O futebol português é feito de tribalismos, a noção de dois polos opostos está sempre presente numa ideia quase bélica, ainda mais quando o assunto se trata do melhor jogador português de todos os tempos. E após um arranque perfeito de Jorge Jesus no comando de Portugal, o país aparece dividido em duas trincheiras por um “mal-entendido”.
O preâmbulo parece obrigatório, uma espécie de salvaguarda: Cristiano Ronaldo é o melhor jogador português de sempre, um dos melhores de todos os tempos deste desporto. Um facto atestado por 234 internacionalizações, 136 golos, um Europeu e duas Liga das Nações.

Outro facto é que o capitão da seleção portuguesa, aquele que consideraram “símbolo maior de portugalidade” decidiu abandonar a concentração de seleção na véspera de um jogo oficial, enquanto os colegas se treinavam, alegadamente por desagrado pela conferência de imprensa do selecionador nacional. A verdade ser-nos-á explicada depois, ficou a promessa enquanto se acompanhava um avião particular a caminho de Copenhaga.
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Aquele para quem os jovens olham como um exemplo, a quem temos de prestar uma vénia, decidiu desertar quando se viu perante um problema. Mais do que discutir culpados ou inocentes desta história, é a ação que marca e o rumo que se decidiu tomar.
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Tratar este episódio como um “mal-entendido”, abrir as portas a quem se serviu delas para fugir pela calada, e falar numa reconciliação sem qualquer consequência – Ricardo Carvalho teve de esperar por uma mudança de selecionador para regressar – é de facto um mal-entendido entre o significado de gratidão e subserviência.
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Portugal pode, e deve, estar grato a Cristiano Ronaldo, efetivamente o nome maior do futebol português, mas não lhe pode ser subserviente. A seleção já existia sem o capitão e vai continuar a existir sem ele, à semelhança do que aconteceu com Eusébio e Luís Figo.
A prova disso? Três vitórias contra dois adversários complicados e três exibições positivas na Liga das Nações. Atirar este registo para o lado, na esperança de dar uma despedida digna num jogo oficial a quem merece, mas que tomou a decisão - justificada ou não - de a dispensar é colocar em causa um futuro que vai ter de existir sem Cristiano Ronaldo.
Tudo sobre o caso Cristiano Ronaldo
Cristiano Ronaldo abandonou a 30 de setembro o estágio da seleção portuguesa, na véspera do jogo com a Dinamarca, para a Liga das Nações. "A seu tempo, direi a verdade a todos os portugueses", prometeu o avançado de 41 anos, depois da bomba que caiu sobre o futebol português.
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