Recorde as incidências da partida

Era o quarto jogo do Benfica em 11 dias e, a quatro dias do clássico frente ao FC Porto, Marco Silva promoveu uma verdadeira revolução no onze. Só Banjaqui e Tomás Araújo resistiram em relação à equipa habitual. A mensagem do treinador das águias tinha sido clara: no Benfica não há desculpas e cada oportunidade deve servir para os jogadores demonstrarem o seu valor. Em Milão, vários deles fizeram exatamente isso.
No outro lado, Ruben Amorim também mexeu bastante no AC Milan, com cinco alterações, mas foi o Benfica quem entrou mais ligado ao jogo. As águias apresentaram-se organizadas, compactas e com vontade de aproveitar os espaços que iam surgindo, sobretudo através da mobilidade de Lukebakio e Kaminski. Aos 15 minutos, o belga deixou o primeiro aviso, com um remate para defesa de Maignan.
Um minuto depois, o Benfica chegou mesmo à vantagem. Kaminski virou o jogo para o flanco contrário, Lukebakio recebeu sob pressão de Bartesaghi, protegeu bem a bola e esperou pelo momento certo para soltar um remate forte e colocado. Maignan pouco podia fazer e o 0-1 premiava a boa entrada encarnada, num lance que também refletiu a confiança de dois jogadores chamados a assumir mais responsabilidades.
O Benfica não recuou depois do golo e continuou perigoso sempre que acelerava. Aos 23 minutos, Sudakov esteve muito perto do segundo, com um remate ao poste, e, aos 30', Lukebakio e Kaminski voltaram a combinar com qualidade. Desta vez, o belga serviu o polaco, mas Samuel Chukwueze apareceu no momento certo e evitou que a jogada terminasse com perigo ainda maior.
Sem bola, a equipa de Marco Silva também dava boas respostas. O Benfica apresentou-se muito compacto do ponto de vista defensivo, fechou bem os corredores interiores e obrigou o Milan a circular muitas vezes por fora, sem encontrar facilmente espaços para entrar na área. Trubin ia acompanhando o jogo com atenção, mas sem ser obrigado a grandes intervenções durante largos períodos.

Kaminski a justificar a aposta
A segunda parte começou com o Milan mais agressivo. Aos 50 minutos, Koni De Winter apareceu em zona privilegiada e teve uma excelente oportunidade para empatar, mas o remate saiu desenquadrado. Foi um momento de aviso para o Benfica, que, ainda assim, respondeu da melhor forma possível poucos minutos depois.
Aos 54 minutos, El Karouani aproveitou uma bola perdida no corredor esquerdo e cruzou com qualidade para Kaminski. O internacional polaco apareceu no sítio certo e finalizou com classe, fazendo o 0-2. Depois de já ter estado na origem do primeiro golo, o extremo assinava agora o segundo e confirmava uma exibição de grande nível.
Com dois golos de vantagem, o Benfica passou a gerir o jogo de outra forma. O Milan teve mais bola e procurou instalar-se no meio-campo contrário, mas encontrou sempre uma equipa muito concentrada. Aos 62 minutos, Pulisic conseguiu finalmente encontrar espaço para rematar, mas Trubin respondeu com uma defesa apertada e eficaz.
O guarda-redes ucraniano voltou a ser chamado à ação aos 81 minutos, novamente perante Pulisic. O norte-americano encontrou espaço depois de uma boa ação ofensiva da equipa italiana e rematou com perigo, mas Trubin voltou a mostrar segurança e reflexos, mantendo a baliza encarnada inviolada.

Na reta final, o Benfica soube fechar o jogo sem entrar em sobressaltos desnecessários. Mesmo com muitas alterações no onze e com menos rotinas entre algumas das peças, a equipa nunca perdeu a organização nem a capacidade de controlar os momentos mais delicados. Foi uma exibição madura, muito competente e acima de tudo a mais adequada para fazer história: primeira vitória do Benfica diante o Milan em jogos oficiais.
Melhor em campo Flashscore: Souffian El Karouani (SL Benfica)

