Ir para o conteúdo principal

Mundial2026: Marca da seleção enfrentará drama quando Ronaldo sair

Cristiano Ronaldo despediu-se do Campeonato do Mundo
Cristiano Ronaldo despediu-se do Campeonato do MundoREUTERS/Hannah Mckay

Portugal perderá atenção mediática e receitas sem o futebolista Cristiano Ronaldo, que garantiu ter disputado o sexto e último Mundial e avaliará a continuidade na seleção, antecipa o diretor-executivo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM).

“Pode ser um bocadinho duro de dizer, mas do ponto de vista de marca, Ronaldo é incomparavelmente maior do que toda a seleção portuguesa e mais não sei quantas juntas. Não estou a fazer uma análise desportiva, mas de marca: vai ser um drama quando ele sair, porque as pessoas ainda não tem a noção da atenção mediática que se perderá. Vamos cair numa escada rolante a grande velocidade”, projetou à agência Lusa Daniel Sá.

O avançado e capitão, de 41 anos, tornou-se o primeiro a marcar em seis edições, mas Portugal ficou pelos oitavos, ao ser derrotado pela campeã europeia Espanha (1-0), que, no domingo, conquistou o Campeonato do Mundo pela segunda vez, após 2010, com um triunfo na final sobre a Argentina (1-0, após prolongamento), bicampeã sul-americana e então detentora do título.

Ciente de que “fabricar ídolos é uma ferramenta poderosíssima na geração de atenção mediática”, Daniel Sá sugere que a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) “desenhe uma estratégia para o pós-Ronaldo”, acautelando a ausência imediata de um sucessor à altura do recordista de jogos (233) e golos (146), vencedor do Euro2016 e da Liga das Nações em 2019 e 2025.

“É ele quem lhes faz rubricar vários contratos e ganhar muito dinheiro há mais de 20 anos. Acredito que a FPF estará a preparar uma narrativa diferente, porque não pode estar dependente de uma pessoa só e tem de exibir outro tipo de argumentos. Obviamente, há mais do que Ronaldo no futebol português, mas devem explorar bem essa nova estratégia”, apelou.

O gráfico-radar de Cristiano Ronaldo no Mundial-2026
O gráfico-radar de Cristiano Ronaldo no Mundial-2026Opta by Stats Perform

Envolvido em estudos regulares no IPAM sobre Ronaldo, Daniel Sá adverte que a dimensão futebolística já é, das quatro variáveis examinadas, a que “menos interfere” na visibilidade do dianteiro, que foi campeão saudita pelo Al Nassr em 2025/26, sob orientação do treinador Jorge Jesus, recém-contratado como sucessor do espanhol Roberto Martínez na seleção lusa.

“Ao lado do jogador, há o Ronaldo influenciador, que é o maior do mundo e a pessoa mais seguida nas redes sociais, o Ronaldo patrocinado por várias marcas nacionais e internacionais e o Ronaldo investidor em múltiplas indústrias. Após deixar de jogar, essa marca continuará a crescer”, anteviu.

Portugal participou em Mundiais pela nona vez, e sétima seguida, e repetiu os desempenhos de 2010, também culminado frente à Espanha, e 2018, tendo um estudo do IPAM perspetivado antes da prova 561 milhões de euros (ME) de impacto económico no país pela chegada até aos oitavos.

“Estamos todos insatisfeitos e ficámos com a sensação de que podíamos ter ido mais longe. Estes impactos têm alguma correlação com o nosso sucesso desportivo, mas continuámos a consumir o Mundial-2026 (depois da eliminação de Portugal) e a acompanhar todas as seleções”, admitiu.

O estudo do IPAM colocou 23% do impacto económico dependente dos meios digitais, ao perceber que “as pessoas consomem futebol de outra maneira e cada vez mais fora dos 90 minutos, o que gera muito dinheiro”.

“Antes e depois dos jogos, há comentários, futebolistas a criar conteúdo, pessoas a partilhar opiniões, influenciadores de todas as formas, empresas a apostar e meter dinheiro à volta disto ou cromos para colecionar com a febre que se viu. Vale o que vale, mas fico a pensar onde é que Pelé, Eusébio e Diego Armando Maradona teriam chegado do ponto de vista mediático se houvesse redes sociais, que amplificam tudo”, ilustrou Daniel Sá.