIFA também foram determinantes para a melhoria do futebol cabo-verdiano através de subsídios, programas de desenvolvimento e financiamento de infraestruturas desportivas, isso mudou muito o panorama do futebol em Cabo Verde. O principal desafio foi e continua a ser o financiamento do futebol, tal como noutros desportos. Os recursos são escassos e não temos grande margem de manobra. O outro desafio é sermos ilhas, e as equipas enfrentam restrições nas deslocações, que por vezes podem pôr em causa a realização das competições.

- Que impacto tem esta histórica qualificação na sociedade cabo-verdiana?

A maioria dos cabo-verdianos não esperava que pudéssemos estar qualificados para o Mundial, tendo em conta a falta de meios e a grande competitividade do continente africano... Penso que é um sonho que todos conseguimos concretizar e estamos muito satisfeitos. A nossa participação vai motivar muito as pessoas a jogar futebol. Sabe, temos problemas sociais entre os jovens, violência, droga, álcool... e acredito que quando se joga futebol, as coisas más desaparecem. Podemos dar um contributo social muito importante para a juventude.