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O encontro da segunda mão das meias-finais da Liga Europa começa às 20:00, com os minhotos a terem que defender a vantagem de 2-1 trazida da primeira mão para atingirem a segunda final desta prova europeia na sua história, depois de 2011 (com o FC Porto, em Dublin, derrota por 1-0).
De muletas a proteger o joelho direito vem André Veloso, 29 anos.
“Fui operado há dois meses, estou a recuperar bem, e nada impede o apoio ao SC Braga. Vim com o meu irmão. Vai ser um bom jogo e que acabe com a vitória do Braga e consequente apuramento para a final com a ilusão de ganhar a Liga Europa”, diz à agência Lusa em frente à Catedral de Friburgo.
Na grande praça, aglomeram-se algumas centenas de adeptos do SC Braga que vieram nos dois charters (voos fretados) que saíram esta quinta-feira do Porto, juntando-se a estes no estádio muitos emigrantes que vêm de França, Suíça, Luxemburgo e outros pontos da Alemanha.
“Vamos comê-los e, no mínimo, vamos marcar dois golos e ganhar 2-0 e, se Deus quiser, vamos a (final de) Istambul”, atira Mário, emigrante na Suíça.
Sentado ao seu lado, Luís Costa, de 62 anos, sócio 865 do SC Braga.
“A mim, chega-me o empate, mas vai ser difícil porque temos muitos lesionados, vamos ver quem vai jogar. O Ricardo Horta não está a 100 por cento. O Grillitsch é que vai fazer muita falta. Mas, tenho fé e confiança na equipa, porque eles são uns guerreiros e lutam em campo”, diz.
O cansaço é evidente na face de Luís Costa.
“A que me horas me levantei? Hoje não dormi, tive a trabalhar até às 04:00, meti-me no carro e fui para o aeroporto. Acaba o jogo e vamos logo embora, mas o Braga merece este esforço, já fui a Sevilha e foi um jogo épico, do outro mundo e, para mim, o Betis até tinha melhor equipa que o Friburgo”, diz, lembrando a segunda mão dos quartos, em que os minhotos viraram um resultado negativo de 2-0 para 4-2 e carimbaram o acesso às meias.
Em amena cavaqueira, a poucos metros, na mesma praça, estão Francisca Veiga e Flávio Vale. Conheceram-se há poucas horas, depois de terem ficado lado a lado no avião.
“Acho que vai ficar 0-0. O empate chega, assim sofridinho. Qual foi o segredo desta caminhada? Alguma sorte, fomos certinhos, pouco exuberantes, mas muito eficazes”, diz à Lusa o técnico de informática de 37 anos.
A estudante do mestrado de contabilidade na Universidade do Minho, de 24 anos, sócia desde que nasceu admite que “o coração está muito nervoso", mas está confiante: "o resultado tanto me faz, até podemos ir a penáltis, desde que seja para nos levar à final”.
De cerveja na mão, Tiago Barbosa, 42 anos, que esteve na final de Dublin, na República da Irlanda, avisa que o Friburgo tem “uma boa equipa”.
“Espero que o SC Braga seja competente e não faça daqueles jogos que às vezes faz. Mas, mais importante, que passe e possamos ir a Istambul”, diz.
O amigo António Marques, 39 anos, lamenta a ausência quase certa de Ricardo Horta, mas nota que “quem jogar tem que dar o máximo".
“O SC Braga quer muito e nós, adeptos, também e a diferença vai passar por aí. Vamos passar um mau bocado nos primeiros 20 minutos e a partir daí temos que nos soltar e procurar o golo. Quem joga para empatar é o primeiro caminho para perder”, alerta.
Com poucas horas de sono depois de uma viagem de carro desde Paris, Pedro e Paulo Marques, que não têm grau de parentesco, apesar do apelido comum, têm esperança na passagem à final da Liga Europa.
´“Saímos de Paris às 22:00, de autocarro, e chegámos aqui às 05:00, ainda está ali um a dormir”, aponta Pedro, 40 anos, para um amigo deitado no sofá do átrio de um hotel.
“Para mim, um empate serve, desde que passemos. Vai ser um ambiente difícil, mas as expectativas estão lá em cima. Gostava um dia de ser campeão, mas ganhar a Liga Europa também seria fantástico”, diz.
Paulo, 55 anos, natural das Taipas, vila do concelho de Guimarães, explica a cor clubística.

“Isso vem de família porque o meu pai é de uma freguesia de Braga e levou os filhos para o SC Braga e daí nasceu a paixão pelo clube. E nas Taipas há muita gente que é adepta do SC Braga”, diz.
Em Paris há 14 anos, já acompanhou a equipa a várias cidades europeias e recorda o recente do jogo em Sevilha como exemplo da força bracarense, mesma opinião do casal Emília e Armando Costa, 62 e 64 anos, respetivamente.
Depois de uma vida de emigrantes na Suíça, onde ainda têm os filhos, regressaram recentemente a Braga. Naturais de Lomar, Braga, aproveitam a reforma para passear quando o SC Braga joga pela Europa.
“Uma vantagem de 2-1 é boa, mas temos que ter atenção e segurar o ímpeto alemão inicial. Temos alma guerreira para chegarmos a Istambul”, diz o marido. Mais otimista está Emília: “não vai ser difícil, o Braga surpreende, vamos ganhar. Era pena agora faltando tão pouco para a final ficarmos pelo caminho, somos melhores e vamos mostrar que somos capazes”.
