Mundial-2026: Responsável da Casa Branca confirma que jogadores do Irão receberam vistos para entrar nos EUA

Uma réplica do troféu do Mundial exposta numa loja em Teerão, Irão
Uma réplica do troféu do Mundial exposta numa loja em Teerão, IrãoMajid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS

Os jogadores de futebol do Irão que vão disputar o Mundial-2026 receberam vistos para entrar nos Estados Unidos, confirmou um responsável da Casa Branca à Reuters, esta sexta-feira, apenas 10 dias antes do seu primeiro jogo em Los Angeles, num contexto de conflito entre os dois países.

O embaixador do Irão no México, Abolfazl Pasandideh, afirmou na noite de quinta-feira que a equipa ainda não tinha recebido os vistos para os EUA, mas estes foram concedidos durante a noite, segundo o responsável da Casa Branca.

Um porta-voz da federação iraniana do Mundial não pôde ser imediatamente contactado para comentar.

Os EUA ainda não tinham emitido vistos para alguns membros da equipa técnica e administrativa do Irão, informou a agência noticiosa semi-oficial Fars esta sexta-feira.

"Os vistos para alguns membros da equipa técnica e executiva da seleção nacional ainda não foram emitidos, e a embaixada dos EUA recusou até agora emiti-los", referiu, sem citar uma fonte.

A guerra do Irão transformou o Mundial – o maior evento desportivo global – num confronto geopolítico, com ambos os lados a parecerem usar o torneio para afirmações políticas.

É o primeiro Mundial, desde a sua criação em 1930, em que uma nação anfitriã vai receber um país com o qual está em guerra.

Teerão negociou à última hora a mudança da base da equipa do Arizona para Tijuana, no México, devido aos problemas com os vistos e ao sentimento crescente no Irão de que a presença da equipa nos Estados Unidos deveria ser reduzida ao mínimo.

Está previsto aterrarem em Tijuana no início de domingo.

O Irão tem agendado o seu primeiro jogo do Grupo G para 15 de junho, frente à Nova Zelândia, em Los Angeles, onde também vai defrontar a Bélgica, antes de enfrentar o Egito, em Seattle.

Os EUA nunca afirmaram formalmente que não queriam que a equipa iraniana permanecesse no seu território, disse o embaixador Pasandideh.

No entanto, o Secretário de Estado, Marco Rubio, disse aos legisladores na terça-feira que os EUA não permitiriam que o Irão incluísse na sua delegação ao Mundial indivíduos ligados à Guarda Revolucionária Islâmica, uma poderosa ramificação das forças armadas iranianas.

Mehdi Taj, presidente da federação de futebol do Irão, foi impedido de entrar para o sorteio do torneio em Washington, em dezembro. É antigo comandante da Guarda Revolucionária.

O desejo do Irão em competir no Mundial sublinha os seus esforços para alcançar uma resolução na guerra com Washington, afirmou Pasandideh.

"A participação do Irão no Mundial – mesmo em solo do que é visto como o seu inimigo – mostra que o Irão procura a paz", disse Pasandideh, falando através de um intérprete de espanhol na embaixada iraniana na Cidade do México.

O progresso nas negociações de paz entre o Irão e os EUA tem sido lento, com ambos os lados aparentemente a avançar para um acordo provisório, mesmo continuando a realizar ataques militares.

Futebol