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Aos 18 anos, Daniel Banjaqui vai conquistando espaço nas contas de Marco Silva no Benfica. Os problemas físicos de Alexander Bah abriram-lhe uma porta e o jovem lateral-direito não a deixou fechar, com boas respostas frente ao Gil Vicente (3-1) e, sobretudo, ao AC Milan (0-2), em San Siro, onde foi um dos destaques do triunfo encarnado.
Segue-se, agora, uma possível prova de fogo. Com o clássico frente ao FC Porto no horizonte, Banjaqui pode voltar a ser chamado a assumir a lateral direita num dos jogos de maior exigência da temporada. Um palco bem diferente daquele onde começou a destacar-se, ainda criança, mas para o qual quem o conheceu aos 10 anos já acreditava que poderia chegar.

Lateral desde muito cedo
Banjaqui tem a juventude estampada no cartão de cidadão, mas não propriamente no percurso. Muito antes de chegar ao Seixal, já competia acima da idade e dava sinais de que estava alguns passos à frente dos restantes.
Martim Perestrelo sabe-o bem. O jovem treinador português, que nos últimos anos tem trabalhado no futebol nórdico, primeiro na Finlândia e mais recentemente na Dinamarca, cruzou-se com Daniel no Real Sport Clube, precisamente na época anterior à mudança do lateral para o Benfica.
"Quando integrei o Real SC, fui treinar o escalão de 2007. Eram Benjamins A, sub-11. O Daniel já fazia parte da equipa de 2007, mesmo sendo um ano mais novo, porque é de 2008. E destacava-se dos outros", recorda ao Flashscore.
Apesar da tenra idade, havia já características que hoje continuam facilmente identificáveis no futebol de Banjaqui. "O Daniel já era defesa-direito em muitos desses jogos. Jogávamos futebol de sete, muitas vezes com três defesas ou dois, mas sempre teve capacidade para jogar a defesa-direito".

Um sorriso fora do campo, maturidade lá dentro
Se dentro das quatro linhas chamava a atenção pela qualidade, fora delas conquistava pelo feitio.
"Tinha uma energia positiva que contagiava toda a gente. Fora do campo, principalmente enquanto pessoa, era uma criança que marcava pelo sorriso. Tinha um sorriso que contagiava toda a gente, brincava com todos e não excluía ninguém", lembra Martim.
"Mas sabia distinguir os momentos. Já tinha capacidade para diferenciar o momento de brincadeira, fora do campo, do momento dentro do campo. Ou seja, já tinha alguma maturidade em relação aos outros, mesmo sendo mais novo", salienta.
E essa diferença também se via na forma como jogava. Banjaqui não precisava de braçadeira para assumir um papel de referência.
"Dentro do campo, claramente já se notava um líder, apesar de não ser o capitão. Pelo exemplo, pela qualidade e pelo 'profissionalismo', entre aspas, que já tinha naquela altura, toda a gente o admirava. Os miúdos sabiam que ele era o melhor jogador, mas não havia aquele egoísmo que, por vezes, existe nestas idades".
Martim Perestrelo guarda uma imagem particularmente viva daquele lateral franzino que competia contra jogadores mais velhos.
"Era um miúdo franzino, baixinho, mas mais rápido do que os outros. A relação com a bola era completamente distinta e já era muito comunicativo com os colegas. Acabava por ser um líder pelo exemplo que demonstrava".

"Tinha confiança de que iria chegar a profissional"
A pergunta é inevitável: aos nove ou dez anos é realmente possível perceber que uma criança tem condições para chegar ao futebol profissional? No caso de Daniel Banjaqui, Martim Perestrelo não tem grandes dúvidas.
"Tinha a confiança de que iria chegar a profissional pelas qualidades que já possuía. Apesar de ser um ano mais novo, já era melhor do que jogadores da faixa etária superior", reforça ao Flashscore.
A qualidade era importante, mas havia um fator ainda mais diferenciador no caso do jovem hoje em destaque no Benfica: o lado familiar.
Daniel é irmão de Figo Banjaqui e Zidane Banjaqui e primo de Maldine Semedo e Rivaldo Semedo, todos com ligação ao futebol e, como os nomes deixam perceber, com inspiração em algumas das grandes figuras da modalidade.
"O irmão, Zidane, já era jogador profissional. O pai sempre o acompanhou, tal como aos irmãos. Portanto, a base estrutural dele fazia acreditar que poderia chegar muito longe", explica o treinador.
Martim vai ainda mais longe na influência que esse ambiente poderá ter tido sobre o mais novo da família: "Tenho uma ideia, não sei se é mito ou não, em que acredito: sempre que temos dois irmãos que são jogadores de futebol, tenho a noção de que o irmão mais novo poderá ser melhor do que o mais velho".
No caso de Daniel, considera que esse contacto constante lhe permitiu antecipar aprendizagens. "Sendo o mais novo da sua geração familiar, entre irmãos e primos, acredito que aprendeu os gestos técnicos, as ações e as decisões muito mais cedo. Por isso, acreditava que pudesse chegar a contextos superiores relativamente ao irmão e aos primos".
Um crescimento sem saltar etapas
Daniel Banjaqui chegou ao Benfica aos 10 anos e, aos 17, já se estreava pela equipa principal. Ainda assim, nunca queimou etapas. Apesar de ser um caso precoce de qualidade e maturidade, Martim Perestrelo recorda que o lateral teve uma progressão sustentada nos encarnados, passando por todos os escalões de formação. É verdade que, na última temporada, o crescimento acelerou, mas sem atalhos.
"Passou pelas quatro equipas do clube. Fez jogos na Youth League pelos sub-19, alguns jogos nos sub-23, na Liga Revelação, a maior parte dos encontros pela equipa B e, depois, surgiu a possibilidade de jogar na Taça de Portugal contra o Farense", considera.
Agora, é impossível negar o evidente. Depois das respostas dadas frente ao Gil Vicente e ao AC Milan, o antigo treinador vê o jogador entrar definitivamente numa nova dimensão.
"Neste momento, está a ser um caso sério. Jogou contra o AC Milan, em Itália, em San Siro, e só se ouve falar muito bem da performance dele. É incrível ver o processo que teve ao longo dos anos, sem nunca desistir. Teve um acompanhamento excelente. Muitas vezes até dizia ao Zidane: 'Olha, trata bem do miúdo.' Ele merece", confessa.
Pelo caminho, Banjaqui já juntou ao currículo os títulos europeu e mundial de sub-17. "Tudo aquilo que está a conquistar, aos poucos, é muito mérito dele, porque sempre quis isto e nunca desistiu".

O compromisso antes da técnica
Velocidade, capacidade técnica, qualidade no cruzamento e no último passe. São várias as características que ajudam a definir Banjaqui, mas Martim Perestrelo escolhe outra quando lhe perguntam pela maior qualidade do lateral.
"Aquilo que mais aprecio nele é o compromisso. Sempre trabalhou muito. Apesar de ser claramente melhor em termos técnicos do que os outros, esforçava-se sempre. Apesar de ser melhor, queria ser ainda melhor. Não era por ser melhor do que os outros que se desleixava ou deixava de trabalhar", assinala.
"Claro que depois há as qualidades técnicas que possui e a velocidade, que são características muito específicas da posição dele. O último passe e o cruzamento também são atributos, mas considero-os mais secundários, porque o compromisso e a atitude que demonstra são, para mim, as maiores valências que possui", reforça.

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Martim Perestrelo acredita, por isso, que esta poderá ser a temporada de afirmação de Banjaqui na equipa principal do Benfica, com espaço para somar muitos mais minutos do que na época passada. O antigo treinador do jovem lateral não esconde sequer a ambição de o ver chegar rapidamente aos sub-21 e, mais à frente, lutar por um lugar na seleção principal.
"Este ano acredito que será o ano da afirmação e que vai fazer muitos jogos pela equipa A, mais do que no ano passado. Muito possivelmente, vai acabar o ano nos sub-21 de Portugal e, quem sabe, no futuro, não vamos ter o Nuno Mendes, mas como lateral-direito. Pode ser o caso. Imaginando que a época no Benfica corre muito bem, acredito que, mais tarde ou mais cedo, poderá vir a ser o futuro lateral-direito da seleção. É aquilo que desejo e acredito que vai trabalhar para alcançar isso", projeta ao Flashscore.
Zidane, Rivaldo, Maldine... e Daniel Armando
Por fim, há ainda uma curiosidade familiar difícil de ignorar nesta conversa com Martim Perestrelo. Entre Zidane, Figo, Rivaldo e Maldine, Daniel parece, à primeira vista, ter escapado à tradição da família de nomes inspirados em craques do futebol mundial. Mas só à primeira vista. É que o segundo nome de Daniel é... Armando. Uma referência a Diego Armando Maradona.
"Toda a gente fala porque Zidane é o primeiro nome, Rivaldo é o primeiro nome e o primeiro nome do Daniel é... Daniel. Mas ele é Daniel Armando. E claro que podemos associar Armando a Diego Armando Maradona... Ele também tem nome de craque!", brinca Martim Perestrelo.
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A hipótese da inspiração em Maradona fica lançada. Mas, para quem o conheceu ainda criança, Daniel pode não precisar de pedir emprestado o nome a ninguém.

"Se continuar a acreditar nele próprio, como tem feito até aqui, o futuro vai ser muito risonho e acredito que ainda vamos ouvir falar muito do Daniel Banjaqui. Daniel Armando Banjaqui", perspetiva.
E Martim Perestrelo termina com uma frase que ganha ainda mais significado numa altura em que aquele miúdo de quem guarda boas memórias dos tempos no Real SC se prepara para os grandes palcos e pode ter no clássico mais uma oportunidade para mostrar que chegou para ficar.
"Daniel vai ser nome de craque. Não precisa de se chamar Armando. Vai ser Daniel", remata.
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