Vencedor de um campeonato, uma Taça do Rei e uma Supertaça pelos merengues entre 2010/11 e 2012/13, o setubalense terminou hoje a ligação ao Benfica e está de volta a Espanha, onde tinha sido adjunto no rival FC Barcelona há três décadas, antes de iniciar a carreira de técnico principal em 2000/01 no clube da Luz, agora orientado por Marco Silva.
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Aos 63 anos, Mourinho é o treinador luso mais titulado de sempre, com 26 sucessos, mas não conquista troféus desde 2021/22, quando arrebatou a edição inaugural da Liga Conferência pelos italianos da Roma e se tornou o único a ganhar as três principais competições de clubes vigentes da UEFA.
Nessa altura, travou uma série de cinco anos sem cetros, registo que pode igualar no próximo ano, caso não vença nenhuma prova em 2026/27 pelo Real Madrid, recordista de títulos de campeão espanhol (36) e europeu (15), cuja instabilidade redundou na ausência de sucessos na última época.
Os merengues fecharam o campeonato espanhol no segundo lugar, com 86 pontos, a oito do bicampeão FC Barcelona, face ao qual perderam na final da Supertaça doméstica, na Arábia Saudita, por entre as eliminações nos oitavos da Taça do Rei, face ao Albacete, do segundo escalão, e nos quartos da Liga dos Campeões, perante os alemães do Bayern Munique.
O Real Madrid encerrou uma época sem êxitos pela sexta vez no século XXI, tal como 2004/05, 2005/06, 2009/10 - na estreia do avançado português Cristiano Ronaldo, recordista de golos do clube (450) -, 2018/19 e 2020/21.
Uma Supertaça Europeia e uma Taça Intercontinental valeram os sucessos mais recentes dos madridistas, que não arrebatam a Liga espanhola e a Liga dos Campeões há dois anos e, desde então, tiveram três treinadores e ultrapassaram os 200 milhões de euros (ME) na contratação de jogadores.
Proveniente em fim de contrato do Paris Saint-Germain, o avançado francês Kylian Mbappé foi o reforço mais mediático e o melhor marcador do Real em 2024/25 e 2025/26, ao somar 44 e 42 golos nas diversas provas, respetivamente, apesar de enfrentar algumas lesões e acusações de falta de compromisso.
O vencedor da Bota de Ouro na época passada - terceiro classificado na edição mais recente - encarou pedidos de saída por parte dos adeptos e incompatibilizou-se com o treinador Álvaro Arbeloa, num plantel repleto de conflitos.
A implosão atingiu o auge no início de maio, com o vice-capitão uruguaio Federico Valverde a sofrer um traumatismo cranioencefálico e a deslocar-se ao hospital, volvida uma altercação com o francês Aurélien Tchouaméni no balneário do Real Madrid, que multou cada jogador em 500.000 euros.
Dias depois, o FC Barcelona revalidou o título de campeão espanhol a três jornadas do fim, ao vencer na receção aos merengues (2-0), que nunca tinham visto o rival catalão a sentenciar uma edição de La Liga no clássico.
A enfrentar a fase mais convulsa da segunda passagem pelo Real, iniciada em 2009, após mandatos entre 2000 e 2006, Florentino Pérez anunciou a convocação de eleições antecipadas e recandidatou-se à presidência do clube, pelo qual comemorou 37 troféus - 17 espanhóis e 20 internacionais.
No domingo, o engenheiro foi reconduzido até 2030, ao derrotar nas urnas Enrique Riquelme, com 64,92% dos votos, contra 35,08% do empresário, no primeiro escrutínio madridista com mais de um candidato desde 2006.
Esse momento foi decisivo para cumprir a promessa eleitoral de Florentino Pérez em relação a José Mourinho, que tinha mais um ano de contrato e proposta de renovação do Benfica, mas vai vincular-se ao Real Madrid a partir de 2026/27, tendo saído pelos 15 ME previstos na cláusula de rescisão.
Mourinho tentará gerir os egos e transformar o espírito de um dos plantéis mais exigentes do mundo, que não se encontrou em 2025/26 com Xabi Alonso e Álvaro Arbeloa, jogadores do clube na primeira etapa do luso, já depois da saída do italiano Carlo Ancelotti, o treinador mais titulado da história do Real, com 15 conquistas, e agora à frente da seleção do Brasil.
O capitão Dani Carvajal e o austríaco David Alaba despediram-se antes do regresso de José Mourinho, que é o 14.º técnico a voltar aos merengues, mas não vai ter o mesmo contexto da década anterior, quando Cristiano Ronaldo e o argentino Lionel Messi monopolizavam o prémio de melhor jogador do mundo com Real Madrid e FC Barcelona, respetivamente, apesar de os catalães, tal como nessa altura, terem melhores resultados.
Se Mourinho venceu três troféus em 11 possíveis entre 2010/11 e 2012/13, incluindo uma Liga espanhola na segunda época, os blaugrana juntaram oito em 14, com destaque para um campeonato, uma Liga dos Campeões e um Mundial de clubes nas duas primeiras, sob alçada de Pep Guardiola, cujo adjunto Tito Vilanova arrebataria outra edição de La Liga na terceira.
