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Exclusivo com Nihat Kahveci: "Não pensei que Montella fosse continuar como selecionador da Turquia"

Nihat em 2003 com a Real Sociedad
Nihat em 2003 com a Real SociedadRAFA RIVAS / AFP

Nihat Kahveci fez parte da histórica campanha da Turquia no Mundial de 2002, que terminou com o terceiro lugar. Antigo jogador ofensivo, capaz de atuar no centro ou nas alas, o homem com 69 internacionalizações e 19 golos pela seleção nacional também deixou a sua marca em Espanha ao serviço da Real Sociedad e do Villarreal, onde terminou como vice-campeão da LaLiga. Antes do Turquia-França, partilhou com a Flashscore as suas opiniões sobre Arda Guler, Arda Turan e, claro, a estreia de Zinedine Zidane como selecionador dos Les Bleus.

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- Antes de falarmos sobre o Turquia - França, voltemos ao Mundial, que para vocês terminou na fase de grupos. Isso foi inesperado depois de terem chegado aos quartos de final do Europeu dois anos antes?

Depois de um Mundial tão desastroso, que nenhum de nós esperava, o Vincenzo Montella acabou por continuar. Para mim, foi uma surpresa – não pensei que fosse continuar, mas por agora, ele ainda é o nosso selecionador nacional e temos de o apoiar nos próximos jogos contra a França, Bélgica e Itália.

- Porque foi uma surpresa ele ter ficado?

A nova geração de jogadores turcos tem muito talento de topo, é a verdade. Conseguiram jogar no estrangeiro e agora estão em grandes equipas internacionais ou nos principais clubes turcos. O problema não é individual, porque a Turquia sempre teve jogadores com potencial comprovado, mas não jogamos o suficiente como equipa. Se conseguirmos melhorar tanto defensivamente como ofensivamente, podemos vencer qualquer adversário. Por outro lado, a nossa inconsistência faz-nos perder demasiado: ou jogamos muito bem, ou jogamos muito mal. É isso que temos de controlar melhor para evitar esta instabilidade.

Montella continua selecionador da Turquia apesar de um Mundial dececionante
Montella continua selecionador da Turquia apesar de um Mundial dececionanteAA/ABACA / Abaca Press / Profimedia

- Kenan Yildiz está lesionado, mas Arda Guler atravessa um grande momento. Cabe-lhe a ele assumir o comando da equipa?

O Arda Guler é um jogador impressionante, um talento de classe mundial. Joga no Real Madrid e todos podemos ver que é dos melhores na sua posição. É o nosso líder e, apesar de ser muito jovem, já ganhou muita experiência. Gosta de assumir responsabilidades, e isso é algo que admiro muito nele. Por isso espero ainda mais dele, porque é um capitão, a nossa estrela, e prevejo-lhe um futuro brilhante.

Arda Guler durante o treino da Turquia
Arda Guler durante o treino da TurquiaAA/ABACA / Abaca Press / Profimedia

- O Arda Turan foi uma grande figura do futebol turco em campo e está agora a tornar-se uma como treinador. Podemos prever-lhe um futuro à semelhança do Fatih Terim?

Joguei na seleção com o Arda Turan e posso dizer que sempre teve muito carácter. Continua a demonstrá-lo. A sua carreira de treinador está a começar muito bem. Tornar-se um novo Fatih Terim é muito difícil, mas o Arda está a mostrar que vai tornar-se um grande treinador. E um dia, vai comandar a Turquia.

- A grande novidade na seleção francesa é o Zinedine Zidane. Defrontou-o na LaLiga. O que espera dele como selecionador dos Les Bleus?

Joguei contra o Zidane e... ele era um fenómeno! Aliás, ainda é, e estou convencido de que os seus jogadores vão estar extremamente motivados com ele, por tudo o que representa como jogador e agora como treinador. A seleção francesa vai mudar muito com o Zidane. Já é uma grande equipa, mas pode tornar-se ainda melhor com ele. Tenho a certeza de que os adeptos vão adorar vê-los com ele... mas espero que isso aconteça depois deste jogo contra a Turquia (risos). Estou um pouco preocupado com este primeiro jogo com o Zidane porque os franceses vão estar ainda mais motivados, mas quero que a Turquia vença!

- A propósito da LaLiga, fez parte de equipas verdadeiramente memoráveis!

Quando joguei em Espanha, tive a sorte de jogar ao lado de nomes como Xabi Alonso, Darko Kovacevic, Valeri Karpin, Robert Pires, Marcos Senna, Cani, Joan Capdevila, Diego Godin... Passei lá oito épocas fantásticas. Fomos vice-campeões da LaLiga tanto com a Real Sociedad como com o Villarreal, e isso não é nada fácil. Marquei muitos golos, e todos esses grandes jogadores ajudaram-me a consegui-lo. São momentos inesquecíveis para mim.

- Por fim, qual é o seu prognóstico para o Turquia-França?

A França é favorita, mas jogamos em casa, com os nossos adeptos. Se defendermos bem, porque não marcar um ou dois golos? Afinal, já vencemos há alguns anos. Vai ser um jogo muito difícil, mas espero que possamos desfrutar a vê-lo. Vai ser complicado, não vou fazer prognósticos, mas só pelo ambiente, vai ser espetacular. E que vença a melhor equipa... especialmente se for a Turquia!

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