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A exibição defensiva notável do jogador de 34 anos por Cabo Verde no empate 0-0 frente aos campeões da Europa, Espanha, na segunda-feira, justificou a sua decisão de deixar o trabalho no banco em 2017 para apostar tudo numa carreira como futebolista profissional.
Na altura, conciliava o emprego com jogos pelo Bohemians na Liga da Irlanda, quando os seus ricos rivais de Dublin, os Shamrock Rovers, lhe propuseram um contrato profissional.
O Mundial catapultou-o para outra dimensão, com uma exposição mediática inédita, nomeadamente na televisão norte-americana, após a estreia impressionante do pequeno arquipélago vulcânico africano de apenas 525.000 habitantes. Lopes, nascido na Irlanda, filho de pai cabo-verdiano, Carlos, e mãe irlandesa, Judy, foi convidado para o programa do Mundial de James Corden, transmitido na Fox.
Revelou que era "um sonho tornado realidade", e isso confirmou-se desde que finalmente traduziu no Google Translate uma mensagem recebida em 2018 do então selecionador de Cabo Verde, Rui Águas, via LinkedIn. Águas voltou a contactá-lo nove meses depois para lhe perguntar se tinha pensado na proposta.

"Disse-me que estavam interessados em integrar novos jogadores na seleção nacional e perguntou-me se isso me interessava", contou Lopes à AFP em 2024. "Respondi sem hesitar e pedi desculpa mil vezes, dizendo que, se a oportunidade ainda existisse, adoraria fazer parte".
"Um sonhador"
Lopes explica, em retrospetiva, que pensou tratar-se de uma brincadeira. "Cresci na época das partidas telefónicas e das mensagens a brincar, por isso sempre fui um pouco cético", revelou ao Irish Sun. "Nunca imaginei que uma convocatória internacional pudesse chegar desta forma".
Desde a estreia em 2019, Lopes disputou duas Taças das Nações Africanas – atingindo os quartos de final na edição de 2023 – e agora o auge da carreira de qualquer futebolista, o Mundial. A sua exibição frente à Espanha foi acompanhada por várias gerações da sua família, incluindo o avô de 98 anos em Cabo Verde.
Os seus pais e os dois irmãos, assim como a sua mulher Leah e o filho Diego, estiveram presentes no jogo em Atlanta. "Ele (Diego) dormiu durante grande parte do jogo – mostra bem o quão aborrecida foi a Espanha", brincou Lopes.
Enquanto Lopes, pentacampeão da Irlanda pelo Shamrock Rovers, vivia na sua bolha no centro de treinos, a família era saudada nas ruas pelos adeptos cabo-verdianos. "Viram-nos na televisão, abordam-nos na rua a dizer ‘Reconhecemo-vos’, até desde Crumlin (o bairro de Dublin onde vive a família), conseguem imaginar?", contou Judy à RTE.

Lopes congratula-se por ter estudado em Dublin, caso a carreira de futebolista termine um dia. "Se não tivesse ido para a universidade ou se não tivesse continuado os estudos, nunca teria sabido o que era o LinkedIn", disse ao Irish Sun. "Os estudos são igualmente importantes. Consegui conciliar (o trabalho e o futebol) e depois chegar a um ponto em que deixei o emprego para me dedicar ao futebol a tempo inteiro."
No entanto, recorda que, mesmo antes de se tornar profissional, já se imaginava a jogar por Cabo Verde ao vê-los na sua primeira participação na Taça das Nações Africanas em 2013. "Sou um sonhador. Vê-se qualquer jogo… ‘E se fosse eu? Será que um dia poderia acontecer-me?’" A resposta foi sim e, 13 anos depois, está a viver o seu sonho no maior evento do "desporto-rei".
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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