Não contabilizando os jogos da primeira fase da zona Sul de 2020/21 e 2021/22, que apuravam os quatro primeiros para a fase de Apuramento de Campeão, as encarnadas ganharam 98 jogos, de um total de 110, quando faltam duas rondas para completar 2025/26.
As leoas foram, de facto, o único problema para as águias, com mostram os números do confronto direto, com as benfiquistas a prevalecerem apenas por uma vitória (cinco contra quatro, em 11 jogos) e três golos (15-12).
Foi ainda assim face ao Sporting que o Benfica selou os dois primeiros cetros deste ciclo, primeiro, em 2020/21 com um triunfo em Alvalade por 3-0, na última jornada, uma verdadeira final, e em 2021/22 com uma vitória na Luz por 3-1, na antepenúltima.
Tirando os jogos com a formação leonina, que vai ser esta época vice-campeã pela sexta vez consecutiva pois voltou a falhar mais vezes nos jogos teoricamente menos complicados, o Benfica quase não deu hipóteses, estando invicto nos 99 encontros disputados, com 93 triunfos (93,9%) e seis empates.

As igualdades foram cedidas face a Famalicão (2-2), em 2021/22, já campeãs, Racing Power (1-1) e Damaiense (1-1), ambas em 2023/24, e Torreense (1-1), em 2024/25, sempre fora, e Racing Power (0-0) e Valadares Gaia (2-2), ambos em casa em 2025/26.
Bem ou mal, o Benfica foi sempre muito difícil de bater, sendo que segue invicto no campeonato desde em 14 de abril de 2024, há mais de dois anos, perdeu fora com o Sporting por 3-1 – seguiram-se 41 jogos, com 36 vitórias e cinco empates.
A história do penta começou em 2020/21, depois de o campeonato de 2019/20 não ter chegado ao fim, culpa da pandemia de covid-19, numa altura em que o Benfica, proveniente da II Divisão, que dominou em 2018/19 com números absurdos, liderava, ainda que com os mesmos pontos do Sporting.
No ano seguinte, a prova voltou, então ainda com uma primeira fase por zonas, que apurava as quatro primeiras equipas – a Norte e a Sul – para a fase de Apuramento de Campeão.
O Benfica foi segundo, atrás do Sporting, com o qual perdeu por claros 3-0 na Tapadinha, no jogo que marcou o adeus do treinador Luís Andrade, substituído por Filipa Patão, que também perdeu o primeiro dérbi, na sétima jornada da fase decisiva, novamente em casa, desta vez no Seixal, por 1-0.
As águias foram relegadas para a segunda posição da tabela e só recuperaram a liderança a uma jornada do fim, a 13.ª, de 14, quando o Sporting foi perder a Braga por 2-1.
O conjunto leonino escolheu Alvalade para o jogo do título: o Benfica só precisava de empatar, mas fez bem melhor, ao vencer por claros 3-0, com um golo a abrir de Nycole Raysla e dois a fechar, das craques Cloé Lacasse e Kika Nazareth.
Na época seguinte, as campeãs voltaram a perder com as ‘leoas’ na fase inicial, e por claros 5-1, em Alcochete, mas, ainda assim, venceram a zona Sul e ‘embalaram’ para uma fase de Apuramento de Campeão sem história, ao ritmo de vitória atrás de vitória.
As encarnadas venceram os 12 primeiros encontros, incluindo um 1-0 em Alcochete, selado por Jéssica Silva, e, a fechar, um 3-1 ao Sporting na Luz, com golos de Carole Costa, Andreia Faria e Ana Vitória, no jogo que valeu o bi.
Já campeãs, cederem os primeiros pontos nesta fase em Famalicão (2-2), para acabarem nove acima do Sporting.
Em 2022/23, a Liga feminina passou a ser como a masculina (todos contra todos a duas voltas, sem fase inicial), e o campeonato não teve história, tal o domínio do Benfica, que venceu os primeiros 16 jogos, ao fim dos quais liderava com 12 pontos à maior.
O desaire na Luz com o Sporting, por 1-0, à 17.ª ronda, impediu o que poderia ter sido um registo perfeito, mas só adiou a conquista do título, selado à 20.ª ronda, de 22, com um triunfo por 2-0 no reduto do Valadares Gaia.
Se o tri foi um passeio, o tetra foi outra história, bem diferente, bem difícil, até porque o Benfica claudicou nos embates com o Sporting, saldados com dois desaires por 3-1, o segundo em Alcochete, a três rondas do fim.
O Benfica ainda ficou com mais dois pontos, mas, impedido de perder qualquer ponto, face à desvantagem no confronto direto, penou nas duas últimas jornadas, sendo que na penúltima venceu apenas por 1-0 na casa do Valadares Gaia, com um tento de Chandra Davidson, aos 44 minutos.
Na última ronda, face ao Racing Power, com o qual empatara fora (1-1), o Benfica adiantou-se aos 39 minutos, num penálti de Carole Costa, mas, aos 85, Lúcia Lobato empatou, resultado que não servia às encarnadas, com o Sporting a vencer na Damaia.
Já nos descontos, aos 90+1 minutos, um novo penálti de Carole Costa, depois de uma falta na área sobre Lúcia Alves, salvou o Benfica, que, assim, chegou ao tetra.

A época 2024/25 começou mal para as encarnadas, com o afastamento da fase de grupos da Champions e a derrota com o Sporting na Supertaça, mas, no campeonato, o arranque foi bom, com destaque para um triunfo por 2-0 em Alvalade, à quarta ronda.
O Benfica venceu os primeiros 11 jogos, empatou ao 12.º no reduto do Torreense, onde só chegou ao 1-1 nos descontos, por Carole Costa, e deu um grande passo rumo ao penta com um empate 1-1 na receção ao Sporting, para ficar, ‘3,5’ pontos à maior.
Na ressaca desse encontro, as encarnadas somaram três vitórias, enquanto as ‘leoas’ só venceram um, com a vantagem a subir para oito pontos, com quatro rondas por disputar.
O ‘penta’ passou a ser uma questão de quando e acabou por ser materializado no reduto do Valadares Gaia, onde o Benfica, necessitado apenas de um ponto, venceu por 3-0, com duas rondas por disputar.
A época 2025/26 trouxe uma mudança substancial, com a saída de Filipa Patão e a entrada de Ivan Baptista, com o Benfica a viver uma época de sobressaltos, em que só conseguiu dois pontos na fase de liga da ‘Champions’ e caiu duas vezes com estrondo perante o Torreense, na Supertaça e nas meias-finais da Taça da Liga.
No campeonato, e mesmo começando com um inesperado nulo na receção ao Racing Power, o Benfica andou sempre pela frente e, mesmo não convencendo, foi somando triunfos e aproveitando as sucessivas escorregadelas do Sporting.
Mesmo não vencendo (1-1), as águias mostraram em Alvalade, à oitava ronda, que queriam o hexa, que sábado foi selado em Braga (3-1), ainda com duas rondas por disputar e depois de um percurso, como o ano passado, para já sem qualquer derrota.
