Recorde as incidências do encontro
O conjunto blanco viveu várias emoções no regresso ao Bernabéu: de uma primeira parte pouco convincente, que resultou nos assobios dos adeptos, a uma segunda metade que trouxe três golos para os da casa, com Kylian Mbappé como protagonista ao completar um extraordinário hat-trick que arrasou os donostiarras. Estas foram as suas palavras:
Jogo: "A primeira parte foi difícil para nós, no sentido em que não estávamos a encaixar na pressão e a Real Sociedad esteve sem criar e sem ter oportunidades de golo. Penso que o seu golo é o único remate à baliza que fizeram na primeira parte, mas estiveram muito bem organizados. É uma equipa com um treinador muito bom, grandes distâncias entre os seus centrais e muito difícil de pressionar".
Pausa seria útil: "Era um daqueles jogos em que eu comentava no banco que gostaria que tivesse havido a pausa para a água, seria perfeito. No intervalo ajustámos algumas coisas e depois, na segunda parte, foram quatro golos, mas podiam ter sido cinco ou seis. Seria também injusto para uma Real Sociedad que fez uma grande primeira parte e na segunda teve dificuldades óbvias contra uma equipa que tem jogadores como o Kylian, Jude... É muito futebol e muita qualidade. Na segunda parte foi impossível para eles".
De regresso a casa: "O primeiro jogo no Bernabéu foi tranquilo. Já não estou para muitos nervos e tensão antes dos jogos. Gostei muito. Da última vez que vim com o Benfica fiquei a ver o jogo na garagem. Hoje é a primeira vez que estou no novo Bernabéu. Não é algo que me agrade que cantem o meu nome. A equipa é o mais importante e sentir o apoio é o que para mim conta mais. Fico muito contente pelo feeling final dos jogadores de disputar o primeiro jogo em casa, de ganhar bem, de ver os adeptos a ir para casa com um sorriso e amanhã treinar, porque no domingo vem o Málaga”.
Mbappé: "Não gosto de comparar jogadores, mas este rapaz é incrível. Fico muito feliz por ele ter feito história no Mundial porque há 25 jogadores campeões do mundo, mas só um é para a eternidade do futebol: o jogador que tem mais golos no Mundial. Ele fez essa história, mas vejo-o com uma enorme fome de fazer história com o Real Madrid".
O individual e o coletivo: "Apesar de o Kylian ter feito o que fez, é-me difícil não falar da equipa porque foi sempre uma equipa. Na primeira parte, com as dificuldades que tivemos, soube esperar, ter calma, compactar. E depois, na segunda parte, uma mudança de ritmo. Talvez a inspiração de treinar com o barulho dos carros ali em Madrid tenha feito com que acelerasse ainda mais. Gostei muito da segunda parte".
"A exigência vem da história"
Apoio de Kylian ao meio-campo: "Na minha carreira tive a oportunidade de treinar equipas com jogadores incríveis e de treinar jogadores bons, mas não o top do top. Digo sempre que a estes jogadores tens de ensinar a jogar como equipa e muito pouco do ponto de vista individual. E quando a equipa está com dificuldades na construção, o Kylian tem uma qualidade enorme. Não é apenas um jogador para marcar golos ou o típico avançado que espera pelo jogo ofensivo da equipa para marcar. E quando recua, inicia, depois faz uma tabela com o Jude e fica de frente para o golo".
Honras a mais jogadores: "Tem muita qualidade e todos eles a têm. Obviamente o Kylian fez o que fez, mas se for jogador a jogador, os centrais foram muito dominadores e o Bernardo ou o Fede trabalharam de forma incrível. O Jude criou e trabalhou. Gostei muito da segunda parte, mas gostei também da calma perante a dificuldade. Vamos ter muitas dificuldades em muitos jogos e gostei muito da equipa perante a dificuldade".
Assobios dos adeptos: "O Bernabéu já conhecemos, não é? Os jogadores conhecem-no, eu conheço-o. E ainda bem que são assim, porque é consequência da história. A exigência vem da história. O Real Madrid tem sempre grandes jogadores, grandes equipas, as pessoas querem sempre mais e mais e mais. E depois, obviamente, uma coisa é ser adepto e outra é ser jogador ou treinador. Eles podem e pagam para ter as suas emoções de felicidade e de frustração. Nós estamos onde estamos porque temos esta capacidade de estar tranquilos perante a dificuldade. Muitas vezes as equipas top não conseguem".
Atitude do público: "Os assobios e os aplausos no fim têm algo de justiça. As pessoas estavam frustradas. Quando estão frustradas, uns quantos assobios não fazem mal a ninguém, também te ajudam a crescer. Mas há jogos que se vão ganhar com dificuldades. As equipas espanholas jogam bem, têm treinadores e jogadores bons, e gostam muito de ter a bola. Não têm medo de jogar contra as grandes equipas. Noutros campeonatos, contra os grandes não se joga, defende-se. E tanto o Espanyol como a Real tentaram fazer o seu jogo e tentaram ganhar. Isto também é de valorizar".
Evolução: "A equipa está a saber crescer mental, emocionalmente e como equipa. E penso que no fim conseguimos o que queríamos, que eram os três pontos, e que as pessoas no final saiam com uma ideia do que podemos fazer e do que vamos fazer muitas vezes, que é ganhar três, quatro, cinco... Estava-nos a custar perceber dentro de campo as referências de pressão. Quando não podes pressionar, esperas. E esperámos compactos, eles com mais bola. Ao intervalo mexemos em duas, três peças, e jogo resolvido. Os jogadores resolveram o jogo".
Nota ao seu trabalho: "Não sou eu quem devo avaliar-me publicamente. Dou sempre o máximo. Depois, se é suficiente ou não, serão vocês, serão os resultados ou serão os adeptos que têm de o avaliar. Estou contente com o que estamos a fazer, com uma pré-época atípica e difícil, em que há jogadores que têm 39 treinos e outros que têm seis ou sete, como o Jude, o Cucurella ou o Diomandé. Não é fácil fazer crescer a equipa mais do que aquilo que estamos a fazer. Este início de época é difícil, mas não estamos a fazer mal. E no fim vivemos de pontos e, para já, seis em seis".
A substituição de Vinicius
Mbappé vai chegar aos 60 golos?: "É um jogador absolutamente incrível. Depois, se são 60 ou 50 ou 40, já não posso dizer. Prefiro 40 com títulos do que 60 sem títulos, ou 40 com muito trabalho para a equipa do que 60 só a pensar em si próprio, como acontece muitas vezes com os avançados. Estou muito contente com ele. Do ponto de vista técnico, obviamente não há nada a dizer, mas em fazer crescer o grupo, em assumir as suas responsabilidades, em trabalhar… Chegou dois dias antes e isso é positivo. Deixei-o os 90 minutos à espera que talvez fizesse um quarto golo".

Alteração no lateral: "Não gosto que os jogadores aqueçam ao intervalo, quero todos dentro do balneário porque a informação é para os que estão a jogar e para os que eventualmente vão jogar mais tarde. Os meus preparadores físicos já sabem que tem de aquecer gente ao minuto 35 e eu já tinha decidido trocar o Carreras pelo Cucurella por causa do cartão amarelo. Jogar amarelado 90' é uma situação de risco contra o Kubo, que é um miúdo que tem bom um contra um".
O mais negativo: "Gostei de tudo e de ver uma equipa em dificuldade, porque os jogadores estavam preparados para outra coisa. Complicou-nos o posicionamento, a distância entre os centrais, o Oyarzabal recuava muito… e nós em campo estávamos um pouco indecisos. Quando tens dúvidas tens de estar tranquilo, que vamos acabar por ganhar o jogo. Gostei de tudo".
A saída do Vinicius: "Falamos a mesma língua e assim é mais fácil brincar. Eu nunca teria tirado o Vini Jr. sem o golo e sem o feeling positivo de jogar bem na segunda parte. Troquei-o porque também precisa de descansar um pouco e há jogo dentro de três dias. Achei que seria bom para ele sentir o carinho das pessoas, já que na época passada recebeu por vezes uns quantos assobios".
