Na quarta-feira, na Bélgica, num jogo amigável frente à Dinamarca (0-0), os pupilos do selecionador francês Sébastien Desabre deram alegria aos 23.000 compatriotas que encheram as bancadas do estádio do Standard de Liège. Estes expatriados, membros da diáspora congolesa na Bélgica e nos países vizinhos, quiseram enviar "um sinal" aos jogadores antes da pausa que será o Mundial-2026.
"Tendo em conta a situação que o país vive, todos vão ficar mais tranquilos e felizes graças ao futebol. Os Leopardos estão em missão, vão aliviar a dor", declarou à AFP Nimba Mpetit, antigo avançado da seleção (uma internacionalização em 2002), que foi apoiar os seus compatriotas em Liège.
"Não conseguem imaginar o ambiente que se vive no interior do Congo por causa deste Mundial. É mesmo, mesmo, mesmo intenso. Mesmo sabendo que não vamos ganhar o Mundial, é muito importante para os congoleses hoje mostrar a bandeira entre as 48 nações (representadas)", acrescentou Abashi Shamamba, um adepto cujos pensamentos estão "com a família no país".
Na quarta-feira, os jogadores puderam sentir o entusiasmo que a sua presença no Mundial desperta, onde vão defrontar na fase de grupos Portugal (a 17 de junho em Houston), Colômbia (a 23 em Guadalajara) e depois Uzbequistão (a 27 em Atlanta).
Ainda que o defesa do Marselha, Chancel Mbemba, e os seus colegas tenham parecido algo distantes, saindo para o balneário ao apito final sem fazerem a volta de honra pedida pelos adeptos e pelo speaker do estádio.
"Medo pós-Covid irracional"
"Estamos tocados pelo que está a acontecer hoje. Representamos com entusiasmo este país magnífico. Não desistimos em campo apesar das circunstâncias que exigem adaptação da nossa parte", respondeu Sébastien Desabre, para quem a preparação decorre "serenamente" e "normalmente".
O selecionador da RD Congo desde 2022 referia-se ao imbróglio em torno do jogo amigável agendado para 9 de junho frente ao Chile, em Espanha. Um jogo cuja realização foi proibida pelo presidente da câmara da cidade de La Línea de la Concepción, no sul da península, invocando a "prudência" perante os "eventuais riscos sanitários que possam existir" devido ao surto de vírus Ébola no país africano.
Uma decisão que surpreende e irrita os congoleses, já que na quarta-feira, em Liège, as autoridades belgas não viram qualquer objeção à realização do jogo. Sébastien Kisake, jornalista do site Leopardfoot, contactado pela AFP, lamenta "um medo pós-Covid irracional".
Apoio da diáspora nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, os Leopardos vão contar com o apoio de uma diáspora significativa em Atlanta e, sobretudo, em Houston. É que para os adeptos que pretendam viajar a partir do Congo, ou mesmo da Europa, obter um visto é um verdadeiro percurso de obstáculos.
"Tinha feito o meu pedido, tinha uma marcação (na embaixada dos Estados Unidos), mas foi cancelada. Disseram-me que era por causa do Ébola", explicou à AFP Ursule Nsinga, uma jovem adepta residente na Bélgica.
Outro adepto teve mais sorte: Michel Kuka Mboladinga, conhecido como "Lumumba". O adepto que se destacou durante a Taça das Nações Africanas no último inverno em Marrocos pelas suas atuações como homem-estátua, em homenagem ao antigo primeiro-ministro assassinado em 1961, recebeu o seu visto, garantiu à AFP em Liège. E isso, graças à insistência da federação congolesa, que não podia prescindir de um criador de "buzz" como ele.
