Países Baixos e o Síndrome de Golias: chegou a hora de vencer um grande no Mundial-2026?

Cody Gakpo, da seleção neerlandesa, reage durante um jogo particular contra a Argélia em junho de 2026
Cody Gakpo, da seleção neerlandesa, reage durante um jogo particular contra a Argélia em junho de 2026STEFAN KOOPS / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

Desde que Ronald Koeman regressou ao seu antigo cargo de treinador da seleção neerlandesa, os antigos campeões europeus têm enfrentado dificuldades numa área específica, mas muito problemática.

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O primeiro mandato de Koeman como treinador dos Países Baixos foi praticamente repleto de resultados positivos. Vitória por 2-0 sobre a França, vitórias por 3-0 e 4-2 sobre a Alemanha, vitória por 3-1 sobre a Inglaterra, uma vaga na final da Liga das Nações... A Laranja Mecânica parecia estar de volta depois de ter ficado de fora do Mundial de 2018.

Mas Koeman partiu em busca de novos desafios. O Barcelona, o seu antigo amor, bateu-lhe à porta. Koeman deixou o cargo antes mesmo de poder assumir o comando numa grande competição.

Ronald Koeman antes de um jogo da Liga das Nações da UEFA contra a Alemanha, em outubro de 2024
Ronald Koeman antes de um jogo da Liga das Nações da UEFA contra a Alemanha, em outubro de 2024Photo by ODD ANDERSEN / AFP

O antigo defesa-central, que fez parte da geração de ouro dos Países Baixos que venceram o Euro-1988, regressou para assumir o cargo de treinador da seleção neerlandesa após o Mundial de 2022, onde a Laranja Mecânica ficou a um penálti da semifinal. Os adeptos estavam otimistas, mas o segundo mandato de Koeman no comando não correspondeu às expectativas.

Síndrome de Golias

Para avaliar devidamente o desempenho de Koeman, vamos comparar os seus dois mandatos numa área específica: os resultados contra equipas classificadas entre as 25 melhores do Ranking Mundial da FIFA.

Durante o seu primeiro mandato, entre março de 2018 e novembro de 2019, os Países Baixos disputaram 20 jogos no total, dos quais 13 foram contra equipas classificadas entre as 25 melhores. Os Países Baixos venceram 6 desses jogos, empataram 3 e perderam 4, marcando 24 golos e sofrendo 15 ao longo do caminho.

Cinco desses jogos foram contra equipas do top 5: três foram vencidos (Portugal 3-0, França 2-0, Inglaterra 3-1), um terminou em empate (Bélgica 1-1) e um terminou em derrota (França 1-2), marcando 10 e sofrendo 4. Trata-se de um registo particularmente forte contra as melhores equipas.

Uma comparação dos resultados da Holanda contra equipas do top 25 nas duas passagens de Ronald Koeman
Uma comparação dos resultados da Holanda contra equipas do top 25 nas duas passagens de Ronald KoemanFlashscore

Avançando para o segundo mandato de Ronald Koeman, que começou em março de 2023. Os Países Baixos disputaram 40 jogos até ao seu jogo de estreia no Mundial contra o Japão, a 14 de junho, e, tal como no primeiro mandato de Koeman, enfrentaram uma equipa do top 25 13 vezes neste período.

Desses 13 jogos, os Países Baixos não venceram nenhum. Cinco jogos terminaram em empate, oito em derrota, enquanto os Países Baicos marcaram 17 golos e sofreu 29, quase o dobro do que no primeiro mandato de Koeman.

Seis jogos foram contra equipas do top 5: França (0-4, 1-2, 0-0), Inglaterra (1-2) eEspanha (2-2, 3-3), todos os quais mantiveram a Laranja Mecânica sem vitórias. Oa Países Baixos marcaram 7 e sofreram 13.

Entre os fatores que podem explicar este declínio contam-se o aumento geral do nível do futebol internacional e o envelhecimento do núcleo de craques da seleção neerlandesa. Virgil van Dijk estava no auge da carreira quando Koeman assumiu o comando da Laranja Mecânica pela primeira vez, mas já tinha 32 anos quando Koeman regressou em 2023.

Virgil van Dijk e Memphis Depay têm sido pilares da seleção neerlandesa há uma década
Virgil van Dijk e Memphis Depay têm sido pilares da seleção neerlandesa há uma décadaPieter van der Woude/Orange Pictures / Shutterstock Editorial / Profimedia

Memphis Depay é outro desses casos: Depay marcou 11 golos nos primeiros 20 jogos de Koeman no comando, dos quais seis foram contra equipas do top 25, em contraste com 12 golos em 23 jogos no segundo mandato de Koeman, dos quais apenas dois foram contra adversários do top 25.

Dor de cabeça no Mundial-2026

É claro que isto precisa de ser resolvido durante o Mundial, onde os Países Baixos esperam finalmente livrar-se da reputação de ser a melhor nação que nunca ganhou um Mundial, após três finais perdidas.

Os seus adversários no Grupo F são o Japão (18.º), a Suécia (38.º) e a Tunísia (45.º), enquanto o Brasil (6.º) ou Marrocos (7.º) aguardam na segunda fase, caso terminem entre os dois primeiros do grupo.

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Acompanhe o relato no site ou na appFlashscore

Os adeptos sabem que a sua equipa está repleta de qualidade. Virgil van Dijk, Frenkie de Jong, Cody Gakpo, Ryan Gravenberch, Tijjani Reijnders, Donyell Malen, Denzel Dumfries, Micky van de Ven... É um dos plantéis mais fortes dos Países Baixos dos últimos tempos.

Não é por isso que muitos têm dúvidas se este será finalmente o ano em que irão disputar o título mundial. É a falta de resultados na segunda passagem de Koeman, especialmente contra as melhores equipas.

Cinco empates e oito derrotas contra equipas do top 25 do Ranking Mundial da FIFA. Está na hora de começar a ganhar ou de fazer as malas.