Paços de Ferreira cai no terceiro escalão 52 anos depois em cenário de crise e divisão

Paços de Ferreira cai no terceiro escalão 52 anos depois
Paços de Ferreira cai no terceiro escalão 52 anos depoisFC Paços de Ferreira

A cidade de Paços de Ferreira ainda tenta assimilar a descida da equipa ao terceiro escalão do futebol português, 52 anos depois, apesar da mensagem de esperança deixada pelo clube quanto a um possível regresso em breve.

Sabemos que a vossa paixão não tem divisão, mas não é na terceira que queremos que ela seja vivida por muito tempo. Trabalharemos para regressar o mais brevemente possível. E esse trabalho começou hoje. É tempo de nos reerguermos, porque vamos voltar”, escreveu o clube na página oficial.

A publicação surge numa altura em que muitos adeptos ainda tentam assimilar a descida à Liga 3, um cenário que os resultados recentes já deixavam antever.

Na época passada, o Paços apenas garantiu a permanência na Liga 2 no play-off, numa altura em que os problemas financeiros já condicionavam um clube que, durante anos, foi apontado como uma referência nacional de rigor orçamental.

O passivo subiu aos 5,6 milhões de euros, segundo números avançados pelo presidente Rui Abreu, para quem a entrada de investidores na SAD a criar - após autorização dos sócios em Assembleia-Geral - representava a única solução para assegurar a sobrevivência do clube, num processo polémico que dividiu ainda mais o universo pacense.

O “sim” acabou por vencer a votação, após recontagem. Mais tarde, a Mesa da Assembleia-Geral, alertada por alguns sócios, corrigiu os números finais, reforçando a vantagem da proposta, mas manteve válido o resultado, apesar dos pedidos de nova votação por parte de um grupo de adeptos.

Entre os contestatários figuram dois antigos presidentes, para quem a situação compromete a validade da decisão tomada, admitindo recorrer aos tribunais.

Para agravar o cenário de divisão, a descida poderá levar os investidores (PMK Sports), que já tinham adiantado 500 mil euros e previam investir mais 750 mil até ao final da época, a desistirem do negócio ou a exercerem a cláusula que lhes permite adquirir mais 15,10% do capital social por um euro.

Entre a incerteza financeira e a queda desportiva, permanecem as memórias de um passado recente que parecia afastar qualquer possibilidade de um cenário como o atual.

Há apenas 13 anos, em 2012/13, com Paulo Fonseca à frente da equipa de futebol, o Paços de Ferreira alcançava a melhor classificação da sua história, com o terceiro lugar na Liga, numa equipa em que pontificavam nomes como Diogo Figueiras, Cohene, Ricardo, Antunes, André Leão, Josué, Luiz Carlos ou Cícero.

Por isso, os castores atingiram um inédito play-off de acesso à Liga dos Campeões, mas foram eliminados pelos russos do Zenit e acabaram por disputar a Liga Europa.

Desde que jogaram pela última vez no terceiro escalão, em 1973/74, então na denominada 3.ª Divisão, os pacenses venceram por quatro vezes o segundo escalão, disputaram a Taça UEFA e a Liga Europa, jogaram finais da Taça de Portugal e da Taça da Liga, além de participarem na Supertaça.

Neste periodo, o Paços esteve 24 épocas no principal escalão do futebol português, 13 das quais consecutivas, entre 2005 e 2018.