Recorde a lista de convocados de Portugal
Ausências na convocatória: "Para nós é um dia triste, porque precisamos de deixar jogadores que queríamos muito levar mas que precisam de ficar de fora porque só podemos levar 27 jogadores. É um dia entusiasmante porque hoje é o início de tentar lutar contra a história. Tentarmos estar juntos, utilizar os nossos valores, e parafraseando o Pedro Abrunhosa, "fazer o que nunca foi feito". Os jogadores escolhidos são os jogadores escolhidos depois de um processo responsável, honesto e profissional, de muito trabalho. Gostava que compreendessem que todos os jogadores que estiveram na caminhada para o apuramento, bem como na vitória da Liga das Nações, fazem parte do grupo. Há uns que ficam de fora porque há outros melhor colocados para este torneio. Automatismo, estratégia de jogo..."
Ausência de António Silva e de um avançado com características distintas: "Temos cinco centrais, trabalhámos com eles e em março precisámos de escolher. Esperamos adversários diferentes e a escolha recaiu sobre o Tomás Araújo. O António faz parte do grupo e, se houver uma lesão, é o primeiro central a entrar. Para terceiro avançado, procuramos o jogador de caraterísticas mais próximas ao Diogo (Jota). Já o fizemos durante o Europeu, Liga das Nações... O Gonçalo Guedes é o terceiro porque é o jogador com mais flexibilidade, que pode jogar por fora, por dentro, abrir espaços no contra-ataque... O Paulinho, mais uma vez, pode fazer o perfil do Cristiano e do Gonçalo (Ramos) mas aqui precisamos de ter três atacantes. Dois mais posicionais, um mais variável. O nosso grupo já mostrou que sabe vestir esta camisola. Esforço, união e vontade de sonhar. Depois, saber que nunca ganhámos um Mundial porque os adversários são muito bons. O adepto de Portugal pode esperar um grupo comprometido, preparado para lutar e para dar tudo com muito orgulho".
Quatro guarda-redes e cinco laterais: "Primeiro, dizer que não deixámos ninguém de fora. Entram 27 jogadores na lista e é por isso que temos o grupo que temos. A complexidade do torneio é muito importante, a exigência da temperatura, o fuso horário, tudo o que já vivemos em março. Há posições em que precisamos de ter mais de dois jogadores por posição. E precisamos de cinco laterais. A polivalência de jogadores como o Dalot, o Cancelo, o Matheus Nunes, que também pode jogar a médio, é importante. E dentro, João Félix, Bruno Fernandes, Bernardo Silva e Trincão jogam entrelinhas. Aqui não entram jogadores que também fizeram épocas espetaculares como Ricardo Horta, Pedro Gonçalves ou Rodrigo Mora. Por fora temos Rafael Leão, Pedro Neto e Francisco Conceição, bem como a opção do Gonçalo Guedes. Não há espaço para mais. É tentar procurar o equilíbrio e ter todas as opções que precisamos. Falei com o Ricardo Velho e ele sabe que é o quarto guarda-redes. As regras são que só se houver uma lesão durante o torneio, podemos substituir o guarda-redes. E para nós, o trabalho precisa de ser de alta intensidade em todos os treinos. Há muita finalização e precisamos de mais um guarda-redes. Saber que o Ricardo Velho não consegue sentar no banco, mas em 2 minutos disse que estava preparado para ajudar no que fosse necessário, e esse é o motivo de tentar utilizar quatro guarda-redes durante um período de treinos muito diferente. Já estive em dois Mundiais e é a primeira vez que há seis dias de diferença entre o primeiro e o segundo jogo."
27 jogadores mais um... Diogo Jota: "É a nossa força, a nossa alegria. Disse que na vida todos temos momentos muito difíceis. Perder o Diogo foi um momento inesquecível e muito difícil, mas o dia a seguir foi uma responsabilidade para todos nós de lutar pelo sonho do Diogo e pelo exemplo que ele sempre foi na nossa seleção. O espírito, a força, o exemplo do Diogo Jota é o +1 e vai ser o +1 para sempre".
Gestão de Cristiano Ronaldo: "A gestão é com muita naturalidade. A minha experiência é que o jogador, no Mundial, não segue um padrão que acompanha o desempenho no clube, relacionado com a idade... O nosso grupo está focado, preparado para a exigência do Mundial, e precisamos de gerir bem o dia-a-dia. É só isso. Podemos falar de muitos sonhos, mas nós só atingimos três jogos. Esse é o nosso Mundial. E precisamos de gerir esses três da melhor forma possível. Já temos muita informação, estamos a falar de quase 40 jogos juntos. Agora é gerir o grupo durante o Mundial, algo natural. Acreditamos muito no compromisso e no talento dos nossos jogadores para fazermos isso bem".
"O futuro do selecionador pode esperar"
Classificação no Mundial dita a sua continuidade na seleção de Portugal? "Só posso dizer que o presidente, a estrutura da Federação e eu estamos alinhados. O único objetivo é o Mundial. O futuro do selecionador pode esperar, não é importante. Vamos fazer tudo o que o balneário e os jogadores precisem para dar o seu melhor. A minha posição não é importante. Caso contrário o selecionador poderia sair depois da Liga das Nações e olhar para o futuro. Vamos trabalhar todos juntos".
Rodrigo Mora e João Palhinha ausentes: "Primeiro, dizer mais uma vez que o importante são os jogadores que estão na lista. Os que ficam de fora é porque há outros nos seus espaços. O Rodrigo Mora é um talento incrível e estamos em boas mãos. Não para o futuro, mas para já. O Mundial tem um ciclo e depois do Mundial abre-se a porta. A seleção já utilizou muito talento novo. Carlos Forbs, Mateus Fernandes... E o Rodrigo Mora faz parte dessa geração. Os jogadores que cá estão estão num bom momento."
Problemas físicos de Rúben Dias: "O Rúben Dias está preparado há três jogos. Estamos a acompanhar toda a informação e é um processo. Até 16 de junho podemos avaliar todos os jogadores e substituir se houver algum problema. Já falei sobre o Samu Costa, um jogador que em março mostrou a energia, garra, o aspeto tático... É um médio mais defensivo, que acho muito importante para este torneio. E a 10, vamos utilizar Trincão, Bernardo Silva, Bruno Fernandes e João Félix. É isso".
"Foi só ontem que tomámos as decisões"
Quando fechou a lista de convocados? "Gosto muito de falar do processo. Há momentos de apanhar informação. Acompanhámos todos os jogos, fui ver jogos ao vivo... Foi só ontem que tomámos as decisões. Em relação ao momento, ao que precisávamos de fazer, pontos importantes... Foi ontem. O importante é que ainda há dois ou três jogos. É importante que não haja lesões e que os jogadores cheguem bem ao fim da época. Fico muito satisfeito por poder estar nos Estados Unidos e no México algum tempo antes, com os jogadores a poderem recuperar durante 7 dias. Os jogadores do PSG, por exemplo, só chegam aqui no primeiro jogo de preparação. Agora temos um período muito bom para desligar, primeiro, e depois preparar ao detalhe o que precisamos. Não há um último jogador a ser fechado. Trabalhamos muito com perfis. Comparar jogadores, olhar para o talento natural, puro, irreverência. Depois a experiência. O Gonçalo Guedes poder marcar o golo da vitória na Liga das Nações tem o seu peso. E depois o compromisso e a atitude. Precisamos de jogadores com polivalência. Já vimos nos últimos 38 jogos que a nossa seleção tem uma flexibilidade tática importante. Poder usar uma linha de cinco, três, quatro... Tudo isso foi trabalhado nos últimos anos e reflete-se na convocatória".
Falou com os jogadores que ficaram fora da convocatória? "É a parte mais difícil para a equipa técnica e para o selecionador, precisar de comunicar quando um jogador fica de fora. Mas o nosso processo e a nossa Federação é de alto nível e isso acontece. Há decisões e momentos em que precisamos de responsabilidade e honestidade. Falei com alguns dos jogadores e a reação foi muito positiva. Ficam de fora mas continuam a lutar para ganhar o Mundial e para fazerem parte da nossa luta, e isso é o importante".
Críticas de António Salvador: "Primeiro, respeitar os presidentes de todos os clubes dos nossos jogadores. É normal. Tenho a capacidade de ser neutro. Preciso de tomar decisões difíceis, mas já disse que se trata de um processo. Esta não é uma decisão emotiva ou intuitiva, há um processo e parâmetros muito importantes onde as escolhas são profissionais e feitas com muita responsabilidade."
Porquê Samu Costa em vez de João Palhinha? "Já falei do Samu. Falámos muitas vezes que precisamos de continuidade, automatismos, trabalhar em aspetos táticos. Mas precisamos do equilíbrio e da porta aberta para novo talento, sangue novo e criar o equilíbrio para manter a competitividade e frescura. O Samu Costa trouxe isso durante março, adorei a sua energia, a sua garra. É um '8', mas é muito dinâmico. Chega à area, mas no aspeto defensivo também é muito importante. Ajusta-se perfeitamente ao que precisamos para o Mundial".

Conquistas e desilusões no final de época podem ter impacto? "É uma boa reflexão, mas isso acontece em todos os Mundiais e seleções. Chegar à seleção é uma energia nova e desligar totalmente do que aconteceu durante a época. O que um jogador faz no clube ajuda a chegar à seleção, mas quem está neste espaço há muitos anos não tem ligação com o que aconteceu há uns meses. O importante é recuperar, terminar as épocas. No geral, temos uma média de idades muito boa, de 27,3 anos. Os jogadores somaram 25 títulos entre eles... Em termos gerais, há um bom equilíbrio. Mas agora é preciso terminar a época bem, desligar, recuperar e começar com o sonho de jogar pela seleção, que é um momento sempre especial na carreira de todos".
Ausências de Ricardo Horta e Pedro Gonçalves são por motivos físicos? "Não. Isso é importante porque já falei com alguns jogadores. O Ricardo Horta, e para dizer mais um nome, o Mateus Fernandes, fizeram épocas incríveis. Mas há outros jogadores à frente. O Pedro Gonçalves, o Rodrigo Mora e o Ricardo Horta não entram na seleção porque há João Félix, Bernardo Silva, Bruno Fernandes e Trincão, que já têm um papel na seleção. No futebol moderno, com cinco substituições... A posição de lateral é muito exigente, fisicamente precisas de dar muito mais. E para nós, ter os quatro mais o Matheus Nunes é essencial e dá equilíbrio ao que o balneário tem".
"Kroupi queria jogar pela França e respeitámos isso"
Contactos com Junior Kroupi: "Existiu, sim. Fico feliz porque ficámos à frente das notícias. Antes do estágio de março, tentámos falar. É importante acompanhar os jogadores que podem vestir a camisola de Portugal, e outra é se o jogador quer. Naquele momento, o Kroupi queria jogar pela França e respeitámos isso."
"Sonhar sim, candidato também, favorita não"
Favoritismo no Mundial: "Estou a praticar muitas palavras em português, mas favoritismo e Portugal num Mundial ainda não estão ligados. O Mundial não é só jogar bem, não é só talento. Há muitos desafios. E há o aspeto psicológico. Só uma seleção que já ganhou um Mundial pode ser favorita. Candidato provavelmente é uma melhor palavra para descrever o momento que estamos a ter. Ganhámos a Liga das Nações mais exigente de sempre. Vencer a Alemanha em casa deles, a Espanha na final... Sonhar sim, candidato também, favorita não".
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