O Spygate tem dominado a narrativa em torno dos play-offs do Championship desta época, com uma avalanche de informações, alegações e opiniões a serem divulgadas nos meios de comunicação nos últimos dias.
O Flashscore reúne toda a informação essencial, decisões, declarações e o que poderá acontecer a seguir.
O que é o Spygate?
O termo "Spygate" ou "Spygate 2.0" refere-se às acusações do Middlesbrough contra o seu rival no play-off, o Southampton, que foi acusado de ter enviado um elemento do seu staff para espiar um treino do Middlesbrough na passada quinta-feira (7 de maio).
O elemento "2.0" surge porque o Leeds foi apanhado a fazer algo semelhante ao Derby em 2019. Esse caso tem servido de referência para grande parte da discussão em torno do Southampton e do Middlesbrough nesta ocasião.
O Middlesbrough comunicou à EFL que alguém, que acreditam ser um analista ao serviço do Southampton, estava a filmar o seu treino em Rockliffe Hall, local onde se situam os campos de treino do clube, junto a um spa de luxo e a um campo de golfe.
Foram especulados muitos detalhes dramáticos online, mas a informação mais credível indica que o treino foi de facto filmado e que o indivíduo fugiu após ser confrontado por funcionários do clube.
O BBC Sport avança que o fotógrafo oficial do Middlesbrough tirou fotografias ao indivíduo, tendo estas sido alegadamente comparadas com imagens do site do Southampton antes de ser apresentada a queixa à EFL.
O que disseram os envolvidos?
O Middlesbrough ainda não emitiu um comunicado oficial, mas a sua queixa à EFL foi reconhecida e o organismo confirmou que acusou o Southampton de violação dos regulamentos.
"O Southampton Football Club foi hoje acusado de violação dos Regulamentos da EFL, sendo o caso remetido para uma Comissão Disciplinar Independente", pode ler-se no comunicado.
"Isto surge após um pedido da EFL para que o clube apresentasse as suas observações, na sequência de uma queixa do Middlesbrough relativa a alegadas filmagens não autorizadas em propriedade privada antes do encontro entre os dois clubes na primeira mão da meia-final do play-off do Sky Bet Championship, no sábado".
"Regulamento 3.4 da EFL, que exige que os clubes ajam entre si com a máxima boa-fé; e Regulamento 127 da EFL, que proíbe qualquer clube de observar, ou tentar observar, o treino de outro clube nas 72 horas que antecedem um jogo agendado entre ambos".
O Southampton respondeu dizendo que reconhecia as alegadas infrações e que iria colaborar totalmente com a EFL durante todo o processo.
Tudo isto aconteceu antes de os dois clubes empatarem 0-0 na primeira mão da meia-final do play-off, no Riverside Stadium, no sábado (9 de maio).
O jogo deu a primeira oportunidade aos treinadores das equipas para comentarem o caso perante os jornalistas. O treinador do Middlesbrough, Kim Hellberg, foi claro quanto ao seu desagrado com toda a situação.
"Acho que todos os clubes do Championship deviam estar revoltados com isto. Há quem diga que não traz grande vantagem. Isso é falso. Dá uma vantagem enorme. Sem isso, teria sido impossível para eles saberem a nossa disposição tática na primeira parte. Nunca tínhamos utilizado essa estrutura até hoje".
"Lamento pelos adeptos e jogadores do Southampton. São excelentes e não merecem que isto lhes seja atirado para cima. Eles não tiveram culpa nenhuma, mas alguém no Southampton decidiu recorrer à batota. Isso é evidente. É simplesmente errado".

O treinador do Southampton, Tonda Eckert, optou por uma abordagem diferente, afirmando que o clube já tinha feito o seu comunicado e que não havia mais nada a acrescentar.
Quando as perguntas sobre o "Spygate" continuaram após o jogo, abandonou a conferência de imprensa, tendo sido entretanto confirmado que não haverá conferência de imprensa antes da segunda mão.
O The Telegraph avança que o Southampton aceitou a acusação, mas alega que o indivíduo agiu por iniciativa própria, como um "lobo solitário" – embora isto não tenha sido oficialmente confirmado pelo clube nem pela EFL.
Quais são as possíveis sanções?
É aqui que se pode recuar ao "Spygate" original entre Leeds e Derby em 2019.
Nessa altura, as regras sobre a observação dos treinos dos adversários não eram tão claras e o Leeds acabou multado em 200 mil libras, tendo sido criados novos regulamentos para dissuadir futuras situações de espionagem – precisamente os que o Southampton é agora acusado de violar.
Normalmente, seria dado um prazo de 14 dias para os Saints responderem, mas a EFL acelerou o processo devido ao calendário dos play-offs.
O alegado incidente ocorreu apenas dois dias antes da primeira mão da meia-final e será certamente necessário encontrar uma solução antes da final, marcada para sábado, 23 de maio, em Wembley.
A EFL não comenta casos em curso, mas tendo em conta que o Leeds foi multado antes de existirem regras específicas, é expectável que o Southampton venha a ser, pelo menos, sancionado com uma multa.
Como alegadamente violaram regulamentos oficiais, não se sabe se a EFL irá agravar a sanção.
Outro caso mediático de espionagem ocorreu nos Jogos Olímpicos de Paris-2024, em que a seleção feminina do Canadá foi apanhada a utilizar um drone para espiar as rivais da Nova Zelândia – o que resultou numa multa de 189 mil libras, subtração de seis pontos e suspensão de três elementos do staff do futebol durante um ano.
Qualquer sanção imediata ao Southampton ainda não foi anunciada.
Estão outros clubes envolvidos?
O The Guardian refere que outros clubes do Championship também suspeitam de terem sido espiados pelo Southampton e já contactaram o Middlesbrough para o informar disso mesmo.
O artigo refere que os clubes ficaram surpreendidos "com a facilidade com que o Southampton se adaptou a esquemas táticos supostamente inesperados e parecia antecipar rotinas de bolas paradas" – embora também se aponte que tal pode dever-se à competência do treinador Eckert, que tem experiência como analista na seleção alemã.
Continua por esclarecer se estas suspeitas adicionais terão consequências, não havendo ainda qualquer informação oficial.
