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Adeus, 4x3x3? Como poderá ser o Portugal de Jorge Jesus

Jorge Jesus traz mudança para Portugal
Jorge Jesus traz mudança para PortugalJosé Sena Goulão/LUSA

Imposto por Scolari em 2004, modificado por Fernando Santos em 2016 e aposta de Roberto Martínez em 2024, o 4x3x3 tornou-se uma matriz de Portugal. Contudo, a chegada de Jorge Jesus pode motivar uma mudança.

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Pensar na seleção nacional durante o século XXI é pensar num 4x3x3, com um meio-campo a segurar a criatividade dos extremos pelas faixas. Foi assim que Portugal se apresentou durante grande parte deste século, num sistema que sobreviveu a cinco treinadores.

A única grande alteração resultou na maior conquista da história da seleção, quando Fernando Santos apostou num 4x4x2, com Cristiano Ronaldo e Nani na frente, para colmatar aquilo que sentiu ser a falta de um avançado de calibre. No entanto, não veio para ficar e, em 2018, o trio no meio-campo voltou e assim permaneceu com Roberto Martínez.

O 4x4x2 de Portugal na final do Euro-2026
O 4x4x2 de Portugal na final do Euro-2026Flashscore

Ideias fixas

A chegada de Jorge Jesus, contudo, parece indicar uma rutura definitiva com o 4x3x3 para um 4x4x2 que tanto sucesso trouxe ao experiente treinador. Com um médio mais posicional e um avançado mais de ligação, o famoso 9,5, Jesus atingiu o sucesso no Benfica, Flamengo, Al Hilal, Al Nassr e catapultou o Sporting para o topo.

Uma ideia bem vincada, que o próprio anunciou que não vai mudar: “Dentro da minha ideia de jogo, normalmente existe mais um segundo avançado do que um terceiro médio. Foi por isso que convoquei alguns jogadores que podem desempenhar essa posição, além do João Félix, como o Bruno Fernandes, o Trincão ou o Rafael Leão (...). As minhas equipas têm um médio mais posicional, com conhecimento do jogo nas duas fases. São jogadores que têm muita responsabilidade tática dentro daquilo que penso para a equipa"

A nova configuração de Portugal
A nova configuração de PortugalFlashscore

João Félix e o médio mais posicional

Olhando para a convocatória e para as declarações de Jorge Jesus, parece ponto assente que o novo selecionador pretende utilizar um médio mais posicional e o tal 9,5. E as peças aqui estão perfeitamente identificadas.

João Félix distinguiu-se no Benfica exatamente nessa posição de 9,5 – com Bruno Lage – e foi assim que Jorge Jesus o utilizou no Al Nassr. Desta forma, surge como o principal candidato de apoio ao avançado, tanto que foi o primeiro nomeado pelo selecionador, que apontou Bruno Fernandes, Francisco Trincão ou Rafael Leão como alternativa.

As diferenças entre João Félix e Bruno Fernandes
As diferenças entre João Félix e Bruno FernandesFlashscore

Como médio mais posicional, Jorge Jesus convocou dois perfis diferentes, sendo que já utilizou ambos ao longo da carreira. Rúben Neves é mais polido com bola e foi um dos esteios do atual selecionador no Al Nassr, enquanto João Palhinha é um recuperador de bolas puro, que teve dificuldades de afirmação no Sporting de Jesus – afinal de contas, levou o "guião errado" para o Dragão – mas é hoje um dos melhores jogadores portugueses para essa função. Uma luta que deverá ser decidida mediante cada jogo.

A comparação entre Rúben Neves e João Palhinha esta época
A comparação entre Rúben Neves e João Palhinha esta épocaOpta by Stats Perform

Fartura no meio-campo

A nova configuração tática da equipa levanta uma questão no meio-campo. Se colocarmos João Palhinha e Rúben Neves como médios mais posicionais, Bruno Fernandes a concorrer com João Félix para 9,5, sobram três jogadores de classe mundial para um único lugar.

Vitinha, João Neves e Bernardo Silva atuam em clubes de topo, mas neste momento só um deverá ter o lugar garantido no onze de Jorge Jesus. Mais uma decisão que deverá ser tomada jogo a jogo.

Afinal, é aquilo que os treinadores consideram uma boa dor de cabeça.

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