Há duas épocas, o Atlético de Madrid anunciou a contratação de um Julián Álvarez que saiu do Manchester City para recuperar o protagonismo perdido no Etihad. Bem, protagonismo perdido é como quem diz: Julián era um suplente de luxo. Em 103 jogos, marcou 36 golos e fez 18 assistências. Para um médio-ofensivo, que ainda por cima entrou a partir do banco na maioria dos encontros em que participou, os seus números foram mais do que positivos. A questão é que no City, nessa altura, Grealish ou Mahrez ocupavam uma ala, Foden a outra e Haaland estava na frente.
A sua transferência rondou os 75 milhões de euros, mais 20 em variáveis e objetivos.
Os títulos, os números e a bomba
No Atleti, em termos estatísticos, os seus números são melhores do que na Premier: 104 jogos, 49 golos e 18 assistências. O problema já não está na sua importância ou no seu papel de goleador. Agora, a insatisfação que circula em torno de Julián Álvarez está relacionada com um problema de maior dimensão para os colchoneros: conquistar títulos.
O Atleti não vence um título desde 2021. Esteve perto na época passada, quando perdeu a final da Taça do Rei nos penáltis. Chegou às meias-finais da Champions. Perdeu com o Arsenal numa eliminatória desastrosa, sem brilho, em que o Arsenal dominou do início ao fim nos dois jogos.
Julián esteve lá.
Foi titular. Foi importante. No fundo, era isso que queria, não?
Os títulos no Etihad não foram problema: Premier League (x2), Liga dos Campeões, Supertaça Europeia, Taça de Inglaterra. Mundial de Clubes. No Atleti, enfim, repito. Sinto que tanto o seu círculo como ele próprio estavam conscientes do que aí vinha.
A questão não é desvalorizar o Atleti. Pelo contrário. O Atleti deu-lhe o que pediu. Protagonismo, ritmo, titularidade indiscutível – mesmo em alguns períodos de três meses ou dois sem marcar. Na verdade, se analisarmos a situação com atenção, foi Julián quem fez explodir a bomba-relógio com as suas declarações no Mundial.
Pedir para sair para um rival direto é complicado. Ainda mais depois da experiência de Luis Suárez, que conquistou uma Liga pelo Atleti depois de ter sido descartado pelo Barcelona.
É compreensível a postura da direção rojiblanca. Se um clube espanhol quiser Julián: cláusula.
O que é difícil de perceber é a atitude do avançado. Queres conquistar títulos? Muito bem, luta com o Atleti. Procura uma saída para a Premier, para um clube que possa pagar os 150 milhões que o clube exige, no mínimo, ou então cumpre o teu contrato e espera.
Os assobios e o descontentamento da bancada rojiblanca são compreensíveis.
Os desejos e a atitude de Julián... Deixam muito a desejar.

