Exclusivo com Thierry Correia: "Sinto que o meu ciclo no Valência chegou ao fim"

Thierry Correia em entrevista exclusiva ao Flashscore
Thierry Correia em entrevista exclusiva ao FlashscoreDAVID ALIAGA / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

Aos 27 anos, Thierry Correia prepara-se para o fim da ligação ao Valência, clube onde viveu tudo: a Liga dos Campeões, a pressão do Mestalla, as críticas, os rótulos e um longo calvário de lesões que o obrigou a reaprender a desfrutar do futebol. Nesta entrevista ao Flashscore, o antigo jogador do Sporting abre o livro e assume o desejo de regressar a Alvalade para cumprir objetivos que ficaram pendentes quando uma proposta para rumar a Espanha, em 2019, o apanhou desprevenido.

Sete anos depois de deixar o futebol português, o lateral formado no Sporting olha para trás sem arrependimentos, mas também sem esconder a sensação de que ainda há muito para provar.

O adeus ao Valência, que o próprio assume sem rodeios, acontece com um sentimento agridoce, mas também com a sensação de dever cumprido. O próximo passo, ainda incerto, surge com a consciência de alguém que deu tudo, por vezes mais do que devia, e que ainda sonha chegar longe num futebol que nem sempre foi amigo, mas ao qual está agradecido.

Thierry Correia esteve quase um ano parado após lesão no joelho
Thierry Correia esteve quase um ano parado após lesão no joelhoDAVID ALIAGA / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP / Opta by Stats Perform

"Há um ambiente tóxico entre os adeptos e a direção do clube"

- Final de mais uma época, manutenção assegurada e quase com regresso à Europa. Terminam com uma vitória frente ao campeão Barcelona. A nível coletivo, que balanço faz de 2025/26?

- Acabámos a época a lutar pela Europa, mas acho que a nível coletivo foi uma época má da nossa parte. Tivemos entrada de novos colegas e não conseguimos ser regulares e demonstrar a qualidade que o plantel tinha. Temos jogadores jovens, alguns mais maduros, com qualidade, e não atingimos o máximo potencial durante a época.

- Não concorda que tenha sido uma época tranquila, então. O objetivo era ir mais além?

- Esse foi o nosso erro desde início. Não tínhamos as coisas bem estipuladas. Houve algum investimento do clube, mas nunca decidimos bem o que queríamos para esta época. Queríamos atingir o máximo de pontos possíveis, ficar o mais acima possível na classificação, mas não tivemos um objetivo claro. Num clube tão grande como o Valência, acho que é algo que devíamos ter estipulado.

- Houve algum momento esta época que considerasse mais difícil e que acabou por definir a época?

- Acho que foi logo no início, no jogo em casa com o Oviedo. Estávamos a ganhar 1-0, falhámos um penálti e eles dão a volta ao resultado. Esse jogo teve bastante impacto no plantel, não só pela derrota mas pelos adeptos. Foi a primeira vez que nos vi a jogar no Mestalla, a ganhar, e as pessoas a assobiarem. Estava a aquecer, podia ser o meu jogo de regresso após a lesão no joelho, e foi estranho ver essa reação do público. Esse jogo deixou marcas. Vínhamos de um empate com o Espanhol, em que eles fazem o golo no último minuto. Acho que esse jogo (com o Oviedo) foi complicado e foi a partir daí que a época começou a ficar instável.

Valência terminou a dois pontos dos lugares europeus
Valência terminou a dois pontos dos lugares europeusFlashscore

- Instável é uma boa palavra para definir o Valência, até na equipa técnica. Na época passada, o Carlos Corberán acabou por fazer uma mudança decisiva na equipa, garantiu a permanência e acabou por ficar para dar essa estabilidade. O que mudou?

- O estado de ânimo que tínhamos. Com o Baraja as coisas não estavam a correr bem e às vezes, com a mudança de ares e método de trabalho, conseguimos mudar a mentalidade. Foi isso que o mister conseguiu fazer. Este ano tivemos mais dificuldades, acho que não atingimos o nosso máximo potencial.

- Faltou consistência de resultados...

- Sim, chegámos a um momento em que perdemos a identidade de jogo, estávamos algo perdidos em alguns jogos e isso foi prejudicial.

- O Valência nos últimos anos tem passado por alguma instabilidade, até mesmo na relação entre os adeptos e a direção: em que ponto está tudo agora? O que falta pelo menos para chegar a um patamar onde estão equipas como o  Villarreal, Betis e Real Sociedad?

- Falta sobretudo essa estabilidade. O Valência é um clube muito instável. Há um ambiente tóxico entre os adeptos e a direção do clube. Esta época passou a ser entre a direção, os jogadores e os adeptos. Querendo ou não, isso é prejudicial. Penso que também temos culpa, os jogadores são as figuras que podem mudar algo e nós não conseguimos.

- Daí aquele exemplo do jogo com o Oviedo, não é? A relação entre os adeptos e os jogadores tem influência.

- Claro. Nós não nos podemos queixar. Todos os jogos em casa, seja em que dia for, temos sempre mais de 40 mil pessoas no estádio. Isso é uma sensação incrível.

"Colocaram-me o rótulo de jogador de cristal"

- E a nível pessoal? Em abril temeu-se que não voltasse a jogar mais esta época. Houve algum trabalho extra para voltar a tempo? Que balanço faz da sua época? 

- Foi uma época muito complicada. Voltei de uma lesão grave no ligamento cruzado e falei sobre isto com o mister. Eu não tive tempo de adaptação. Normalmente, a regressar destas lesões, vamos tendo minutos. Eu entrei dois jogos e ao terceiro fui titular. Para mim foi complicado entrar de repente num ritmo de jogo que eu não tinha. Estive 11 meses lesionado, não fiz pré-época. Depois fui ganhando ritmo, senti-me mais confiante e sem dores no joelho, algo que não estava a acontecer em alguns jogos e treinos, mas quando me estava a sentir bem tive uma lesão no isquiotibial.

Esta época acabei por nunca me sentir confortável fisicamente. Em abril, acabei por me lesionar com o Maiorca. Recorri a um fisioterapeuta fora para estar disponível para os últimos jogos. Queria fechar este ciclo no Valência a jogar.

- Sente que a época para si acabou por nem arrancar, não é?

- Sim, claro. Quando estava a sentir-me estável no joelho, tive a lesão no isquiotibial. Também foi culpa minha. Senti desconforto durante a semana, antes do jogo com o Elche, mas forcei, quis jogar para ajudar a equipa. Achei que não era nada de especial e piorei o desconforto que tinha antes do jogo.

- Teve anos muito marcados por lesões. Vi uma contagem que apontava cerca de 600 dias de baixa por problemas físicos desde que chegou a Valência. Como foi lidando com estas questões?

- Não foi fácil, tive de ter muita força mental. A partir da minha primeira lesão no Valência, colocaram-me o rótulo de jogador de cristal. Querendo ou não, isso mexeu com o meu psicológico. Havia momentos em que não devia jogar, mas devido ao rótulo acabei por forçar. Não soube gerir esta fase. Sinto-me bem quando posso fazer o que mais gosto, que é jogar futebol.

Passagem de Thierry pelo Valência ficou marcada por problemas físicos
Passagem de Thierry pelo Valência ficou marcada por problemas físicosRAFA BABOT / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP

- Queria contrariar esse rótulo e acabava por prejudicar a recuperação.

- Sim. Quando tive a minha primeira lesão, estive quatro meses parado. Quando voltei, estava a jogar e, num lance no treino, o avançado caiu-me em cima do joelho e fiz uma entorse. Faltavam seis semanas para uma potencial final da Taça do Rei, ainda tivemos as meias-finais com o Athletic. A minha lesão era para seis semanas e à quarta já estava jogar. Tentava forçar ao máximo para estar disponível e nem sempre foi a melhor decisão.

- Sei que no início da aventura em Espanha recorreu a um mental coach para o ajudar na adaptação. Durante as fases de paragem, houve alguém que tenha sido determinante para o ajudar a voltar?

- A pessoa principal é a minha mulher, é que me dá mais apoio, bem como a minha família. Quando sinto que não consigo desabafar, recorro ao meu mental coach, o Pedro Seabra, que me ajudou muito.

- Houve alguma altura em que sentiu receio de não jogar mais ou pelo menos voltar ao seu nível? 

- Claro, houve momentos da lesão no joelho que foram bastante complicados. Por mais que estejas rodeado de pessoas, acabas por te sentir sozinho porque elas não sabem bem o que estás a passar ou o que estás a sofrer. No último jogo, o meu colega Diego (López) teve a mesma lesão e quando eu cheguei ao balneário, vi-o de cabeça baixa, perna imobilizada, foi como se tivesse acontecido comigo. Estas situações deixam-me de rastos, só de pensar fico mais em baixo. Antes de ter esta lesão, via que algum jogador tinha uma LCA e ficava 'que mau, agora tem de ficar meses sem jogar futebol'.

- Só via o tempo de paragem e mais nada, não é? Não conhecia o processo.

- Só quem passa por isto é que sabe o quão difícil é superar. Não é um processo nada fácil. Tive sorte no clube. Temos um readaptador, o Jordi, que foi cinco estrelas para mim, ajudou-me bastante. Os fisioterapeutas foram incríveis, mas sou muito grato ao Jordi. Se não fosse ele, não recuperaria a jogar.

- Como é para um jogador de futebol passar por um calvário destes? Ver os colegas e amigos a competir e você a fazer tratamentos ou ginásio?

- É complicado, ainda por cima na fase que o clube estava a passar. Estávamos a lutar para não descer, mas eu estava dentro e ao mesmo tempo de fora. Não podia fazer nada, só tentava trazer boa energia. Estamos a ter uma batalha interna, mas não queremos passar para fora porque queremos ser o apoio dos nossos colegas.

- No passado, numa entrevista, disse "com 20 anos se não desfrutas do futebol, que vais fazer?". Hoje, com 27 anos e depois de todos estes contratempos, sente que desfruta mais agora do que nessa altura?

- Não sei se desfruto mais do futebol, mas desfruto mais do dia-a-dia. Depois da lesão que passei, não dou nada como garantido. Depois de 11 meses sem fazer o que mais quero, estar a jogar e estar com os colegas dentro de campo, passei a desfrutar mais do dia-a-dia.

"Jogar em Valência deve ser das melhores experiências que há"

- Concluiu a 7.ª época de LaLiga, já é um número muito considerável de temporadas. Apesar de todas as dificuldades que fomos falando, ao fim de mais um ano, que balanço faz da sua trajetória em Espanha?

- Foi uma trajetória que não foi fácil. Estar num clube tão grande, com tantas exigências, não é fácil. O Valência é um clube muito grande em Espanha e está numa fase de instabilidade, sempre com caras e treinadores novos. Não é fácil ter regularidade assim. Sinto que o meu melhor momento foi no ano com o Bordalás e depois com o Gattuso, na época a seguir, em que me senti muito bem e acarinhado pelos adeptos, mas sempre com o rótulo de jogador de cristal. Tentei sempre dar o máximo pelo clube.

- Falando do clube e da cidade em si: como é viver em Valência e como é que os adeptos o abordam na rua?

- Viver em Valência, jogar em Valência, deve ser das melhores experiências que há. A cidade é incrível. Os adeptos são muito exigentes, mas na rua são muito queridos, tratam-te super bem, abordam-te sempre da melhor maneira, mesmo nas fases mais complicadas para o clube. Dão sempre uma força quando estás na rua. Só tenho memórias positivas dos anos em Valência.

Números de Thierry no Valência
Números de Thierry no ValênciaFlashscore

- Falando de memórias, há algum jogo que tenha deixado uma marca especial?

- O jogo que ganhámos ao Atlético Madrid em casa, 3-0, foi especial. Nesse ano tínhamos uma equipa muito jovem, tínhamos acabado de vir de uma época em que lutámos para não descer e esse jogo deu-nos muita confiança.

- Após a mudança para o Valência, o Tiago Fernandes, seu treinador na formação do Sporting, tinha elogiado muito a sua capacidade defensiva: hoje, que tipo de jogador é? 

- Sou um jogador forte, rápido, ataco bem e penso que defendo bem, apesar de no início ter cometido dois erros defensivos que me colocaram um rótulo de ser mau a defender, mas considero que sou difícil de bater no um contra um.

- Há algum aspeto que sente que tenha melhorado consideravelmente?

- A minha maturidade defensiva. Na formação não pensamos tanto em detalhes táticos. Na formação, passas mais tempo a atacar. No futebol profissional já não é assim tão desequilibrado.

Thierry em duelo com Ricardo Horta num Sporting - SC Braga
Thierry em duelo com Ricardo Horta num Sporting - SC BragaPEDRO FIUZA / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

"A primeira vez que me disseram Valência, eu disse: ‘Dá-me igual, não quero sair’"

- Sai do Sporting com apenas 7 jogos na equipa principal. Na altura, a saída para o Valência apanhou-o de surpresa? 

- Apanhou muito de surpresa. Tínhamos acabado de jogar com o Rio Ave, tínhamos perdido 2-3, e lembro-me de chegar e os meus pais dizerem 'há possibilidade de saires do Sporting'. Eu disse logo: 'Não quero sair do Sporting. É o meu sonho desde os 9 anos. Agora que estou na equipa principal, não quero sair'. O meu pai confrontou-me e disse-me para pensar bem porque o Sporting tinha acabado de contratar o Rosier e tinha o Ristovski. Eram dois jogadores para uma posição, de plantel principal. O meu pai começou a dizer: 'Tens de pensar bem. Eles estão lesionados, mas vão voltar e és o jogador mais fácil de tirar do 11'. Acabou por ser por aí. A primeira vez que me disseram Valência, eu disse: 'Dá-me igual, não quero sair'. Mas o meu pai falou comigo e mudou a minha perspetiva. 

- Sentiu que a saída era melhor para a sua evolução ou mais uma vontade do Sporting?

- Foi mais o facto de o Valência estar na LaLiga, na Liga dos Campeões, com um bom plantel, o treinador era o Marcelino Toral, que estava a fazer um grande trabalho. Era juntar o útil ao agradável porque o Sporting não estava a atravessar um bom momento e recebeu uma boa quantia (12 milhões de euros) pela minha transferência.

- Já disse que não realizou todos os teus objetivos no Sporting. A nível pessoal, um dos objetivos ainda é voltar? 

- Claro, gostava de voltar a jogar no Sporting. É um sonho meu e da minha família, que é toda sportinguista, até pelos anos que passei na Academia. Sei que é complicado, mas é um sonho meu.

"Quando vi o Bragança no chão, fiquei em lágrimas"

- Nem que seja pela família, continua a acompanhar o Sporting.

- Pela família e pelos amigos. Tenho o Daniel Bragança, que é meu colega desde os 9 anos, ainda a jogar na equipa principal. Ele é um motivo de orgulho para mim e para a minha geração. Dou-me também muito bem com o Trincão, que fez uma grande época.

- Já que fala do Daniel Bragança. Ele também passou por duas lesões complicadas. Foi conversando com ele?

- Sim, mantivemos sempre contacto. Não me esqueço da segunda lesão dele. Eu ainda estava lesionado, era dia de aniversário da minha mulher e quando o vi cair no chão, fiquei em lágrimas. Parou, agarrou-se ao joelho e coisa boa não estava para vir. Ele é um guerreiro, sempre foi e voltou em grande forma.

Thierry num particular entre Sporting e Liverpool
Thierry num particular entre Sporting e LiverpoolČTK / AP / Frank Franklin II

- Já que estamos a falar de Sporting, a posição de lateral direito tem dado que falar, mas sei que em Espanha gostam muito do Fresneda. O que acha dele? 

- Já convivi com ele, quando vim a Lisboa, pela ligação ao Trincão. Enquanto jogador, gosto muito. Acho que temos muitas semelhanças. Somos rápidos, fortes, bons defensivamente e acho que é um lateral que dá muito ao Sporting.

- É subvalorizado em Portugal?

- Isso é normal. Se és um jogador com muito destaque, és sempre valorizado. Se és um jogador que faz um grande jogo e a seguir não mantém o nível, não és tão valorizado. Penso que o Fresneda é um jogador subvalorizado em Portugal e um dos grandes laterais da Liga.

"Temos a melhor seleção do Mundo"

- Já que estamos a falar da realidade portuguesa: vamos estar agora no Mundial, Roberto Martínez leva 4 jogadores que podem ser laterais direitos. Como avalia a profundidade da seleção neste aspeto e o que acha das opções?

- Acho que o selecionador tem muito trabalho. O Cancelo e o Nélson Semedo são referências para mim, desde miúdo. São dois grandes jogadores. O Matheus foi meu colega no Sporting. Nunca esperava que desse lateral, mas está em grande nível. Depois há o Dalot, que foi sempre meu colega de seleção, somos da minha geração. É o 'Bicho'. Fisicamente é sobredotado.

- Era o seu concorrente nas seleções jovens.

- Sim, mas há que ser sincero. Ele era o titular e eu era o suplente, mas dava-lhe bastante trabalho (risos).

Thierry foi 51 vezes internacional pelas seleções jovens de Portugal
Thierry foi 51 vezes internacional pelas seleções jovens de PortugalJOE KLAMAR / AFP

- Esta parece ser a geração mais talentosa que Portugal já teve: acredita que pode mesmo sagrar-se campeão do Mundo?

- Não quero pôr a fasquia muito alta, mas no meu ponto de vista temos a melhor seleção do mundo. Somos a seleção mais equilibrada. Falam da França pelo leque de ataque, mas eu penso que temos os melhores laterais, um dos melhores centrais do mundo, temos o melhor meio-campo do mundo, o guarda-redes está no top mundial. Acho que temos uma seleção muito equilibrada e somos candidatos a chegar longe no Mundial.

- Teve mais de 50 internacionalizações pelas seleções jovens, ainda acredita que pode cumprir o sonho de chegar à principal ou a concorrência está a tornar tudo cada vez mais difícil? Há o Alberto e o Martim Fernandes no FCP, o Tiago Santos no Lille, por exemplo.

- É um sonho que mantenho aberto. Penso que tenho de dar muito mais de mim, sei que o posso fazer. A concorrência é grande e sempre foi, Portugal teve sempre bons jogadores, mas confio nas minhas capacidades.

"O meu ciclo no Valência chegou ao fim"

- Para fecharmos a entrevista, gostava de falar sobre o seu futuro: termina contrato com o Valencia. Já está algo definido com o clube?

- Neste momento, não está nada definido. O clube não falou comigo, eu não falei com o clube, mas acho que o melhor para ambos era que este ciclo terminasse por aqui. Há dois anos queria sair do clube, não surgiu a oportunidade, não me deixaram sair e depois acabei por lesionar-me. Acho que o meu ciclo no Valência chegou ao fim.

- Qual é a sua prioridade?

- Gostaria de ficar em Espanha, mas o futuro está em aberto. Vou reunir com o meu representante e decidir o melhor passo.

- Este verão vai ser encarado como um novo começo para si.

- Sim, tenho de decidir bem para onde vou, mas sinto que não vai ser em Valência. Deixo tudo em aberto. Esta época, quando comecei a jogar, o clube quis falar com o meu representante sobre a minha renovação, mas lesionei-me e o processo ficou em suspenso. No entanto, nunca foi um desejo meu continuar no clube.

- Sente que as pessoas do Valência viram o verdadeiro Thierry?

- Penso que sim. Sempre dei o máximo, exigi o máximo do meu corpo para estar bem. Fui simpático com todas as pessoas, o ser humano que a minha mãe me educou a ser. Estou contente pelo meu trajeto no Valência.

Thierry acaba passagem de sete anos pelo Valência
Thierry acaba passagem de sete anos pelo ValênciaALBERTO GARDIN / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

- E dentro de campo?

- Sim, houve momentos em que sim, viram o verdadeiro Thierry, mas a instabilidade da equipa nunca me ajudou.

- Nesta que é quase uma despedida, o que gostaria de dizer aos adeptos do Valência?

- Quero agradecer a todos os que me apoiaram sempre. O meu ano de adaptação não foi fácil. Assinei com um treinador e no primeiro treino ele já tinha sido despedido. Veio um treinador novo que não apostou em mim, não teve mãos para gerir um miúdo de 20 anos. Depois fui ganhando o meu espaço, respeito no balneário e dos adeptos, mas estes últimos dois anos não foram fáceis, não só pela lesão no joelho, mas também pela forma como fui tratado no clube. É futebol, há que seguir.

- Sai com mágoa ou agradecido?

- Tenho de sair agradecido. O clube deu-me tudo o que tenho até hoje, deu-me o privilégio de jogar no Mestalla, para mim dos melhores estádios em Espanha.

- Estive consigo no início da carreira, ainda no Sporting, em 2019, numa entrevista. Sete anos depois, voltamos a falar. Para finalizar, se tivéssemos novo encontro daqui a 3 anos, o que gostaria de ter para me contar?

- Gostaria de dizer que fui internacional por Portugal, acho que seria um bom tema de conversa, e que consegui atingir o meu máximo num bom clube na Europa. Quero ser um jogador que consegue estar regularmente dentro de campo, fazer assistências, golos e dar alegrias aos adeptos do clube.