A reviravolta de Vinicius
Tudo, ou quase tudo, voltou a partir dele. Tal como na época passada, quando o seu ataque de nervos durante o Clássico marcou o início do desmoronamento do projecto de Xabi Alonso, o avançado brasileiro Vinicius Junior, apesar de involuntariamente, provocou a viragem na época madrilena com o seu caricato cartão vermelho frente ao Villarreal, no início de outubro, por ter puxado o cabelo a um adversário.
A suspensão do número 7 merengue por quatro jogos da LaLiga e a vitória arrancada a ferros frente à AS Roma (3-4) na Liga dos Campeões, que se seguiu, levaram o treinador madrileno José Mourinho a efectuar várias alterações que acabaram por dar frutos. O resultado foi uma série de quatro vitórias consecutivas, incluindo diante do Barcelona no Camp Nou (2-1).
Aos 63 anos, o técnico português não inventou nada de revolucionário, mas tomou decisões fortes. Recuou o seu capitão Federico Valverde para lateral-direito, de modo a permitir a entrada de um médio mais criativo: primeiro Arda Güler e depois Bernardo Silva, ao lado de Aurélien Tchouaméni.

Foi, sensivelmente, o que Xabi Alonso tinha tentado fazer antes dele, mas sem a aura e o apoio institucional de que Mourinho dispõe.
Mais controlo
Estas alterações permitiram ao Real, frequentemente dividido em dois nos últimos dois anos, sobretudo devido à falta de recuperação defensiva das suas estrelas, alcançar um certo equilíbrio. A equipa passou a ter mais controlo da bola, a perder menos vezes a posse e, consequentemente, a conceder menos ocasiões. Também Thibaut Courtois tem sido menos chamado a intervir.
Os merengues recuperam assim a bola mais adiantados e mais rapidamente, graças a uma pressão muito mais eficaz e ao esforço de Güler, Bernardo Silva e Jude Bellingham. Isso reduz os riscos de contra-ataque e cria também outras situações ofensivas.
"Ainda não estamos a 100%, mas estamos a evoluir. Estamos aqui há menos de quatro meses, o que é pouco. Mas estamos a melhorar progressivamente. Agora compreendo coisas que não compreendia no primeiro dia, e os jogadores entendem melhor a minha abordagem enquanto treinador. Percebem aquilo que, para mim, não é negociável", considerou Mourinho após a vitória em Santander (3-0).

"Quando os jogadores ofensivos fazem esforços e sacrifícios, enviam uma mensagem positiva ao resto da equipa", acrescentou.
Um ataque mais complementar
Estes esforços colectivos, o melhor controlo técnico e a liberdade de movimentos concedida a Kylian Mbappé, Yan Diomandé, Güler, Bellingham e Bernardo Silva também permitiram ao gigante espanhol variar muito mais na construção dos seus ataques. A equipa tem criado combinações e sequências de posse interessantes, raramente vistas nas duas últimas épocas.
Resultado: quatro vitórias e treze golos marcados nos últimos quatro jogos, em todas as competições, dos quais seis foram apontados por Mbappé. Diomandé marcou ainda três golos de enorme potência e fez duas assistências.

Imparável no lado esquerdo e muito mais empenhado defensivamente do que Vinicius Junior, o extremo costa-marfinense de 19 anos é já o principal vencedor desta boa fase madrilena. Agora, terá de confirmá-la em Atenas e depois em Valência, este fim de semana, naquele que será o último jogo de suspensão da estrela brasileira.




