O selecionador da Alemanha expressou o desejo, no arranque da aventura do Mundial-2026, esta quarta-feira, em Herzogenaurach, "de que todos puxem para o mesmo lado e, como numa família bem estruturada, façam tudo uns pelos outros". Só assim, e apenas assim, será possível alcançar o tão desejado triunfo dentro de sete semanas e meia.
O caminho começou a ser traçado por Nagelsmann após dar as boas-vindas aos seus escolhidos, incluindo o regressado Manuel Neuer, que continua a recuperar, a 18 dias do início do Mundial frente a Curaçau, com um pequeno percalço. Quando se sentou na conferência de imprensa, na sala de imprensa escura e revestida a madeira do "Home Ground", a cadeira fugiu-lhe – mas esse desequilíbrio não era para ser um mau presságio.
"Estou totalmente otimista", afirmou o diretor desportivo Rudi Völler, sentado ao lado de Nagelsmann, que não vê a Alemanha como principal favorita. "Vai ser difícil ganhar-nos", disse.
O calor primaveril da Francónia foi o aquecimento perfeito para as condições extremas do Mundial-2026. No local, se necessário, "uma toalha gelada na nuca" também ajuda, brincou Nagelsmann. Isso teria sido útil para as cerca de duas dezenas de adeptos que esperavam pelos seus ídolos debaixo de sol intenso. A maioria chegou em carrinhas de vidros escurecidos, mas Leroy Sané e David Raum recompensaram os mais pacientes com autógrafos.
O último campeão mundial restante deve dar confiança
No interior, semelhante a um oásis, Nagelsmann revelou à equipa alemã o seu plano para o Mundial: "O próximo passo é sempre o mais importante, não o sucesso que queremos alcançar. Ajuda os rapazes a manterem-se focados no presente."
O apoio deverá vir também das famílias, que foram convidadas para sexta-feira; no domingo (19:45) realiza-se o primeiro de dois jogos de preparação para o Mundial, em Mainz, frente à Finlândia – ainda sem o antigo e novo número 1.
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Neuer é o último campeão mundial de 2014 ainda presente na equipa, mas o selecionador tem-se reunido "várias vezes" com outros campeões. Estes transmitiram-lhe que deve fazer os jogadores perceberem "que todos são importantes". Völler recordou o exemplo negativo do Mundial nos Estados Unidos em 1994. "Havia sempre algum tipo de instabilidade", disse, enquanto Nagelsmann ouvia atentamente. "Que todos aqui sejam integrados, será fundamental", sublinhou Völler.
Muitas questões em aberto
Até porque os homens de Nagelsmann levam consigo bastantes dúvidas. Será que a perna de Neuer vai aguentar? Quem poderá substituir o capitão Joshua Kimmich em caso de necessidade, se não houver lateral-direito? Quem jogará na dupla de médios defensivos? Jamal Musiala conseguirá voltar ao seu melhor nível? E será possível ser campeão do mundo sem um ponta-de-lança fixo? Nagelsmann esforçou-se durante cerca de 45 minutos para encontrar respostas convincentes.
O ambiente na Alemanha, no entanto, segundo Völler, "não se cria apenas com conversas". Considerou que as críticas recentes ao selecionador nacional foram "por vezes um pouco injustas", mas sublinhou: "Ainda temos algum tempo para criar um bom ambiente."
Debates políticos incómodos não deverão interferir. Não há mordaças, confirmou Rudi Völler a posição já conhecida da federação, mas ações como as do Catar-2022 "não voltarão a acontecer". O lema: "Jogar bom futebol e entusiasmar as pessoas." E assim integrar também os adeptos na grande família da seleção alemã.
