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“O que nós fizemos, ganhando contra a África do Sul, é o corolário de um trabalho de longos, longos anos de dedicação e desenvolvimento”, afirmou à agência Lusa Tony Fonseca, o antigo diretor técnico da Federação Canadiana de Futebol (Canada Soccer), que reside no país desde 1999.
Depois de terminar a carreira de jogador no Vancouver Whitecaps, Fonseca, que representou Tirsense, Benfica, Estrela da Amadora, entre outros, iniciou um percurso como treinador e dirigente, tendo integrado a Canada Soccer como treinador de vários escalões e, posteriormente, diretor técnico, acompanhando o desenvolvimento de uma geração de internacionais canadianos.
“Muitos destes jogadores que hoje estão no Canadá tive a possibilidade e oportunidade de ter uma certa influência no seu crescimento”, disse.
O antigo defesa, de 61 anos, que atualmente é diretor de futebol da Associação de Futebol da Região de York (a norte de Toronto), organismo que reúne cerca de 42 mil atletas registados e 25 clubes, recusou, contudo, individualizar o mérito pelo crescimento do futebol canadiano.
“Não só eu, mas muita gente, e estamos todos de parabéns no Canadá, porque é um trabalho que se foi desenvolvendo já faz uns anos”, sublinhou.

Fonseca destacou que a evolução da modalidade começou antes da criação das ligas profissionais, graças ao trabalho desenvolvido pelos clubes de base.
“Antes de haver uma liga profissional não havia nada a não ser clubes amadores e esses clubes amadores tiveram um papel preponderante no desenvolvimento destes atletas”, referiu.
O antigo responsável técnico defendeu que o crescimento do futebol canadiano resulta do contributo conjunto da federação, dos clubes, da Major League Soccer (MLS), da Canadian Premier League (CPL) e das comunidades locais.
“Temos de dar o valor à comunidade”, afirmou, considerando que o futebol no Canadá “tem-se desenvolvido de uma maneira categórica”.
Questionado sobre a sua contribuição pessoal, reconheceu ter participado nesse processo, mas insistiu que o sucesso é coletivo.
“Sim, também a minha contribuição, claro, mas tudo isto foi um trabalho elaborado com muita luta, muito sacrifício de muita gente”, afirmou à Lusa.
O antigo diretor técnico destacou ainda que jogadores como Alphonso Davies, Jonathan David e Stephen Eustáquio passaram por programas estruturados de desenvolvimento durante a sua passagem pela federação.
“Dá-me um prazer enorme, porque são jogadores que passaram pela nossa formação”, frisou.
Fonseca recordou igualmente que, há alguns anos, representar a seleção canadiana era mais difícil devido à pressão exercida por alguns clubes sobre os atletas, numa altura em que o Canadá tinha pouca expressão internacional.
O dirigente, que integra também o grupo de técnicos especialistas da FIFA para programas de desenvolvimento do futebol nas Américas, considerou que o Canadá deve continuar a evoluir para se afirmar entre as principais seleções mundiais.
O Canadá, coorganizador do Mundial-2026 com os Estados Unidos e o México, defronta nos oitavos de final a seleção de Marrocos, no sábado, e, para Fonseca, a equipa canadiana vai manter a mesma ambição: “Quem nos quiser ganhar vai ter de trabalhar bastante”.
A seleção canadiana está a participar pela terceira vez num Campeonato do Mundo, sendo que nas edições de 1986 e 2022 não tinha passado da fase de grupos.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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