Oito anos depois, aquela primeira convocatória permite olhar para trás e perceber o quanto mudou o futebol argentino desde então.
Dos 26 futebolistas que integraram essa lista inicial, alguns acabaram por tornar-se peças fundamentais da seleção que conquistou a Copa América, a Finalíssima e o Mundial. Outros, pelo contrário, foram perdendo protagonismo até ficarem completamente afastados do selecionado.
Guarda-redes:
Sergio Romero — Retirado
O guarda-redes com mais presenças na história da seleção tinha ficado fora do Mundial da Rússia devido a uma lesão e regressou para a primeira convocatória de Scaloni. Disputou dois particulares durante esse ciclo, frente ao Iraque e Brasil, e a sua última chamada foi em novembro de 2018. Depois de uma breve passagem pelos Argentinos Juniors, anunciou a sua retirada em março de 2026.
Gerónimo Rulli — Manchester City
Foi titular na estreia de Scaloni e desde então manteve-se como uma alternativa habitual para a baliza argentina. Embora nunca tenha conseguido afirmar-se como titular, foi campeão do mundo no Catar, da Finalíssima e da Copa América 2024. Também integrou o plantel argentino que terminou como vice-campeão mundial em 2026. Soma oito jogos pela seleção.
Franco Armani — Atlético Nacional
Foi o primeiro guarda-redes da era Scaloni a disputar jogos oficiais. Foi titular durante a Copa América 2019 e no início das Eliminatórias rumo ao Catar. O aparecimento de Emiliano Martínez acabou por afastá-lo e, após a Copa América 2024, deixou de fazer parte da seleção.
Defesas
Leonel Di Plácido — Atlético Tucumán
A sua chamada surgiu depois de se destacar no Lanús, embora não tenha somado minutos com a albiceleste. Mais tarde passou pelo Botafogo e pelo Sport Recife antes de regressar ao futebol argentino. Atualmente joga no Atlético Tucumán e é um dos habituais titulares da equipa.
Fabricio Bustos — River
Já tinha sido chamado antes da chegada de Scaloni e voltou a aparecer nas primeiras listas do treinador. Disputou quatro jogos pela Argentina, mas nunca conseguiu afirmar-se no lugar. Atualmente pertence ao River e atravessa uma fase com pouca utilização.
Renzo Saravia — Sem clube
Foi titular no primeiro jogo de Scaloni e teve bastante protagonismo nos primeiros meses do ciclo. Chegou a disputar a Copa América 2019 e somou sete jogos pela seleção. Após uma breve passagem pelo Valência, ficou livre e atualmente encontra-se sem clube.
Ramiro Funes Mori — Estudiantes
Foi um dos centrais titulares nos primeiros jogos do ciclo. Entre 2018 e 2019 disputou seis amigáveis e esteve na Copa América do Brasil, embora tenha jogado apenas um minuto nesse torneio. Depois disso não voltou a ser chamado e atualmente joga no Estudiantes.
Germán Pezzella — Peñarol
Um dos grandes sobreviventes daquela primeira lista. Esteve presente praticamente durante todo o ciclo Scaloni e fez parte dos plantéis campeões da América e do mundo. Uma lesão ligamentar sofrida em 2026 marcou o fim da sua etapa na seleção. Após sair do River, prossegue a carreira no Peñarol.
Alan Franco — Tigres
Na altura era uma das jovens promessas do Independiente. Jogou pouco mais de meia hora na estreia de Scaloni e voltou a estar no banco frente à Colômbia. No entanto, nunca chegou a afirmar-se e não voltou a ser chamado. Atualmente joga no México.
Walter Kannemann — Grémio
Durante vários anos foi considerado um dos melhores defesas do continente e teve várias oportunidades na seleção. Entre 2018 e 2019 disputou seis jogos, mas ficou fora da Copa América desse ano. A sua última chamada foi em 2020 e atualmente continua no Grémio, onde se tornou um dos líderes do plantel.
Nicolás Tagliafico — Olympique Lyon
É, juntamente com Pezzella, um dos nomes mais importantes daquela primeira convocatória que conseguiu manter-se durante grande parte do ciclo. Foi o primeiro capitão de Scaloni e somou 83 jogos pela Argentina. Foi campeão da América, do mundo e da Finalíssima.
Marcos Acuña — River
Durante grande parte do ciclo disputou com Tagliafico o lugar de lateral esquerdo. Teve um papel importante nos primeiros anos, mas foi perdendo protagonismo depois do Catar e acabou por ficar fora do Mundial 2026. Disputou 62 jogos pela seleção.
Médios
Santiago Ascacíbar — Boca
O seu destaque no Estudiantes tornou-o rapidamente numa das grandes promessas do futebol argentino. Disputou três amigáveis em 2018, mas nunca conseguiu afirmar-se definitivamente na seleção. Após a sua experiência europeia, atravessa atualmente um bom momento no Boca.
Rodrigo Battaglia — Boca
Não jogou frente à Guatemala, mas foi titular poucos dias depois contra a Colômbia e também participou no amigável frente ao Brasil. Essa acabou por ser a sua última etapa com a Albiceleste. Atualmente, aos 35 anos, recupera de uma lesão.
Leandro Paredes — Boca
Um dos futebolistas que melhor representa a transformação da seleção durante o ciclo Scaloni. Foi uma peça central desde os primeiros jogos do treinador e chegou a disputar 84 encontros pela Argentina, além de conquistar a Copa América e o Mundial. Atualmente voltou a vestir a camisola do Boca.
Exequiel Palacios — Ipswich
Scaloni chamou-o quando ainda começava a destacar-se no River. Participou nos amigáveis frente à Guatemala e à Colômbia e, depois de ultrapassar algumas lesões, tornou-se presença frequente nas listas. Soma 41 jogos pela Argentina e atualmente joga na Premier League.
Giovani Lo Celso — Real Betis
Foi uma das peças preferidas de Scaloni nos primeiros anos da sua gestão. Formou, juntamente com Paredes e Rodrigo De Paul, um meio-campo que se tornou fundamental. Uma lesão deixou-o fora do Mundial do Catar, mas posteriormente conseguiu disputar o seu primeiro Mundial em 2026. Conta com 68 jogos e cinco golos pela Argentina.
Franco Vázquez — Belgrano
A sua situação foi particular porque anteriormente tinha sido chamado pela Itália. Ao não ficar definitivamente habilitado para a Azzurra, pôde ser chamado pela Argentina. Esteve nas primeiras listas de Scaloni e disputou três jogos, sempre a sair do banco. Atualmente joga no Belgrano, onde acaba de ser campeão do Apertura.
Maximiliano Meza — Independiente
Tinha sido uma das surpresas da lista de Jorge Sampaoli para a Rússia 2018 e continuou a ser opção para Scaloni. Teve um breve regresso à seleção em 2022 e acabou por somar 11 jogos. Atualmente regressou ao Independiente depois da sua passagem pelo River.
Franco Cervi — Rosario Central
Foi um dos nomes que surgiram na renovação inicial de Scaloni. Disputou quatro jogos em 2018 e marcou um golo frente ao Iraque. Essa acabou por ser a sua única etapa com a albiceleste. De regresso ao Rosario Central, ainda não conseguiu afirmar-se como protagonista.
Matías Vargas — Gimnasia de Mendoza
O seu aparecimento no Vélez levou-o rapidamente à seleção. Jogou frente à Guatemala e voltou a ser chamado em 2019 para defrontar o Equador, jogo que acabou por ser a sua última presença pela Argentina. Atualmente joga no Gimnasia de Mendoza.
Gonzalo “Pity” Martínez — Tigre
Tem um lugar especial na história daquela primeira noite: foi titular e marcou o primeiro golo do ciclo Scaloni. As lesões e os seus compromissos com o River limitaram as suas chamadas posteriores. O seu último jogo pela Argentina foi frente à Venezuela em 2019. Atualmente é uma peça importante do Tigre, embora continue a lidar com problemas físicos.
Avançados
Cristian Pavón — Grémio
Em 2018 era um dos extremos mais destacados do futebol argentino e vinha de disputar o Mundial da Rússia. Scaloni utilizou-o nos seus dois primeiros jogos e depois não voltou a ser chamado. Atualmente prossegue a carreira no Brasil.
Ángel Correa — River
Foi presença frequente nas primeiras convocatórias, embora geralmente começasse no banco. Fez parte do plantel campeão da América em 2021 e também do Mundial do Catar, ao qual chegou após a lesão de Joaquín Correa. Com o passar dos anos perdeu espaço nas opções do treinador. Desde que chegou ao River tornou-se uma das figuras do futebol argentino.
Mauro Icardi — Sem clube
O seu grande rendimento no Inter abriu-lhe as portas da seleção, mas nunca conseguiu ter continuidade. Scaloni incluiu-o nas suas primeiras listas e marcou um golo frente ao México, mas depois deixou de ser chamado. No total disputou oito jogos pela Argentina e atualmente encontra-se sem clube.
Giovanni Simeone — Torino
Estreou-se com um golo frente à Guatemala e teve minutos em vários dos amigáveis seguintes. Depois recebeu algumas chamadas pontuais, mas nunca conseguiu afirmar-se como alternativa estável para o lugar de avançado centro. Disputou seis jogos e marcou um golo pela seleção.
Paulo Dybala — Roma
Sempre que as lesões o permitiram, Scaloni contou com ele. No entanto, os problemas físicos condicionaram grande parte do seu percurso na Seleção e deixaram-no fora das duas Copas América conquistadas durante o ciclo. Foi, sim, campeão do mundo no Catar e marcou na Finalíssima frente à Itália. No total soma 40 jogos e quatro golos pela Argentina.
Da primeira lista ao título mundial
A primeira convocatória de Scaloni permite também perceber como foi evoluindo a seleção argentina.
Alguns nomes que pareciam destinados a tornar-se protagonistas ficaram rapidamente fora do projeto. Outros, como Tagliafico, Paredes, Pezzella, Palacios, Lo Celso ou Dybala, atravessaram diferentes fases e conseguiram escrever uma parte importante da história recente da Albiceleste.
E entre todos eles surgiu um treinador que, naquele 7 de setembro de 2018, iniciava um ciclo que acabaria por se tornar um dos mais bem-sucedidos da história do futebol argentino.
