O desempenho dos encarnados é comparável a uma adivinha tão antiga quanto portuguesa, já que, tal como a pescada, antes de o ser já o era. E para os registos da Liga 2025/26 ficará uma águia que, em 34 jogos, ganhou 23 e não perdeu nenhum... mas empatou 11, seis dos quais em casa, o que lhe valeu um terceiro lugar e uma ausência da fase principal da Liga dos Campeões da próxima época, algo que só sucedeu uma vez nos últimos 16 anos (em 2020/21, caíram nas pré-eliminatórias).
Depois de ter perdido o campeonato e a Taça de Portugal, o Benfica dispensou cerca de 115 milhões de euros em contratações em 2025/26, mas falhou na principal competição nacional, reforçando um pecúlio pouco consonante com o estatuto do clube: um troféu de campeão nas derradeiras sete temporadas.
A continuidade de Bruno Lage, que tinha sido campeão em 2018/19, no comando técnico oferecia dúvidas à opinião generalizada e, mesmo com um futebol longe de ser atrativo, os resultados iam aparecendo, inclusive com o apuramento para a Liga dos Campeões (à custa daquele que seria o seu sucessor).

Contudo, bastou um empate com o Santa Clara e uma derrota na prova milionária com o modesto Qarabag para os dirigentes benfiquistas replicarem tal e qual o corte efetuado um ano antes, então com Roger Schmidt: em setembro, já com a época em andamento e com um plantel construído pelo técnico em funções, optaram, desta vez, pela saída de Lage e viram no desempregado José Mourinho a força motriz.
Mais de duas décadas volvidas, aquele que se autodenominou Special One retornou à Luz e agarrou a equipa a cinco pontos da liderança e com menos um jogo, mas nos primeiros 13 jogos ao leme cedeu cinco empates, inclusive com FC Porto (0-0), Sporting (1-1) e Sporting de Braga (2-2), fechando a primeira volta já em terceiro, na altura a 10 pontos do líder e futuro campeão.
Ainda que não tenham perdido qualquer dos seis duelos com aquele trio, os encarnados apenas venceram um, já na reta final, em casa do Sporting (2-1), mas voltaram a escorregar logo de seguida, com Famalicão (2-2) e arsenalistas (2-2), deixando fugir o segundo lugar.

Apesar das desilusões milionárias com Barrenechea, Ivanovic, Sudakov ou Lukebakio, aliadas a um regresso pouco frutífero de Rafa em janeiro, o Benfica viu Schjelderup (sete golos) emergir quase como um oásis na segunda metade, precisamente quando o grego Pavlidis se começou a eclipsar.
Se, em 2024/25, foi preciso esperar pela segunda volta para o helénico celebrar golos com maior frequência, desta vez o avançado inverteu o desempenho na segunda metade, em que assinou somente cinco dos 22 golos que lhe permitiram terminar a prova como segundo melhor artilheiro, atrás de Luis Suárez (28). Nas derradeiras 12 rondas, celebrou apenas duas vezes.
