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Para isso, o Flashscore contou com a ajuda do avançado português do Hearts, Cláudio Braga, eleito melhor jogador da Liga escocesa na temporada transata.
Plantel alvo de muitas mexidas
O conto de fadas dos Jam Tarts terminou de forma abrupta. Após ter liderado o campeonato da Escócia durante 250 dias, o emblema de Edimburgo perdeu o campeonato na última jornada, e de forma dramática, em casa do pentacampeão Celtic Glasgow. O título nacional escapa desde 1959/1960.
No arranque da nova temporada, Derek McInnes abandonou o comando técnico da equipa e Wouter Vrancken assumiu as rédeas. Além disso, o plantel sofreu algumas mudanças, com destaque para as saídas do guarda-redes Alex Schwolow para o Mainz, do defesa-central Michael Steinwender para o Bochum, de Alan Forrest para o Dundee FC. Finalmente, o médio Cammy Devlin e o avançado Lawrence Shankland - autor de 20 golos e quatro assistências - acompanharam o treinador na ida para o Rangers.
Em sentido inverso, Beau Reus assumiu a titularidade na baliza, Laurent Mendy chegou do Forest Green Rovers para reforçar o meio-campo, Calvin Miller, após nove golos e 11 assistências no Falkirk, juntou-se a Cláudio Braga no ataque e Amadou Ba-Sy, que em Portugal representou o Vizela e a Académica de Coimbra, foi recrutado ao Rouen.
Para já, a mudança não surtiu os efeitos desejados: três derrotas em três jogos oficiais - dois na qualificação para a Champions e um para o campeonato-, apenas um golo marcado e... oito sofridos.
Como jogam os escoceses?
Se contra o St. Gallen o Benfica lidou mal com a pressão alta, as marcações homem a homem, as bolas paradas e o futebol por vezes caótico do anterior rival, os Gorgie Boys apresentam características diferentes.
O novo técnico tem apostado num 1x4x4x2 e procura que a equipa seja inteligente quando tem a bola. A construção é feita desde a zona mais recuada a três com a dupla de centrais Oisin McEntee e Stuart Findlay em foco e um dos médios mais defensivos - Blair Spittal ou Laurent Mendy – a baixar. Desta forma, o Hearts tenta controlar os diversos momentos do jogo e ganhar superioridade para poder atacar com eficácia.
Sem a bola, tenta pressionar com critério, porém, como os dois laterais têm ordem para subir, obrigam os centrais a defender com muitos metros nas costas, algo que a velocidade de Rafa, a verticalidade de Kaminski e a inteligência de movimentos de Pavlidis podem aproveitar para desbloquear a eliminatória.
Além disso, os jambos são fortes nos lances de bola parada ofensivos, um dos calcanhares de Aquiles dos encarnados nas últimas épocas. E atenção a Cláudio Braga, o português não é apenas um matador, sabe jogar de costas, recua no terreno para ligar todos os setores da equipa e é um finalizador letal.
Em suma, o Benfica de Marco Silva é favorito, mas para se apanhar o comboio dos playoffs da Liga Europa terá de anular a primeira fase de construção dos escoceses, atacar com critério, de forma veloz e eficaz e evitar os lances de bola parada.
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"Vamos tentar resolver a eliminatória em nossa casa"
Na antecâmara do primeiro jogo desta eliminatória, o Flashscore falou em exclusivo com Cláudio Braga, uma das estrelas do Hearts. Através da base de dados de Tony Bloom, o dono do clube que ainda detém o Brighton e o Union Saint-Gilloise, o avançado foi recrutado ao Aalesund na segunda divisão da Noruega e a aposta foi em cheio.
Na época passada, marcou 14 golos no campeonato escocês - 17 em todas as provas -, gizou três assistências e foi considerado o melhor jogador da competição.
- O que poderemos esperar do Hearts nestes dois jogos?
Nos últimos jogos dominámos algumas partes, principalmente em casa frente ao Sturm Graz, e no fim de semana passado contra o Aberdeen. Tivemos mais posse de bola, mas a verdade é que no futebol o que contam são os resultados. Temos de cometer menos erros e acabar por fazer mais golos. O Benfica poderá esperar uma equipa com um futebol intenso, que não vai baixar os braços porque sabe que o adversário é muito difícil. Vamos à Luz para obter um resultado positivo, sem dúvida, e tentar resolver a eliminatória em nossa casa.

- Como esperam anular o Benfica?
Não sei se posso falar sobre isso (risos).
- Se marcar ao Benfica, vai festejar?
Claro que sim. Jogo futebol, é a minha vida, aquilo que mais amo fazer. Marcar é o meu objetivo em todos os jogos. Nunca deixaria de festejar contra ninguém. Apenas o faria por sinal de respeito contra uma equipa na qual tivesse jogado, (mas) vou festejar e bastante porque será um marco positivo na minha vida.
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- Que jogadores do Benfica vão ter debaixo de olho?
O Pavlidis fez agora quatro golos e isso chama a atenção, não vou mentir. O Benfica tem um plantel muito bom e muito forte em todos os setores. Como temos sofrido alguns golos, o ataque deles é o setor que teremos mais debaixo de olho, mas todos os jogadores têm muita qualidade. É um coletivo muito forte e individualmente também têm grandes nomes. O Pavlidis fez quatro golos, mas não o faria caso o Benfica não estivesse a jogar bem.

- Em termos percentuais, quais são as possibilidades do Hearts em ganhar esta eliminatória?
Em termos percentuais sabemos que não somos os favoritos nesta eliminatória, sem dúvida, mas ao mesmo tempo não vamos para o Estádio da Luz a pensar que já perdemos ou que é uma missão impossível. Vamos fazer frente ao Benfica, para dar o nosso melhor contra eles e a conseguir o melhor resultado possível.
- A equipa do Hearts já sarou a ferida após este início em falso?
Já saramos a ferida, cada jogo é um jogo. Todos os profissionais de futebol vão passar por momentos mais positivos e negativos, mas a verdade é que não posso entrar num jogo a pensar no passado. Nem eu, nem ninguém na nossa equipa vai fazer isso. Temos de mudar a página muito depressa. Faz parte do nosso dia a dia, temos jogos de três em três dias e contra o Benfica não vai ser diferente. Temos de aprender com os erros, cometer menos e aproveitar para melhorar.
- Quais são os pontos fortes e mais fracos do Hearts?
Esta época é completamente diferente da anterior. O estilo de jogo é outro, sinto que neste momento, apesar de tudo, tentamos jogar um futebol positivo, temos jogadores com muita qualidade e se os nossos jogadores tiverem personalidade no campo para aparecer, teremos um grande coletivo. Somos uma equipa intensa, que gosta de pressionar e que não quer ter medo de ninguém. Provavelmente, fomos muito expostos contra o Sturm Graz porque jogámos de uma maneira em que não tivemos medo de ninguém.
- O mercado de transferências está em ebulição e o nome do Cláudio tem sido colocado na órbita de outros clubes, entre os quais o Lyon. Vai continuar no Hearts?
Tudo depende de muita coisa. Gosto de estar onde estou, mas ao mesmo tempo tenho ambições. Apenas sairei do Hearts se for algo bom para mim, em termos de projeto, e também para o clube.
- Jorge Jesus é o novo selecionador. Sonha com uma chamada à seleção nacional?
Claro que sonho, cada vez mais. Sinto que depende muito de mim, então vou ter de dar corda aos sapatos porque a nossa seleção é muito forte. Ao mesmo tempo, sinto que se continuar a fazer o meu trabalho, com os pés no chão, mais tarde ou mais cedo isso pode acontecer e Deus queira que sim.
Mas tudo depende de mim e das performances que tiver. Tenho a certeza que o selecionador olha para todas as posições e para todas as opções que tem, e são muitas. Infelizmente na minha posição também é assim (risos). Temos uma seleção incrível e espero que com o meu trabalho um dia possa vestir a camisola.

