O embaixador do Irão no México, Abolfazl Pasandideh, afirmou na noite de quinta-feira que a equipa ainda não tinha recebido os vistos para os EUA, mas estes foram concedidos durante a noite, segundo o responsável da Casa Branca.
Um porta-voz da federação iraniana do Mundial não pôde ser imediatamente contactado para comentar.
Os EUA ainda não tinham emitido vistos para alguns membros da equipa técnica e administrativa do Irão, informou a agência noticiosa semi-oficial Fars esta sexta-feira.
"Os vistos para alguns membros da equipa técnica e executiva da seleção nacional ainda não foram emitidos, e a embaixada dos EUA recusou até agora emiti-los", referiu, sem citar uma fonte.
A guerra do Irão transformou o Mundial – o maior evento desportivo global – num confronto geopolítico, com ambos os lados a parecerem usar o torneio para afirmações políticas.
É o primeiro Mundial, desde a sua criação em 1930, em que uma nação anfitriã vai receber um país com o qual está em guerra.
Teerão negociou à última hora a mudança da base da equipa do Arizona para Tijuana, no México, devido aos problemas com os vistos e ao sentimento crescente no Irão de que a presença da equipa nos Estados Unidos deveria ser reduzida ao mínimo.
Está previsto aterrarem em Tijuana no início de domingo.
O Irão tem agendado o seu primeiro jogo do Grupo G para 15 de junho, frente à Nova Zelândia, em Los Angeles, onde também vai defrontar a Bélgica, antes de enfrentar o Egito, em Seattle.
Os EUA nunca afirmaram formalmente que não queriam que a equipa iraniana permanecesse no seu território, disse o embaixador Pasandideh.
No entanto, o Secretário de Estado, Marco Rubio, disse aos legisladores na terça-feira que os EUA não permitiriam que o Irão incluísse na sua delegação ao Mundial indivíduos ligados à Guarda Revolucionária Islâmica, uma poderosa ramificação das forças armadas iranianas.
Mehdi Taj, presidente da federação de futebol do Irão, foi impedido de entrar para o sorteio do torneio em Washington, em dezembro. É antigo comandante da Guarda Revolucionária.
O desejo do Irão em competir no Mundial sublinha os seus esforços para alcançar uma resolução na guerra com Washington, afirmou Pasandideh.
"A participação do Irão no Mundial – mesmo em solo do que é visto como o seu inimigo – mostra que o Irão procura a paz", disse Pasandideh, falando através de um intérprete de espanhol na embaixada iraniana na Cidade do México.
O progresso nas negociações de paz entre o Irão e os EUA tem sido lento, com ambos os lados aparentemente a avançar para um acordo provisório, mesmo continuando a realizar ataques militares.
