“O título trouxe à memória duas dores que não se apagam. Duas perdas irreparáveis dentro da nossa casa. Este título não é apenas uma conquista desportiva. É um Porto de honra. É um gesto de memória. Honramos com este campeonato o que eles foram e o que nos deixaram. O legado. A exigência. A coragem. A frontalidade. A forma de estar. A crença de que, no FC Porto, não há destino, há trabalho. Não há fatalismo, há reação. Não há resignação, há luta”, frisou o dirigente, no editorial da revista Dragões.
O FC Porto sagrou-se campeão nacional pela 31.ª vez na segunda época da presidência de André Villas-Boas, com o ex-treinador azul e branco a referir que o clube voltou ao lugar que perseguiu com “trabalho, método e ambição”, suportado pela proximidade dos sócios e adeptos e da cidade do Porto.
“O título não caiu do céu. Não foi um acaso. Foi uma construção. Foi uma época inteira a exigir união, concentração e coragem. Foi um balneário a fechar fileiras em torno de um objetivo comum. Foi um grupo focado, disciplinado, solidário, capaz de sofrer, reagir e responder quando muitos esperavam que vacilássemos”, assumiu, lembrando que o clube “mudou muito de uma época para a outra” com as entradas e saídas de jogadores.
Dando os parabéns ao guarda-redes e capitão Diogo Costa por “liderar a equipa exemplarmente” e ao médio dinamarquês Victor Froholdt pelos prémios de melhor jogador e melhor jovem jogador da Liga, André Villas-Boas valorizou a “marca coletiva” do plantel na conquista do título e a forma como o treinador italiano Francesco Farioli “chegou, viu e venceu”.
“Percebeu rapidamente o que é o FC Porto e o que significa carregar este símbolo num país que tantas vezes tenta empurrar o Norte para a margem e a nossa ambição para a exceção. Ele não veio para se adaptar ao ruído. Veio para respeitar o nosso ADN. E adaptou-se. Com altruísmo. Com exigência. Com coragem. Com detalhe. Com uma capacidade rara de orientar e motivar um grupo inteiro para o sucesso”, reconheceu.
O presidente do FC Porto agradeceu a todos os departamentos do clube e da SAD azul e branca e evocou as “duas festas à Porto” na comemoração do título, quer no Estádio do Dragão, após a vitória frente ao Alverca (1-0), em 02 de maio, para a 32.ª e antepenúltima jornada, quer da Ribeira à Avenida dos Aliados, duas semanas depois, volvida a entrega do troféu.
“O FC Porto é cada vez mais um símbolo de toda uma região, mas é, sobretudo, um clube do todo: da união, força, resistência e conquista. E digo-o hoje com orgulho absoluto, sem filtros e sem medo de parecer excessivo: ser portista é o que mais sinto na pele e dentro de mim”, notou.
André Villas-Boas mencionou ainda as despedidas de Thiago Silva, que regressou em janeiro ao clube para “fechar uma ferida que estava aberta desde 2004”, e de Seko Fofana, Luuk de Jong e Terem Moffi, numa época marcada também pelos cetros nacionais nos escalões de sub-19 e sub-17.
A inédita subida à Liga feminina com o título da segunda divisão e a estreia na final da Taça de Portugal, perdida frente ao hexacampeão Benfica (2-0), no Estádio Nacional, em Oeiras, foram outros marcos destacados pelo líder azul e branco, assim como a dobradinha no voleibol feminino e a conquista da Liga dos Campeões de hóquei em patins pela quarta vez.
“Enquanto celebramos, continuamos a construir. Vencer é um momento, mas sustentar a vitória é um projeto. O evento da primeira pedra do Centro de Alto Rendimento (no Olival) foi mais do que simbólico. Foi uma declaração de futuro. Nos próximos meses, estaremos a dar corpo a um projeto fundamental para o FC Porto e que reforça a nossa capacidade de formar, desenvolver, recuperar e potenciar talento”, terminou, visando mais êxitos “com a mesma convicção e fome e um compromisso com a vitória inegociável”.
