O dirigente vai continuar em funções até ao dia 13 de junho, data em que vão realizar-se as eleições para determinar o próximo presidente.
António Miguel Cardoso, que falou em conferência de imprensa no Estádio D. Afonso Henriques ao lado dos vice-presidentes, anunciou ainda que não vai recandidatar-se à presidência do Vitória SC.
"De acordo com aquilo com que me comprometi no início da época, como já são reduzidas as hipóteses de nos apurarmos para as competições europeias, vou entregar ao presidente da Mesa da Assembleia Geral a minha carta de demissão”, disse.
Em resposta a questões dos jornalistas, o dirigente prometeu continuar a trabalhar até à transição diretiva, num contexto de dificuldades financeiras, e rejeitou apoiar qualquer candidatura no próximo ato eleitoral, ainda sem data oficial, limitando-se a ser “mais um sócio na bancada” a apoiar o emblema vimaranense.
“Até à passagem de testemunho, garanto que continuaremos a defender os interesses do Vitória e a geri-lo com responsabilidade, com um foco claro no equilíbrio desportivo e financeiro, tendo como objetivo encerrar o exercício com contas equilibradas. A minha paixão e amor pelo clube vão manter-se, de resto, para sempre”, vincou.

Numa retrospetiva aos quatro anos como presidente, António Miguel Cardoso enalteceu a melhor pontuação de sempre na Liga Portugal, com 63 pontos na temporada 2023/24, o maior número de vitórias consecutivas do clube nas provas da UEFA – nove, na edição 2024/25 da Liga Conferência – e a conquista da Taça da Liga, terceiro troféu do clube, arrecadado na temporada em curso.
O dirigente vincou ainda que, sob a sua liderança, se criaram “alicerces para uma aposta contínua na formação”, tendo salientado a ascensão de jogadores da equipa B à equipa principal, os títulos mundial e europeu de sub-17 conquistados pelos jogadores Zeega e Santiago Verdi e os 34 jogadores chamados às seleções nacionais jovens de Portugal na presente época, um recorde na história do clube.
“Tais alicerces ganharam definição somente nesta reta final da minha presidência pois antes foi necessário levar a cabo um trabalho de base, a envolver infraestruturas e recursos humanos. A partir de agora, sim, o clube está por fim em condições de recolher importantes frutos dessa aposta na formação, tanto no presente como no futuro”, defendeu.
António Miguel Cardoso mostrou-se ainda convencido de que a equipa técnica liderada por Gil Lameiras, de 32 anos, responsável desde março pela formação principal do Vitória, vai ter “um impacto muito positivo no futuro” e dar “muitas alegrias aos sócios”.
O ainda presidente do Vitória enalteceu ainda “a lealdade, o empenho e a dedicação” ao clube do lateral direito Miguel Maga, o único jogador que acompanhou António Miguel Cardoso desde que este assumiu a presidência em 2022, e à equipa feminina de futebol, pelo “crescimento notável e sustentado” que a guiou ao escalão maior na época em curso.

Recorde-se que o dirigente tinha sido eleito pela primeira vez em março de 2022 e foi reeleito em março de 2025, numa eleição em que concorreu com Luís Cirilo e na qual obteve 89,4% dos votos.
Esta época, António Miguel Cardoso já tinha anunciado a sua intenção de se demitir do cargo caso o Vitória SC falhasse o objetivo de terminar a Liga Portugal no 5.º lugar.
Alguns meses depois dessa declaração, após a conquista histórica da Taça da Liga e o despedimento de Luís Pinto, o atual presidente do Vitória SC apresentou a demissão com o clube no 9.º lugar da Liga Portugal, após o empate (1-1) da última jornada diante do AFS. O 5.º posto está a 11 pontos de distância.
