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"Tudo o que esteja ligado ao futebol é onde me vejo"
- Como é que se encontra, a nível pessoal e profissional? Já pensa em novas funções no futebol?
Encontro-me bem, felizmente. Tive a oportunidade de tirar algum tempo para a família, algo que enquanto jogador profissional é difícil. Agora é uma fase de preparação: tenho vindo a formar-me, como já referi noutras ocasiões, para estar pronto quando surgir uma oportunidade. Quero estar o mais preparado possível para agarrá-la e dar uma boa resposta.
- Quando fala em oportunidades, refere-se ao futebol?
Sim, claramente. É o meio onde me sinto confortável, onde cresci. É uma grande paixão. Para além de jogar, gosto muito do jogo em si. Por isso, tudo o que esteja ligado ao futebol é onde me vejo. Qualquer função dentro do futebol é digna e será certamente por aí que passará o meu futuro.

- Vê-se mais como treinador ou dirigente? Já pensou nisso?
Sinceramente, ambas as vertentes me fascinam. Acredito que posso acrescentar valor quer numa, quer noutra, embora ainda não tenha experiência prática. Tenho vindo a preparar-me: vou iniciar o curso de treinador da UEFA (A) e já fiz uma pós-graduação em Organização e Gestão do Futebol Profissional. É algo que me despertou interesse desde cedo e até enquanto jogador me ajudava a perceber melhor o jogo. Portanto, as duas hipóteses são muito apelativas.
"Consegui concretizar um sonho de criança"
- Olhando para trás, que balanço faz da sua carreira?
Muito positivo. Consegui concretizar um sonho de criança: ser jogador profissional. Fiz carreira a um nível bastante interessante e destaco isso mesmo, a capacidade de ultrapassar obstáculos que vão surgindo. Fui sempre tentando adaptar-me e evoluir. Claro que, olhando para trás, há momentos em que poderia ter ido mais além, mas também poderia ter sido pior. Sinto-me orgulhoso do percurso que fiz, de ter ajudado clubes e colegas. Nunca desci de divisão, o que pode parecer um detalhe, mas nos projetos em que estive era sempre um objetivo importante. Isso demonstra consistência e sucesso coletivo.

- As experiências no estrangeiro - Bulgária, Bélgica, Grécia e Israel - também o marcaram?
Sem dúvida. Permitem-nos viver culturas diferentes e isso enriquece-nos muito. Israel, por exemplo, é completamente distinto. Na Grécia, apesar da dimensão do clube e dos adeptos, houve fatores extra-futebol que não me permitiram desfrutar totalmente da experiência. Mas levo aprendizagens importantes: diferentes formas de jogar, de treinar, de lidar com colegas e treinadores. O futebol é universal, mas vive-se de forma diferente em cada país. Tudo isso me dá bagagem para o futuro.
- Como foi o início no futebol?
É uma paixão de família. O meu irmão foi jogador profissional, o meu pai jogou a nível amador. Comecei no clube da zona onde cresci, na Abóbada, e o meu pai foi o meu primeiro treinador. As minhas primeiras memórias são com a bola: torneios, jogos, acompanhar o meu irmão. O gosto foi crescendo naturalmente e felizmente havia algum talento.
A luta pelo título: "O Sporting apresenta o melhor futebol"
- Ao longo da carreira cruzou-se com grandes jogadores e treinadores. Quem destaca?
Tive a felicidade de estar no Benfica e treinar diariamente com jogadores de topo como Pablo Aimar, Saviola, Gaitán ou Matic. Depois, ao longo da carreira, joguei contra nomes como Hulk, Falcão, Bruno Fernandes, Trossard ou Malinovskyi. São muitos anos e muitos jogadores.
Em relação a treinadores, gostei muito de Jorge Jesus pela riqueza das ideias. O Bruno Lage também me marcou na formação. Depois há nomes menos mediáticos, mas muito importantes para mim, como Jorge Simão e Daniel Sousa, que tiraram o melhor do meu futebol. E não posso esquecer Rui Vitória, fundamental na minha transição para sénior.

- Para terminar, como olha para a luta pelo título em Portugal?
Neste momento, parece-me uma corrida a dois. Depois do último empate do Benfica, creio que ficou mais claro. Sporting e FC Porto são os principais candidatos. O Sporting, na minha opinião, apresenta o melhor futebol, mas o FC Porto tem sido mais consistente e pragmático. Mesmo quando não joga tão bem, ganha, e isso é muito importante num campeão. Se o campeonato terminasse hoje, seria justo para o FC Porto, mas ainda há muito por jogar. Vai ser disputado até ao fim.
