Mundial-2026: Valdo considera Brasil mais coeso desde aposta em Carlo Ancelotti

Carlo Ancelotti à conversa com Danilo
Carlo Ancelotti à conversa com DaniloMAURO PIMENTEL / AFP

O Brasil progrediu em coesão desde a chegada do treinador italiano Carlo Ancelotti, que se tornará o primeiro estrangeiro a orientar a seleção canarinha em Mundiais, avalia o ex-internacional Valdo, colocando os sul-americanos na luta pelo hexacampeonato.

Acompanhe o Brasil no Flashscore

“O Brasil tem bons valores e, desde a chegada do Carlo Ancelotti, joga de forma diferente, mais compacta. É mais equipa, algo que não era antes. Quando assim é, os jogadores mais apurados tecnicamente podem fazer a diferença e a seleção chegar muito longe”, disse à agência Lusa o antigo médio do Benfica, de 62 anos, que fez 45 jogos e quatro golos no escrete, entre 1987 e 1993, e esteve nos Campeonatos do Mundo de 1986 e 1990.

O Brasil defrontará Marrocos e os regressados Escócia e Haiti no Grupo C do Mundial-2026, cuja 23.ª edição se realiza de quinta-feira a 19 de julho e integra pela primeira vez 48 seleções, incluindo Portugal, num total de 104 jogos, sob inédita organização tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá.

“O Brasil tem todas as condições para ir até à disputa do título. Para mim, não há uma equipa favorita. Nesse leque, coloco Portugal, a França, que é forte, a Espanha, com futebol irreverente e sólido, a Alemanha, o Brasil e a (detentora do troféu) Argentina, formada por criativos, com compromisso, vontade e disciplina tática e que, às vezes, levam a seleção ao patamar mais alto, mesmo não praticando um bom futebol”, reconheceu Valdo.

Recordista de títulos de campeão do mundo, com cinco (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002), e único totalista em fases finais, o Brasil estreia-se perante Marrocos, que rubricou o melhor resultado africano de sempre na prova, com o quarto lugar em 2022, no Catar, e foi declarado campeão africano depois da polémica final da Taça das Nações Africanas (CAN) de 2025, apesar de ter perdido em campo na condição de anfitrião com o Senegal.

A seguir ao embate inaugural, em 13 de junho, em East Rutherford, cidade-sede da final do Mundial-2026, a canarinha mede forças com os regressados Haiti e Escócia, nos dias 19 e 24 do mesmo mês, em Filadélfia e Miami, respetivamente.

O grupo do Brasil no Mundial-2026
O grupo do Brasil no Mundial-2026Flashscore

“Se me perguntar se queria (que o Brasil defrontasse) Marrocos, dizia de caras que não. É uma grande seleção e a maioria dos seus jogadores atua na Europa. Tem futebol irreverente e futebolistas altamente criativos, com muita força. Depois daquela confusão na CAN, por agora são os campeões de África. Ninguém sabe como. O Brasil vai ter muito trabalho, mas tem argumentos para se impor em campo e demonstrar que é favorito”, frisou.

Os dois primeiros classificados das 12 poules e os oito melhores terceiros acedem aos 16 avos de final do principal torneio internacional de seleções, no qual o Brasil teve quatro eliminações nos quartos (2006, 2010, 2018 e 2022) e uma nas ‘meias’ (2014, como organizador) desde o último título.

“Embora não seja o Brasil dos anos 70 ou de 1982, que encantou tudo e todos, ainda é muito forte e agora tem como seu grande líder Carlo Ancelotti, que já deu outra roupagem à seleção. Quando se fala do futebol brasileiro, todos têm a imagem de Garrincha, Zico, Falcão, Cerezo, Sócrates ou Ronaldo e por aí fora, mas são outros tempos e os jogadores têm de se adaptar às novas dinâmicas do futebol mundial”, advertiu Valdo.

Quarto estrangeiro a comandar o Brasil, Carlo Ancelotti iniciou funções em maio de 2025 e completou a qualificação sul-americana, na qual o escrete foi quinto classificado, com 28 pontos, a 10 da líder e bicampeã continental Argentina, frente à qual consentiu uma inédita derrota caseira em fases de acesso a Campeonatos do Mundo.

Antes de contratar o treinador mais titulado da história da Taça ou Liga dos Campeões - dois êxitos pelos italianos do AC Milan e três com os espanhóis do Real Madrid -, o Brasil, nove vezes campeão sul-americano, foi guiado por Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior desde a saída de Tite, que orientou a canarinha nos Mundiais de 2018 e 2022.

“O Brasil defende muito melhor hoje, porque tem disciplina tática. Quando se olha para as equipas de Carlo Ancelotti, são consistentes, sólidas e cada um sabe qual é a sua missão. Numa seleção, há que ter consciência disso e criar condições para que os criativos façam a diferença. Ancelotti tem essa capacidade no seu jeito paizão de falar, sempre tranquilo, mas firme. Se não for firme, não tem como (obter sucesso). Foi uma grande escolha”, notou.

Campeão português com o Benfica em 1988/89 e 1990/91, Valdo compara o contributo de Ancelotti para a seleção brasileira ao aporte tático dos técnicos lusos “de grande envergadura” nos clubes locais, realçando Jorge Jesus, campeão nacional e sul-americano pelo Flamengo em 2019, e Abel Ferreira, recordista de conquistas no Palmeiras, ao qual chegou em 2020.

“O jogador brasileiro teve, tem e terá sempre talento, mas não existe mais o futebol de rua. A formação hoje é feita quase toda nas academias, onde a bola vem, sai e volta redondinha. Jogar na rua e naqueles campos horríveis em que brincávamos e éramos felizes dava-nos a técnica que, às vezes, ninguém entendia de onde vinha”, concluiu o vencedor da Copa América de 1989.