Em comunicado, a APAF classificou o episódio como um ato de "extrema gravidade" e um "ataque intolerável" à integridade física dos árbitros, lamentando que o comportamento tenha partido de alguém com responsabilidades dirigentes.
A associação exige uma atuação célere e rigorosa das entidades competentes, defendendo a aplicação de sanções exemplares. Aproveitou ainda para reforçar duas propostas que considera fundamentais no combate à violência no futebol: a implementação de sistemas de videovigilância nos recintos desportivos e a equiparação dos árbitros a agentes de autoridade, exclusivamente para efeitos criminais em situações de violência.
Leia o comunicado na íntegra:
A APAF – Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol manifesta o seu mais veemente repúdio pela agressão de uma dirigente do Racing Power à quarta árbitra do encontro Vitória SC-Racing Power, do Campeonato Nacional de Futebol Feminino.
Estamos perante um episódio de extrema gravidade, que constitui um ataque intolerável à integridade física de quem tem a responsabilidade de garantir o cumprimento das Leis do Jogo.
Este tipo de comportamento tem contornos ainda mais graves, quando partem de quem exerce funções de responsabilidade e de quem deveria ser o primeiro a dar o exemplo de respeito, disciplina e fair play.
Este episódio, que em nada dignifica as competições, ganhou dimensão nacional porque o jogo teve transmissão televisiva. Este facto permite-nos obter uma prova cabal da existência de incidentes que comprometem o esforço coletivo de valorização da modalidade e dos seus intervenientes.
A APAF exige que as entidades competentes atuem com a máxima celeridade, firmeza e rigor no apuramento de todos os factos e na aplicação de sanções disciplinares exemplares, proporcionais à gravidade dos atos e verdadeiramente dissuasoras de futuros comportamentos violentos.
Este episódio reforça a importância e a urgência na concretização das propostas que a APAF tem vindo a apresentar junto das entidades responsáveis, nomeadamente:
i) a implementação de sistemas de videovigilância nos recintos desportivos, dentro do enquadramento legal aplicável, enquanto instrumento de prevenção, identificação de comportamentos violentos e proteção dos agentes desportivos.
ii) a equiparação da figura do agente de arbitragem ao estatuto de agente de autoridade, só e apenas, para efeitos criminais quando estiverem em causa incidentes de violência.
A segurança de todos os intervenientes não pode depender da gravidade do próximo incidente. A prevenção tem de ser uma prioridade e a responsabilização uma consequência efetiva.
A APAF continuará a defender a integridade física e moral dos árbitros, não aceitando que a violência seja normalizada dentro ou fora das quatro linhas.
O respeito não é uma opção, é uma obrigação.
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