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Os dois selecionadores partilham uma história comum, um percurso semelhante e também certos traços de caráter.
Agora, o destino coloca-os frente a frente no maior palco possível, a final do Mundial-2026, no domingo, no MetLife Stadium em East Rutherford, na área metropolitana de Nova Jérsia.
Espanha é precisamente um dos pontos em comum entre ambos os treinadores. Scaloni jogou lá perto de uma década, defendendo as cores do Deportivo, Racing Santander e Maiorca. É na ilha balear que reside, onde vive com a sua esposa, a espanhola Elisa Montero, e os filhos.
Além disso, foi em solo espanhol que obteve os seus títulos de treinador, tendo Luis de la Fuente como um dos docentes do curso que frequentou em 2017.
"Além de o ter tido como professor durante o meu curso de treinador, mantinha com o Luis uma relação especial porque, sinceramente, aprecio a sua proximidade e a sua maneira de ser. O destino quis que, hoje, nos voltemos a encontrar numa final", sorriu o argentino na quarta-feira, após a épica reviravolta por 2-1 frente à Inglaterra nas meias-finais.
O recado de Maradona
Apesar da sua curta experiência como treinador principal, o antigo defesa transformou uma seleção argentina abalada por derrotas em finais numa máquina de vencer, com os títulos do Mundial-2022, as Copas América de 2021 e 2024, e a Finalíssima 2022 frente à Itália.
Quando assumiu o cargo em 2018, o antigo adjunto de Jorge Sampaoli nunca tinha orientado nenhum clube como treinador principal e a sua nomeação, inicialmente interina, gerou muitas dúvidas. "Scaloni é um excelente rapaz, mas não consegue nem dirigir o trânsito", chegou a dizer o ídolo argentino Diego Maradona.
"No início foi bastante criticado, porque também chegava com pouca bagagem, diziam alguns, mas teve a 'má sorte' de ser campeão da América e do mundo com a Argentina", brincou De la Fuente durante o Euro-2024. "É um grande treinador, uma excelente pessoa e um gestor de grupo excecional", acrescentou.
Tal como Scaloni, o espanhol também teve de dissipar o ceticismo que rodeou a sua nomeação à frente de la Roja após a eliminação no Mundial do Catar e a saída de Luis Enrique.
"No domingo, peço desculpa"
Apesar de ser pouco conhecido do grande público, a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) conhecia perfeitamente De la Fuente.
O treinador de trato afável, cuja única experiência como técnico principal durou 11 jogos (na LaLiga 2 com o Deportivo Alavés em 2011), integrou em 2013 a estrutura da RFEF, depois de ter treinado os escalões de formação do Sevilha e a academia do Athletic Club.
A aposta deu frutos: conquistou o Europeu sub-19 em 2015 e o sub-21 em 2019, com jogadores como Fabián Ruiz, Dani Olmo, Mikel Oyarzabal, Unai Simón e Mikel Merino, que anos depois também integrariam a seleção campeã do Euro-2024.

De la Fuente pôs assim fim a um longo jejum para Espanha, que não conquistava um grande título desde o histórico triplete formado pelo Euro-2008, o Mundial-2010 e o Euro-2012.
O espanhol, que ainda venceu a Liga das Nações em 2023 e perdeu nos penáltis frente a Portugal na edição do ano passado, vai defrontar Scaloni pela primeira vez.
Ambos deviam ter-se encontrado na Finalíssima prevista para março em Doha, o duelo entre os campeões em título do Europeu e da Copa América, mas o encontro foi cancelado devido à guerra no Médio Oriente.
"Conduziu a sua seleção de forma brilhante, fico muito feliz por ele", afirmou Scaloni na quarta-feira, já com a final no horizonte.
"Toda a gente sabe que vivo em Espanha e que tenho família espanhola. Mas no domingo, peço desculpa, vamos fazer tudo para lhes ganhar".
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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