Ronaldinho e Amigos: Marcel Nalyan revela a visão por detrás da celebração global do futebol

Ronaldinho em ação
Ronaldinho em açãoČTK / imago sportfotodienst / Mateusz Porzucek

Ronaldinho é muito mais do que um simples futebolista; é alguém que se sente. O seu sorriso, criatividade e ousadia redefiniram o ritmo do desporto-rei, transformando cada toque numa explosão de alegria.

Considerado um dos maiores jogadores de sempre, o antigo maestro do meio-campo do Paris Saint-Germain e do Barcelona deslumbrou o mundo do futebol, conquistando por duas vezes o prémio FIFA de Melhor Jogador do Mundo e a prestigiada Bola de Ouro.

No dia 25 de maio de 2026, a lenda brasileira volta a espalhar magia em Wearside, com o Stadium of Light do Sunderland a receber uma noite especial, em que lidera os seus amigos frente a uma equipa de Ícones do Reino Unido capitaneada por Jermain Defoe, numa celebração rara, marcada pela emoção, nostalgia e pela beleza intemporal do futebol no seu expoente máximo.

Com nomes como Djibril Cisse, Kleberson, Heurelho Gomes, Anderson, Shaun Wright-Phillips e Nicklas Bendtner envolvidos, o evento transforma-se num espetáculo vivo de memórias que vão perdurar no coração dos adeptos muito para lá do apito final.

Por detrás deste momento marcante está o Curador-Chefe Marcel Nalyan. Em conversa exclusiva com a Flashscore, explica que o Ronaldinho & Friends vai muito além da simples organização de um jogo, assumindo-se como uma homenagem sentida ao pulsar emocional do futebol.

- O que inspirou, em primeiro lugar, a ideia de trazer o Ronaldinho & Friends a Sunderland e qual era a visão mais profunda que pretendia concretizar com este evento?

- A paixão do Ronaldinho pela bola já era evidente em criança e enquanto jogava, e esse amor nunca desapareceu. Pessoas que o admiraram, ou até descobriram o seu gosto pelo futebol através dele, estão hoje espalhadas pelo mundo. Reencontrar esses adeptos e disputar jogos nesses locais é a base da nossa ideia para dar vida a um evento deste género. O nosso objetivo é criar uma nostalgia partilhada, identidade e ligação emocional, apresentando o futebol como uma experiência cultural e intergeracional que vai além da competição e da comercialização.

- Conseguiu reunir estrelas globais como Ronaldinho, Djibril Cisse e Jermain Defoe. Quão desafiante foi alinhar todos estes nomes icónicos e garantir a sua presença ao mesmo tempo?

- No final do dia, quando tudo está bem estruturado e os jogadores se identificam verdadeiramente com o projeto, a colaboração surge de forma natural, simples e autêntica — e foi exatamente isso que aconteceu com todos os envolvidos. Quem ouviu falar do evento disse logo: “sim, quero participar”.

- Para alguns, Sunderland pode não ser o palco imediato para um evento desta dimensão. O que fez da cidade a escolha perfeita e que energia única traz para a ocasião?

- O amor pelo futebol em Sunderland e em todo o Nordeste de Inglaterra é genuíno e sem filtros - ali, o futebol é muitas vezes mais do que entretenimento, é identidade. E é precisamente isso que jogadores como Ronaldinho representam: um regresso à beleza e criatividade do jogo, trazendo de volta a nostalgia em que os adeptos podem voltar a sentir aquela euforia, lado a lado com os próprios ícones de Sunderland.

- Ao recordar todo o processo de organização, qual foi o maior desafio nos bastidores que os adeptos dificilmente percebem?

- Toda a coordenação e planeamento de um evento desta dimensão é, naturalmente, gigantesca. Exige uma calendarização personalizada e uma articulação próxima com cada jogador e parceiro envolvido. Mas, ao trabalhar em conjunto com o Sunderland enquanto clube, e com o seu apoio, tudo é bem gerido.

Jeremaine Defoe
Jeremaine DefoeČTK / imago sportfotodienst / IMAGO

- Para além dos 90 minutos no relvado, que tipo de experiência espera proporcionar aos adeptos nesse dia?

- A euforia em torno de um jogo deste género, como já vivemos noutros países, vai muito além do próprio encontro. De Sunderland a toda a região e até ao país, sente-se uma forte ressonância quando ícones deste calibre chegam, convivem na cidade e, finalmente, se defrontam no dia do jogo. O ambiente vibrante será enriquecido com muitos momentos de interação com adeptos, desafios e pequenos torneios, permitindo que fãs de todas as gerações participem ativamente.

- À medida que o evento se aproxima, os adeptos devem estar atentos a surpresas ou a possíveis novidades de última hora no plantel?

- Temos sempre alguns trunfos na manga, mas, para já, vamos mantê-los em segredo.

- Vê este evento como um espetáculo único ou o objetivo é criar algo que possa crescer e regressar ano após ano?

- Não, o objetivo é claramente a longo prazo e sustentável: manter viva a herança dos ícones que nos inspiraram e celebrar os valores culturais positivos que este desporto transmite através de eventos como este.

- Com jogos de exibição a decorrer por todo o mundo, o que o faz acreditar que este se vai destacar e deixar uma experiência verdadeiramente memorável nos adeptos?

- O mais importante, e que deve estar sempre em primeiro plano, é a autenticidade por detrás destes eventos. Como se vê também no nosso plantel, não se trata de juntar jogadores ao acaso, mas sim de adaptar tudo cuidadosamente à região ou ao país. Isso foi igualmente fundamental para ambos os anfitriões, Ronaldinho e Defoe. Essa singularidade é, provavelmente, o aspeto mais marcante desta iniciativa, pois uma constelação assim dificilmente voltará a repetir-se, ou, sendo honesto, talvez seja mesmo a primeira e última vez.

Antes de terminar a carreira em 2018, aos 37 anos, Ronaldinho somou 97 internacionalizações pelo Brasil, marcou 33 golos e teve um papel decisivo na conquista do Mundial de 2002 pela Seleção, no Japão e Coreia do Sul. 

Iniciou o percurso europeu no Paris Saint-Germain, após sair do Grémio, antes de atingir o auge no Barcelona entre 2003 e 2008. Ali, inspirou a conquista de títulos consecutivos na LaLiga e o triunfo na Liga dos Campeões em 2006, além de vencer a Bola de Ouro em 2005. 

Passagens posteriores por AC Milan, Flamengo, Atlético Mineiro, Queretaro e Fluminense acrescentaram novos capítulos a uma carreira global marcada pelo talento, alegria e brilho inesquecível.

Plantel confirmado

Equipa Brasil: Ronaldinho, Kevin-Prince Boateng, Helton, Djibril Cisse, Gilberto Silva, Fabio Rochemback, Maicon, Andre Santos, Kleberson, Fernando, Nicklas Bendtner

Ícones do Reino Unido: Jermain Defoe, Heurelho Gomes, Michael Dawson, Lee Cattermole, Patrick van Aanholt, Kevin Phillips, Phil Bardsley, Shaun Wright-Phillips, Pascal Chimbonda, Aaron Lennon, Jermaine Pennant

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