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Houve uma altura em que Marcelo Gallardo era aguardado com grande expectativa no Velho Continente após uma série de sucessos ao serviço do River Plate (duas Libertadores em três finais, uma Sul-Americana e um título de campeão argentino, entre outros). O Mónaco parecia o destino ideal, já que o Muñeco tinha conquistado o título e foi eleito o melhor jogador da época no ano 2000. No entanto, nunca deu esse passo, preferindo o Al-Ittihad em 2023 antes de regressar ao River no ano seguinte.
Filipe Luís não teve essas hesitações. Depois de terminar a carreira no Flamengo em 2023, sentou-se no banco do Fla poucos meses depois. Em 2025, assinou um póquer impressionante: campeonato carioca, Supertaça do Brasil, Brasileirão e Libertadores frente ao Palmeiras.
Três meses após deixar o Mengão, o antigo lateral do Atlético de Madrid chegou ao Principado, trazendo consigo uma reputação brilhante. Após uma época complicada, marcada pela saída, provavelmente precipitada, de Adi Hütter e pela passagem muito discreta de Sébastien Pocognoli, o Mónaco quer recomeçar. A participação na Liga Conferência pode servir de laboratório para os jogadores da Ligue 1 e, para já, tudo está a correr bem.
Três jogos, três vitórias e a liderança isolada: o arranque do treinador brasileiro não podia ser melhor. E isto num calendário nada fácil, com uma deslocação traiçoeira a Le Havre seguida de dois duelos frente ao Marselha e ao PSG no Parque dos Príncipes. Sólido atrás, com um Lukas Hradecky em grande forma, eficaz na frente com um golaço de Stanis Idumbo a selar a vitória, o clube do Principado fez tropeçar o bicampeão europeu, que ainda não está totalmente afinado.
Contra o OM e o PSG, o Mónaco cedeu a posse ao adversário (35% e depois 32%) para atacar melhor em contra-ataque. Se a vitória frente aos olímpicos foi indiscutível pela diferença de nível, a conseguida diante dos parisienses foi vista como um pequeno golpe de sorte, com dois golos nos únicos dois remates enquadrados do encontro.

A compacidade do bloco já deu frutos, com um duplo pivô recuado enquanto os laterais sobem muito, ao ponto de quase formarem uma linha de... seis jogadores posicionados entre o meio-campo e os primeiros metros do terreno adversário.
Esta "fronteira" foi ainda mais subida do que frente ao OM, com Eric Dier (15) atrás de cinco jogadores no meio-campo monegasco, e o duplo pivô reforçado pela subida de Sadibou Sané.
Pôr ordem, devolver estrutura: as primeiras tarefas pedidas pelos dirigentes monegascos já estão bastante avançadas e o mercado até foi favorável, já que Lamine Camara e Folarin Balogun acabaram por ficar. A temida debandada de jogadores não aconteceu e, embora uma grande venda fosse desejável para maior conforto financeiro, é evidente que, a nível desportivo, o ASM pode ambicionar o pódio na Ligue 1.
Este sábado (16:15), o Estrasburgo completará este triplo desafio especialmente exigente. Depois de um desaire no Vélodrome (0-4), os alsacianos deram a volta frente ao Lens (2-1) e depois golearam o Troyes (6-2). Irá o Mónaco manter esta abordagem, esperando, fechando espaços e saindo em contra-ataque? Neste momento, os resultados valem mais do que o estilo. É assim que se constrói a confiança e Filipe Luís percebeu-o perfeitamente.
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