A cidade está ao rubro, com a equipa local de basquetebol prestes a conquistar o título da NBA – relegando o jogo Brazil-Marrocos para segundo plano.
O Mundial "vai ser divertido... mas neste momento, sou nova-iorquino, por isso vamos apoiar os Knicks, basquetebol! Vamos conquistar esta vitória. E depois disso, podemos pensar no Mundial", afirmou o ator Robert Chen, de 32 anos, junto à zona de adeptos da FIFA na ponte de Brooklyn.
O estádio MetLife, situado no vizinho estado de Nova Jérsia mas que serve os adeptos do Mundial da Big Apple, vai enfrentar um grande teste à sua ligação ferroviária a Manhattan, que tem sido criticada pelo preço elevado de 98 dólares por bilhete de ida e volta.
Mas Nova Iorque vestiu-se de laranja, com os Knicks perto daquele que poderá ser o seu primeiro título em 53 anos, caso vença o duelo frente aos San Antonio Spurs, disputado fora, no Texas.
"Toda a gente anseia por esta vitória, sente-se entusiasmo no ar... é contagiante", disse Angel Diaz, vendedor ambulante e adepto dos Knicks, de 42 anos, residente em Queens.
"Temos de ir com calma, uma coisa de cada vez, primeiro os Knicks, depois voltamos ao Mundial", acrescentou Diaz, que afirmou que a cidade ficaria "fora de controlo" se os Knicks confirmassem o título.
São esperados centenas de milhares de adeptos no centro de Nova Iorque para assistir à distância ao quinto jogo da final da NBA, com os Knicks a liderar os San Antonio Spurs por 3-1.
"Para quem circular por Manhattan, preparem-se para congestionamentos em Midtown", avisou o presidente da câmara, Zohran Mamdani, no sábado, recomendando aos adeptos que se dirigem ao MetLife que reservem quatro a cinco horas para a viagem.
A polícia reforçou a presença nos primeiros quatro jogos, tanto em casa como fora, e espera-se que os agentes voltem a encher Manhattan para evitar os atos de vandalismo que marcaram jogos anteriores. As temperaturas elevadas e a ameaça de trovoadas também podem estragar as celebrações.
Knicks a "ofuscar tudo"
Numa zona industrial de Brooklyn, o gerente do Socceroof, um pavilhão de futebol de cinco indoor, Lucas Matuszewski, afirmou que "obviamente os Knicks, como seria de esperar, estão a ofuscar" o Mundial.
"É difícil competir com uma organização tão enraizada como os Knicks. O basquetebol é mesmo adorado na cidade de Nova Iorque", disse Matuszewski, de 24 anos, enquanto as crianças chutavam bolas de futebol nos relvados sintéticos impecáveis.
O adepto da Escócia Graeme Buckingham, de 53 anos, um pescador de Banff, descrevou o nível de febre de futebol como "baixo" em Nova Iorque, enquanto ao seu lado eram vendidas t-shirt do título dos Knicks junto à bola de Wall Street.
"Esperava talvez um pouco mais, mais adeptos. Mas como se vê, é o basquetebol. Eles não ligam muito ao futebol", disse, enquanto se preparava para viajar para Boston com o Tartan Army para o jogo inaugural da Escócia frente ao Haiti.
Buckingham referiu que os esforços de grande visibilidade de Lionel Messi, que joga no Inter Miami, e David Beckham, que jogou no LA Galaxy, não conseguiram conquistar o coração dos norte-americanos.
"Olhando para Nova Iorque, hoje vi um cartaz à porta de um pub, Mexico- África do Sul - Liga dos Campeões. Nem sequer sabiam qual era o torneio", apontou.
No entanto, havia sinais de que os negócios se preparavam para uma chegada tardia da febre do futebol.
Vanessa Whalen, proprietária do pub Black Bull, em Brooklyn, afirmou "Acho mesmo que isto vai ficar caótico e louco, sem dúvida, especialmente neste pub, porque somos um pub de futebol".
A convergência de centenas de milhares de adeptos dos Knicks com adeptos de futebol pode provocar o caos nos transportes.
Embora o Madison Square Garden não acolha o jogo de sábado, haverá uma festa para 3.000 adeptos no exterior do emblemático recinto, situado mesmo por cima da Penn Station, o terminal para os adeptos de futebol que regressam à cidade vindos do MetLife.
Os dois eventos coincidem ainda com as festividades do desfile do Dia de Porto Rico, no domingo, e com um concerto no MSG.
