México: Cruz Azul segue para as meias-finais (1-0)

Cruz Azul segue para as meias-finais
Cruz Azul segue para as meias-finaisALFREDO ESTRELLA / AFP

A necessidade do Atlas e o orgulho do Cruz Azul proporcionaram uma noite de grande nível no Estádio Azteca, no jogo da segunda mão dos quartos de final do Clausura 2026. Um golo solitário de José Paradela garantiu a passagem às meias-finais para La Máquina, que continua a sonhar com o décimo título da sua história.

Cruz Azul 1-0 Atlas

As notas dos jogadores
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É inevitável para os adeptos do Cruz Azul sucumbirem ao nervosismo de ver a sua equipa jogar, independentemente de ser favorita ou de regressar a casa para disputar a segunda mão dos quartos de final com uma vantagem mínima. A idiossincrasia cementera é assim: um eterno sobe e desce emocional. E esta noite fresca no Estádio Azteca não foi exceção.

Depois da vitória por 3-2 na primeira mão no Estádio Jalisco, a equipa cementera entrou no relvado do Colosso de Santa Úrsula para enfrentar a identidade rojinegra de Diego Cocca. O argentino, ídolo pragmático do clube, montou a sua equipa para tentar virar a eliminatória, apostando na organização para aumentar o nervosismo habitual dos adeptos azuis.

O talento faz a diferença

O Atlas tentou repetir o que fez há algumas semanas na última jornada do Clausura-2026, quando venceu o América por 1-0 no Estádio Azteca. Comandada pelos centrais argentinos Schlegel e Capasso, a equipa rojinegra foi-se consolidando aos poucos durante a primeira parte. Sem precipitações, sempre com organização, chegou à área adversária em algumas ocasiões, alimentando a esperança de voltar à discussão da eliminatória.

Esses primeiros bons minutos do Atlas inundaram a bancada azul do Azteca com o nervosismo de sempre. Aquele que faz com que os adeptos fiquem na ponta do assento, de olho no relógio, desejando que o tempo passe depressa para aliviar a ansiedade e o stress acumulados durante uma longa seca de títulos.

Mas, para felicidade dos adeptos celestes e do seu bem-estar, o talento acabou por superar qualquer adversidade, graças à autoridade de José Paradela, um dos mais talentosos do plantel azul, embora alvo de críticas pelas suas exibições irregulares ao longo do torneio. Dúvidas que dissipou por completo ao minuto 31, quando liderou um contra-ataque e, com uma simulação digna das suas qualidades, ficou frente a frente com o monumental Camilo Vargas e bateu-o por entre as pernas. O 4-2 no agregado foi um bálsamo de alegria que provocou uma ovação geral ao intervalo.

Ode ao play-off

Com a desvantagem de dois golos, o Atlas concentrou os seus esforços em atacar a baliza contrária. Com a dureza de sempre e o orgulho que faz vibrar os seus adeptos, o Atlas tentou voltar ao jogo e isso resultou numa partida digna de fase final do futebol mexicano. O ímpeto e a voracidade rojinegra proporcionaram vários momentos de emoção genuína. Entre eles, dois remates de longe de Jorge Rodríguez e Victor Ríos que Kevin Mier, outro guarda-redes colombiano de grande nível como Camilo Vargas, conseguiu defender com grande classe.

E embora o ímpeto do Atlas tenha durado cerca de 15 minutos de intensidade, agressividade e remates de ambos os lados, o Cruz Azul impôs o talento dos seus jogadores, especialmente o de Walter Ditta. O central colombiano, talvez o melhor defesa da Liga MX, deu o corpo e a cara pelo resultado, travando os ataques do Atlas. Esse orgulho contagiou os adeptos celestes, que deixaram de lado qualquer nervosismo para se entregarem ao júbilo que a sua paixão merece.

A combinação entre a necessidade rojinegra e a resistência cruzazulina resultou num jogo cheio de adrenalina, que foi perdendo intensidade na reta final, com um estádio cheio a cantar pela sua equipa. A vitória, a terceira consecutiva de Joel Huiqui desde que chegou, colocou o Cruz Azul nas meias-finais, pela quinta vez seguida. Uma sequência que reforça a sua grandeza e a ambição de conquistar o décimo título da sua história.