Mesmo com muitas e importantes ausências, o Real Madrid de José Mourinho já está a mostrar as suas garras. A pressão pós-perda é inegociável. Principalmente se acontece no último terço do campo. O físico faz toda a diferença e todos, do ponta de lança aos extremos, precisam de ajudar para sufocar o adversário.
Isso ficou claro durante toda a primeira parte, com um Endrick muito forte a ser o primeiro a tentar recuperar a bola. Güler também brilhou, muito preciso com a bola nos pés, tal como Camavinga, que ficou encarregue de atuar como trinco defensivo e construtor.
É verdade que houve alguns desajustes na defesa, que Dumfries colocou o braço na bola num penálti claro que, sem VAR, o árbitro ignorou, e que os avançados húngaros desperdiçaram boas ocasiões na finalização. Mas, no geral, o Madrid controlou sempre o jogo, teve paciência e acabou por encontrar o golo após algumas tentativas.
O golo surgiu na sequência de um canto cobrado por Güler, num cruzamento de Ciria pela direita, que encontrou Mario Rivas. O jovem da formação arriscou de cabeça, mas valeu a pena para abrir o marcador com um belo movimento de pescoço: 1-0.
Antes disso, Endrick, muito participativo, a atacar pelo meio e pela direita, esteve perto de marcar, mas Dibusz fez uma defesa espetacular. Güler também teve a sua oportunidade, numa combinação com o brasileiro, mas o seu remate em rotação acabou em canto. Foi esse o lance que esteve na origem do golo do Madrid que levou a equipa para o intervalo em vantagem.
Estreia de Bernardo Silva
Mou manteve em campo apenas Lunin, Carreras, Valverde, Güler e Endrick, agora descaído para a direita. E mesmo que o Ferencváros tenha regressado com mais ambição, sofreu outro golpe logo aos três minutos. Foi o tempo que Endrick, Güler e Valverde precisaram para combinar entre si e o uruguaio servir Espí, que mostrou o seu faro de golo. O ex-Levante, de primeira, não desperdiçou e marcou o seu primeiro golo: 2-0.
Parecia fácil demais para os merengues e o jogo perdeu organização. Nesse descontrolo, regressaram os velhos problemas defensivos dos centrais. E isto quando já estavam em campo Rüdiger e Huijsen. Entre a indecisão do segundo e a surpresa do primeiro, Kodro aproveitou para reduzir a desvantagem: 2-1 e um aviso para o Madrid.
Entretanto, o teste de colocar Bernardo Silva como médio-defensivo não funcionou nem durou muito. Aos quinze minutos, o português já atuava mais adiantado após a entrada de Cestero. A posse de bola ficou mais equilibrada, mas faltaram ideias ofensivas. Vini mal apareceu, nem mesmo com o seu novo visual. Espí ainda apareceu um pouco mais, mas sempre de costas para a baliza, precisamente o que Mbappé não faz. Ainda bem que Güler estava em campo, o homem do jogo. No entanto, o Real passou bons momentos recuado, encostado à sua área e sem conseguir sair.
O ritmo, sem dúvida, foi superior do lado dos donos da casa, que já disputaram vários jogos oficiais. Ainda assim, não foi suficiente para empatar e a partida terminou com esta vitória e com o espetáculo de Arda Güler.

