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Liga dos Campeões: Lyon, de Paulo Fonseca, entra em cena com ambição e mar de incertezas

Clinton Mata frente ao Betis, na semana passada.
Clinton Mata frente ao Betis, na semana passada.JOAQUIN CORCHERO / SPAIN DPPI / DPPI VIA AFP

Depois de uma época terminada num excelente quarto lugar na Ligue 1, apesar de uma vigilância financeira apertada, o Olympique Lyon vive uma pré-época intensa. A caminho da 3.ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões, os Gones partem como favoritos frente ao Sparta Praga, mas esta primeira mão em Praga surge num contexto desportivo delicado.

Acompanhe as incidências do encontro

A pré-época parecia promissora. Os Gones regressaram ao trabalho com um único objetivo: serem competitivos, mesmo com recursos financeiros limitados. Com uma ideia de jogo bem definida, baseada numa pressão alta, esperavam ganhar confiança antes do duelo do play-off da Liga dos Campeões frente ao Sparta Prague. No entanto, uma pesada derrota frente ao Betis na semana passada (4-0) veio complicar as contas. No momento do maior desafio, em que ponto está o Olympique Lyon?

Um mercado otimista, mas incompleto

A maior lacuna a colmatar após este mercado de verão é, sem dúvida, a de Endrick. Emprestado por seis meses pelo Real Madrid, o brasileiro trouxe explosividade, qualidade no drible e capacidade de desequilíbrio, mas também eficácia, o que melhorou consideravelmente o ataque dos lyonnais, apesar de algumas dúvidas e críticas após um início fulgurante. Como tudo tem um fim, o avançado regressou a Espanha.

Não foi o único. Afonso Moreira também deixou o clube. À procura de liquidez, o Lyon não pôde recusar uma excelente proposta do Bayer Leverkusen (33,6 milhões de euros, incluindo bónus), apesar da importância do jovem português. Também aqui, a sua ausência faz-se sentir. Além disso, Adam Karabec foi igualmente chamado de regresso após empréstimo. Apesar de atuar mais no meio-campo, a sua contribuição fará falta, ele que realizou uma época 2025/26 sólida.

No entanto, lidar com isto não é fácil. Sempre limitado financeiramente, o Lyon tem de pensar de forma inteligente. Os empréstimos são privilegiados para reforçar uma base já existente (Corentin Tolisso, Clinton Mata, Tyler Morton, Tanner Tessman).

Assim, o clube conseguiu garantir Loïs Openda vindo da Juventus para colmatar o défice ofensivo, enquanto Mads Bidstrup e Julien Duranville têm a missão de trazer novas soluções. Contratado este fim de semana ao Estoril Praia, Félix Bacher dará mais opções para o centro da defesa.

Falta, no mínimo, um médio criativo, ou até um lateral caso haja saída. O risco de ter de vender novamente é elevado. Aliás, há rumores de uma possível saída de Malick Fofana. Em suma, o Lyon faz o que pode.

Uma boa notícia pode chegar de Inglaterra: se a transferência de Bruno Guimarães para o Arsenal se concretizar, o clube do Ródano receberá mais de 8 milhões de euros. Um verdadeiro jackpot.

Uma ideia de jogo clara

O trunfo que o Lyon mantém antes do seu primeiro grande compromisso do ano é Paulo Fonseca. No cargo há já duas épocas, o treinador sabe bem o que tem de fazer. Expressou e demonstrou rapidamente o que espera dos seus jogadores: um futebol sempre ofensivo, verticalidade, pressão alta e controlo da bola.

Isso funcionou relativamente bem em julho, com poucos jogadores, é certo, mas quatro vitórias em seis jogos para o Lyon. O triunfo por 2-0 frente ao Wolfsburgo foi bem recebido pela equipa. Mas o otimismo durou pouco. A goleada sofrida (4-0) frente ao Betis na semana passada abanou o grupo. Sob pressão, o meio-campo deixou-se ultrapassar, para gáudio dos Verdiblancos. Por isso, será fundamental dar atenção ao setor intermédio nesta 3.ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

Pode também apresentar-se um lado mais defensivo na República Checa. A falta de ritmo dos reforços pode favorecer isso, sem anular a vontade de atacar. Ainda para mais, a outra equipa que derrotou o Lyon nesta pré-época foi... o Slavia Praga (2-0). Defrontar o rival também não será tarefa fácil.

"Espero dos jogadores. Conhecemos a nossa limitação (...) Temos muitos jovens, outros podem chegar", afirmou Paulo Fonseca após a vitória frente ao Wolfsburgo. Também apontou os problemas após a derrota de quarta-feira passada. "As sensações são negativas. Penso que tivemos dificuldades em muitos setores. Temos de refletir bem sobre o que vamos fazer no próximo jogo, porque se jogarmos com esta mentalidade, será complicado. Por vezes, um resultado negativo pode também trazer aspetos positivos. Naturalmente, penso que temos de fazer mais".

Competitividade assumida, estabilidade procurada

A mudança de proprietário do clube em junho de 2026 (Michele Kang assumiu funções) marca o início de uma nova era para os lyonnais. Obrigada a "um controlo da massa salarial no orçamento de recuperação após a mudança de controlo do clube", adota uma estratégia de transferências limitada. Quer também investir na "academia, desenvolvimento de jovens talentos, equipa principal e infraestruturas".

Os seus objetivos passam igualmente por "concluir a reestruturação e garantir a estabilidade do clube". O Lyon anunciou, aliás, na semana passada a "nova organização do departamento de performance e médico". Sinal de que a transição já começou a ser feita.

Para conseguir reduzir a enorme dívida do clube (que era de 200 milhões de euros em 2024/25), é preciso que os resultados desportivos apareçam. Por isso, o objetivo é instalar-se de forma duradoura nos lugares cimeiros da Ligue 1 e garantir a qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Sem isso, o final do verão pode ser escaldante.