Fiorentina 2-1 Crystal Palace

Apesar da derrota por 1-2 na segunda mão dos quartos de final da Liga Conferência, naquela que é a primeira participação do Crystal Palace numa grande competição da UEFA, os eagles estão nas meias-finais, após terem eliminado a Fiorentina por 4-2 no agregado das duas mãos.
Com o Palace a ter na bagagem uma vantagem de três golos, a responsabilidade recaía sobre a Fiorentina e a tarefa dos italianos sofreu um duro golpe logo nos primeiros minutos. Os forasteiros não se contentaram e ampliaram a vantagem na eliminatória quando Daniel Muñoz avançou pela direita e gizou um cruzamento perfeito para Ismaïla Sarr, que cabeceou para colocar os londrinos em vantagem.
A equipa viola teve sorte em não ficar a perder por dois golos quando Sarr avançou em direção à baliza, mas desta vez viu o remate que desferiu ser defendido pelas pernas de David de Gea. Os anfitriões ganharam uma nova vida a meio da primeira parte, altura em que uma entrada desajeitada de Jaydee Canvot sobre Rolando Mandragora foi punida com a marcação de uma grande penalidade. Após uma longa pausa antes da cobrança do castigo máximo, para permitir que Adam Wharton saísse a coxear, Albert Guðmundsson enganou Dean Henderson da marca dos 11 metros, dando à Fiorentina a ténue esperança de uma reviravolta.
Outro golo da equipa da casa antes do intervalo teria, certamente, tornado a segunda parte interessante e Manor Solomon esteve perto de marcar, rematou de longa distância e obrigou Henderson a fazer uma bela defesa com uma mão. Era provável que fosse necessário algo especial para colocar a Fiorentina de volta no jogo e na eliminatória e Cher Ndour, que entrou no intervalo, encontrou exatamente isso dez minutos após o reinício. O tiro do antigo jogador de Benfica e SC Braga foi rasteiro e certeiro.
Os homens de Paolo Vanoli continuaram a pressionar na busca por mais um golo, com Guðmundsson e Harrison a testarem os reflexos do guarda-redes inglês. No entanto, algumas substituições do treinador da Fiorentina, que fizeram com que saíssem de cena os dois avançados mais inspirados dos da casa em campo, Guðmundsson e Solomon, travaram um pouco o ímpeto da equipa. O instinto de sobrevivência do Palace entrou em ação nos minutos finais, com a equipa a dar tudo para manter o opositor afastado da área e, dessa forma, garantir um lugar nas meias-finais, onde terá à espera um confronto com o Shakhtar Donetsk. Nem mesmo uma exibição animada foi suficiente para que a Fiorentina garantisse a quarta participação consecutiva nas meias-finais desta competição.

AEK Atenas 3-1 Rayo Vallecano

A única vez em que o AEK conseguiu anular uma desvantagem de 0-3 na primeira mão de uma eliminatória europeia foi diante do Queen's Park Rangers, equipa onde jogavam nomes como Gerry Francis e Stan Bowles. No entanto, com um ambiente ensurdecedor nas bancadas, os adeptos gregos voltaram a sonhar com 1977 após uma primeira parte extraordinária. Contudo, o desfecho poderia ter sido bem diferente se Andrei Ratiu, do Rayo Vallecano, tivesse aproveitado a oportunidade ao quinto minuto, mas o romeno, de maneira incrível, atirou ao lado a escassos metros da baliza, quando tinha tudo para marcar.
Mais do que um simples adiar daquilo que parecia inevitável, a ocasião desperdiçada por Ratiu acabou por ser o ponto de partida para uma recuperação notável. Aos 11 minutos, Zini inaugurou o marcador com um remate fulminante, aproveitando-se da superioridade física sobre o médio do Rayo, Pathe Ciss, após um lançamento lateral longo para a área.
Cerca de 20 minutos depois, Ratiu voltou a comprometer, desta vez ao derrubar Aboubakary Koita na grande área, após uma excelente jogada individual do mauritano. O capitão do AEK, Razvan Marin, converteu a grande penalidade e reduziu a desvantagem para um golo, e o romeno esteve perto de consumar a reviravolta mesmo antes do intervalo, mas o potente remate de longa distância que fez foi desviado por cima pelo guarda-redes do Rayo, Augusto Batalla.
O intervalo não trouxe alívio para a equipa espanhola, visivelmente abalada, e, seis minutos após o reatamento, Zini voltou a destacar-se ao corresponder a um cruzamento de Dereck Kutesa, cabeceando de forma subtil para o fundo das redes, sem hipótese para Batalla.
Sem grande capacidade ofensiva até então, poucos acreditariam que o Rayo pudesse marcar, mas menos de dez minutos depois de perder a vantagem na eliminatória, os espanhóis voltaram a estar por cima no agregado. Isi Palazon encontrou espaço para entrar na área do AEK e, com um remate de grande classe, devolveu o controlo da eliminatória aos espanhóis.
Numa noite de emoções fortes, o momento em que os gregos estiveram mais perto de igualar a eliminatória aconteceu aos 66 minutos. Pacha Espino não foi lesto a tirar a bola da área, permitindo que Lazaros Rota recuperasse a posse e cruzasse rasteiro para a pequena área, onde Zini não conseguiu ajustar os pés e falhou o desvio final a dois metros da linha de golo.
Esse seria o último momento de esperança para os gregos, numa noite em que a sua impressionante recuperação ficou aquém, permitindo ao Rayo alcançar, pela primeira vez, as meias-finais de uma competição europeia.

Estrasburgo 4-0 Mainz

Noite histórica para o Estrasburgo? Nunca, desde a sua fundação, a equipa da Alsácia tinha chegado ao lote dos quatro melhores numa competição europeia. Mas para alcançar este feito na Liga Conferência, era preciso dar a volta a uma equipa do Mainz que chegou à Meinau com dois golos de vantagem, fruto de uma primeira mão bem conseguida.O Estrasburgo não escondia as suas ambições, avançava rapidamente no terreno, mas esteve perto de se autossabotar quando Ismaël Doukouré desviou ao lado o primeiro cruzamento alemão. O início do encontro foi muito disputado, com muitas faltas e paragens, atingindo o auge quando a boca de Diego Moreira acertou no cotovelo de Dominik Kohr, que bem mereceu o cartão amarelo.
Isso não impediu Moreira de quase incendiar a Meinau com um remate acrobático espetacular, desviado para canto. Logo a seguir, o Estrasburgo encontrou finalmente o caminho do golo quando Ben Chilwell fez um cruzamento inteligente para Sebastian Nanasi, que fez metade do trabalho. O cartão vermelho que ficou por mostrar acabou por beneficiar os alsacianos.
E não era exagero: os franceses apresentavam um futebol refinado, de primeira, perante uma defesa completamente perdida. E numa jogada de altíssimo nível, Julio Enciso colocou a bola na cabeça de Abdoul Ouattara, que restabeleceu a igualdade na eliminatória aos 35'.
Era fundamental marcar antes do intervalo e Ouattara, com mais um remate acrobático, esteve muito perto de o conseguir. Depois foi Enciso a desperdiçar um duelo frente ao guarda-redes e, ao intervalo, apesar do 2-0, o Estrasburgo podia lamentar algumas oportunidades perdidas.
Como se temia, o intervalo fez bem ao Mainz, que regressou mais agressivo e começou a aparecer com perigo na área do Estrasburgo. O jogo equilibrou-se, o Estrasburgo manteve as suas intenções e acabou por forçar os alemães ao erro. Kohr derrubou Barco na área, mas Emmanuel Emegha, que ainda não tinha marcado desde que regressou de lesão, continuou em branco ao desperdiçar o penálti de forma incrível ao minuto 66.
Felizmente, isso não teve consequências. Três minutos depois, Martial Godo fez um verdadeiro festival no coração da área e ofereceu o golo de bandeja a Julio Enciso, que não desperdiçou a oportunidade de incendiar a Meinau…
… que explodiu de vez aos 74 minutos, quando Emmanuel Emegha redimiu-se do erro anterior ao aparecer na cara do golo após uma jogada brilhante de Julio Enciso, que deixou a defesa completamente perdida. Já não restavam dúvidas: o Estrasburgo estava apurado.
O Mainz desmoronou-se e tentava, sem sucesso, recompor-se. Era demasiado pouco e demasiado tarde: os visitantes esperavam, certamente, tirar mais partido da vantagem inicial, mas nunca conseguiram impor-se, foram completamente dominados por uma equipa superior, pelo menos esta noite. O Estrasburgo vence por 4-0 e faz história: será a primeira meia-final europeia do clube. Uma exibição notável de uma grande equipa. Que poderá não ficar por aqui…

