Exclusivo com Ferro: “Acho que devíamos valorizar mais o jogador português”

Ferro foi um dos esteios do Estoril esta época
Ferro foi um dos esteios do Estoril esta épocaEstoril, Flashscore

Ferro foi um dos esteios do Estoril, emblema que terminou esta edição da Liga Portugal num confortável décimo lugar. O defesa-central foi um dos homens de confiança do treinador Ian Cathro, tendo sido utilizado em 27 das 34 jornadas do campeonato e ainda apontou dois golos.

Acompanhe o Estoril no Flashscore

Aos 29 anos, o defesa fez um balanço da carreira, falou sobre o trajeto nos canarinhos e revelou que ainda tem muitos sonhos por concretizar.

Nesta entrevista ao Flashscore, o internacional pelos escalões de formação de Portugal jogou ao ataque, não deixou nenhum tema por responder, abordou a questão da saúde mental no desporto, pelo caminho revisitou o capítulo no Benfica, elogiou Bruno Lage e pediu que os clubes portugueses apostem mais no talento luso, dando o exemplo daquilo que ocorre em Espanha.

Ferro abordou vários temas
Ferro abordou vários temasOpta by Stats Perform, Estoril-Praia

“Porque é que cá dentro o jogador português não é valorizado?"

- A época terminou há poucos dias. Gostaríamos que o Ferro fizesse um balanço dos últimos meses, quer em termos pessoais, quer coletivos. Foi uma temporada bastante positiva, realizou 27 jogos e marcou dois golos. Parece que voltou a ganhar alguma confiança. Fale-nos um pouco sobre isso?

Sim, acho que em termos gerais foi uma época muito positiva. A nível pessoal, tendo em conta as últimas temporadas, até mesmo a do ano passado em que estive no Estrela da Amadora. Individualmente, foi muito importante para voltar a ganhar confiança. A nível coletivo, apesar de nos últimos jogos os resultados não terem sido os melhores, embora as exibições não tenham sido más, acabámos em décimo lugar, que não era o objetivo que queríamos atingir, mas, no fundo, acaba por ser uma boa época para o Estoril. A nível pessoal, para a confiança acaba por ser positivo, mas não me posso agarrar a isso porque fazer uma boa época, se calhar muitos fazem, agora o objetivo é dar continuidade e não baixar o nível na próxima temporada. Mas este ano, a nível pessoal, foi muito positivo.

- O que acha que aconteceu nessas últimas jornadas? Depois de assegurado o objetivo principal, que era a manutenção, pareceu que a equipa desligou um pouco. É apenas impressão? 

Não acho que tenha sido uma questão de desligar. Nos primeiros seis ou sete jogos também se falou muito do Estoril, sobretudo pelos resultados, mas nós mantivemos sempre o mesmo discurso: continuar a trabalhar e manter o processo. Claro que é bom ouvir elogios e perceber que as pessoas valorizam aquilo que fazemos, mas isso vale o que vale. A nível pessoal, ajuda na confiança, mas não me posso agarrar apenas a isso. Fazer uma boa época muitos conseguem; o objetivo agora é dar continuidade e manter este nível, porque sinto que esta temporada foi muito positiva para mim.

- O Ferro tem mais um ano de contrato com o Estoril. Vai renovar? Quais são os seus objetivos olhando para o futuro?

Neste momento, tenho contrato e pretendo cumpri-lo. Claro que, no futebol, nunca podemos dizer o que vai acontecer amanhã, mas estou feliz no Estoril e é aqui que quero continuar. Depois, se surgir uma proposta de renovação ou até uma oportunidade vantajosa para todas as partes, poderá acontecer, mas, neste momento, estou concentrado no Estoril e muito contente aqui, muito contente no Estoril.

O mapa com os passes de Ferro na Liga Portugal
O mapa com os passes de Ferro na Liga PortugalOpta by Stats Perform

- E na próxima época continuará a ser treinado no Estoril por Ian Cathro?

Isso já não me cabe a mim dizer, terão de entrevistar outra pessoa (risos). 

- O que torna o mister Cathro especial?

Acho que é muito a forma como olha para o jogo e a mensagem que passa. Quando chegou ao Estoril, falou logo em não olhar apenas para a manutenção, mas para outros objetivos. Ele transmite-nos muita estabilidade e, acima de tudo, faz-nos acreditar que podemos competir sem medos, seja contra quem for. Claro que umas vezes corre melhor e outras pior, mas acho que essa mentalidade é muito importante.

- O treinador falou recentemente sobre a possibilidade de haver uma mudança e que o Estoril comece a lutar por objetivos mais ambiciosos no futuro. O Ferro acredita que este plantel tem capacidade para isso?

Acho que sim. Isso também mostra a exigência do mister Ian Cathro. Nunca sabemos antes de começar uma época, mas acredito que temos qualidade para isso. Com toda a gente alinhada e a remar para o mesmo lado, pode ser uma realidade no Estoril. Sabemos que é difícil, porque há equipas com muito mais orçamento, mas acho que temos razões para acreditar.

Ferro tem mais um ano de contrato com os canarinhos
Ferro tem mais um ano de contrato com os canarinhosEstoril

"Faltou estabilidade emocional no Benfica"

- O Ferro surgiu muito cedo na equipa principal do Benfica. Olhando para trás, sente que faltou alguma coisa para hoje estar, por exemplo, ao nível de um Rúben Dias?

É difícil responder. Talvez tenha faltado alguma estabilidade emocional. Quando estava lá em cima, achava que estava tudo bem, quando as coisas começaram a correr menos bem, parecia que estava tudo mal. E, sendo muito novo, não tinha essa estabilidade que é necessária no futebol. Acho que isso acabou por influenciar muita coisa.

- Falou várias vezes em estabilidade emocional. Teve algum acompanhamento psicológico ou especializado?

Neste momento não, mas já tive. Trabalhei durante alguns anos, sobretudo após a fase mais complicada da minha carreira, e ajudou-me bastante. Fez-me perceber que, quando as coisas não estão a correr bem, não significa que esteja tudo mal.

Acho que nenhum jogador de 20 ou 21 anos está preparado emocionalmente para lidar com certas situações. Felizmente, fala-se cada vez mais sobre esse tema no futebol e isso é muito importante. Trabalhei com mais do que uma pessoa e ajudaram-me muito.

- Sente que ainda pode dar o salto e cumprir as expectativas que existiam quando surgiu na equipa principal do Benfica?

Sinceramente, já me preocupei muito mais com isso do que hoje. Uma das coisas que aprendi foi precisamente não pensar demasiado no que podia ter acontecido ou no que pode acontecer daqui a um ou dois anos. Tento viver o dia a dia, treino a treino, jogo a jogo. O mais importante é sentir-me feliz dentro de campo e estar bem física e mentalmente. Claro que continuo a ter sonhos, como qualquer jogador, mas sempre com os pés bem assentes no chão. Ser feliz dentro de campo, que é uma das coisas que eu falo, tenho falado muito ultimamente porque acho que é muito importante os jogadores sentirem-se bem, sentirem-se felizes em estar dentro de campo e não entrar naquela espiral negativa que às vezes acontece. Por isso, sinceramente, não penso mesmo nisso, lá está, penso no próximo treino, no próximo jogo, tentar estar ao meu melhor nível e bem fisicamente, que também é muito importante, depois de tudo o que já aconteceu. Por isso, claro que há sonhos, há várias coisas que um jogador tem que ter, mas sempre com os pés no chão e nunca pensar no que vai acontecer daqui a um ano, daqui a dois, mas sim no amanhã.

Ferro foi campeão ao serviço do Benfica
Ferro foi campeão ao serviço do BenficaPATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP

- A Seleção Nacional continua a ser um desses sonhos que refere?

Claro que sim. Toda a gente sonha em representar a seleção. Sei perfeitamente que é muito difícil, sobretudo jogando num clube fora dos chamados três grandes. Basta olhar para jogadores como o Ricardo Horta, que nem foi convocado para o Mundial. Mas sonhar faz parte e acho que qualquer jogador deve ambicionar isso, mesmo sabendo das dificuldades. Lá está, sonho, claro que toda a gente tem esse sonho, sei perfeitamente que é muito difícil, não desfazendo o Estoril, mas sabendo que jogando na Liga Portuguesa, sem ser nos três grandes, no próprio SC Braga. Sei que é difícil, mas é um sonho e acho que toda a gente pode ambicionar ou sonhar com tal coisa, mas sei perfeitamente que é muito difícil neste momento. 

- O Ferro já partilhou o balneário com vários craques. Vamos pedir que vista a pele de treinador e escolha um onze ideal com os melhores jogadores com quem já jogou?

Na baliza, o Odysseas Vlachodimos. Gostei muito de jogar com ele. No lado direito da defesa, escolho o André Almeida, no centro da defesa, o Rúben Dias e o Gabriel Paulista e na esquerda o Grimaldo. No meio-campo o Carlos Soler, na direita o Pizzi, na esquerda o Gonçalo Guedes, mais por dentro, o João Félix e na frente o Rafa e o Darwin Núñez.

- Quem foram os treinadores com quem trabalhou que mais o marcaram até ao momento?

Tenho de falar sempre do Bruno Lage, porque foi ele quem apostou em mim e lançou-me na equipa principal do Benfica. Depois gostei muito de trabalhar com o Valdas Dambrauskas no Hajduk Split. Apanhou-me numa fase complicada da carreira e devolveu-me a confiança. E também gosto muito de trabalhar com o Ian Cathro.

Defesa pede que se aposte mais no jogador português
Defesa pede que se aposte mais no jogador portuguêsOpta by Stats Perform, Estoril-Praia

A referência Luisão, o craque Pirlo e o teto do portista Dominik Prpić

- Quem são as suas principais referências e ídolos no universo do futebol?

Como vivi muitos anos no Seixal, o grande exemplo foi sempre o Luisão. Depois, um jogador de quem sempre gostei muito foi o Pirlo. Era diferente, talvez tivesse dificuldades no futebol atual, mas gostava muito dele.

- Se o Ferro pudesse, o que mudaria no futebol português?

Acho que devíamos valorizar mais o jogador português. Há jogos em que não está um português no onze inicial e, às vezes, nem no banco. Se o jogador português é tão valorizado lá fora, porque é que cá dentro não acontece o mesmo? Talvez fizesse sentido existir uma regra para obrigar os clubes a terem um número mínimo de portugueses na ficha de jogo. Acho que isso podia ser muito positivo para o campeonato e também para a seleção. Mesmo olhando para o espetáculo em si, o jogo, aquelas paragens todas que nós temos, aquelas manhas... É sempre relativo, porque se calhar ia entrar em coisas mais relacionadas com arbitragem e acho que ninguém ganha, nem eu como jogador, acho que ninguém ganha a falar dessa parte da arbitragem, acho que é deixar toda a gente fazer o seu trabalho, todos temos jogos bons,  jogos maus, acho que não é por aí.

- E porque acha que isso acontece? 

Não sei, é difícil de explicar, mas lá fora, se calhar também dizem o mesmo dos jogadores do país, acho que tem muito a ver, o único sítio que eu acho que valorizam muito os próprios jogadores é em Espanha, quando estive no Valência, sentia isso. Na Croácia já não senti que os croatas fossem muito, entre aspas, bem vistos pelos adeptos, se calhar até preferiam gente de fora, mas acho que temos que valorizar muito e acho que se nos valorizam tanto lá fora, porque é que nós não nos valorizamos? E acho que isso poderia ser uma coisa muito boa para o campeonato português e para o jogador português, acho que poderia ser muito bom, até para podermos levar, lá está, mais gente à seleção do nosso campeonato e não ser tudo lá fora. 

- Quais foram os jogadores mais difíceis que teve de marcar até agora?

Lembro-me logo do Marega e do Aboubakar, eram fortíssimos fisicamente. Depois, quando estive em Espanha, apanhei jogadores como o Benzema ou o Timo Werner. Se tivesse de escolher dois, talvez estes últimos dois. 

Os números do central esta época no campeonato
Os números do central esta época no campeonatoEstoril/Opta by Stats Perform

 - Como resume a sua passagem pelo Benfica. Foi formado no Seixal, acabou por ser um elemento importante no campeonato conquistado em 2018/19?

Fui muito feliz no Benfica. Foi o clube que me lançou para o futebol profissional e para o mundo. Tudo aquilo que sou hoje começou ali. Claro que as coisas acabaram por não correr exatamente como eu e o clube queríamos, mas só tenho a agradecer tudo o que vivi lá. Acho que sobre o Benfica não há muito a dizer, foi muito feliz enquanto lá estive, o início da minha carreira foi no clube, lançou-me para o mundo do futebol e para toda a gente se calhar hoje sabe quem é o Ferro devido ao que aconteceu no Benfica. Só tenho a agradecer tudo o que passei lá e acho que não há muito mais a dizer, como disse, fui muito feliz, acabou por não correr se calhar tão bem como eu e ele esperávamos, mas enquanto lá estive acho que ninguém pode apontar nada e saí de lá bem. 

- A sua carreira já conta com vários capítulos, um dos quais no Valência, como recorda esse momento?

Gostava de ter ficado mais tempo. Só estive seis meses, mas sentia que tinha condições para mostrar mais. Em Espanha valorizam muito o jogador espanhol e isso tornou as coisas mais difíceis, mas gostei bastante da experiência.

- O Hajduk Split acabou por surgir no período mais tortuoso da sua carreira, foi um clube que o marcou muito?

Muito. Não só o clube, mas também a cidade e as pessoas. Foi dos sítios onde mais me senti em casa. Tanto que, quando saí, quis voltar. Infelizmente, depois aconteceu a lesão e as coisas acabaram por não correr como eu queria, mas foi dos clubes onde mais gostei de estar.

Os números de Ferro esta temporada na Liga Portugal
Os números de Ferro esta temporada na Liga PortugalOpta by Stats Perform

- Na passagem pelo Hajduk Split, jogou com o Dominik Prpić que agora está no FC Porto. Qual é a sua opinião sobre ele?

Ele ainda era muito novo. Gosto muito das características dele, é um daqueles centrais fortes a construir, joga com o pé esquerdo, que agora estão muito na moda, são muito valorizados, e lá está, como ainda é um miúdo, acho que tem muito para crescer, mas também precisa de jogar, infelizmente, se calhar não teve os minutos que precisa de ter para conseguir evoluir. É um jogador que tem um teto alto. Já gostava muito dele, mas não jogou muito quando eu estive lá, ainda era sub-19, penso eu, mas já treinava connosco e já sabia que poderia crescer muito. Mas para se crescer é preciso jogar, e acho que é por aí que pegou um bocadinho esta época dele no FC Porto, mas está, tem tudo para poder ainda correr bem. Falei com eles depois dos dois jogos que fizemos contra o FC Porto, também trocamos a camisola porque são amizades que acabam também por ficar.

- E a experiência no Vitesse?

Foi provavelmente a experiência de que menos gostei. A cultura é muito diferente da nossa e tive dificuldade em adaptar-me. Além disso, o clube estava numa situação muito complicada por causa da guerra na Ucrânia e da ligação do presidente à Rússia. Havia muita instabilidade.

- O Estrela da Amadora acabou por ser importante para relançar a carreira?

Sem dúvida. Tenho de agradecer muito ao Estrela por me ter aberto novamente as portas em Portugal, sobretudo sabendo da situação do meu joelho. Quando assinei, ainda estava longe de poder competir. Deram-me tempo para recuperar e voltar a sentir-me jogador.

- Foi colega de equipa do Pizzi no Benfica e agora no Estoril. Acho que ele foi sempre um jogador subvalorizado?

Concordo totalmente. Acho que nunca se valorizou verdadeiramente aquilo que ele fez. Os números falam por ele. Mas isso também diz muito sobre a personalidade dele: é uma pessoa muito tranquila, humilde, que nunca precisou de aparecer demasiado. Na minha opinião, só daqui a uns anos é que as pessoas vão perceber realmente o impacto e a qualidade que ele teve no futebol português.

Se o elogiarem muito bem, se não elogiarem, está tudo bem na mesma, isso é uma coisa que eu gosto muito nele, a humildade que ele tem, e depois, acho que o que acaba por, não vou dizer manchar, porque eu acho que não é manchar, foi o que se falou sobre ele, principalmente na altura que ele acabou por sair do Benfica e na altura que houve os despedimentos, que houve muita gente a querer, se calhar, metê-lo como o mau da fita, entre aspas. Mas do que convivi com ele, não tem cabimento nenhum o que disseram sobre ele, e acho que pode ter sido por aí também não o terem valorizado tanto devido a essas situações, mas só tenho coisas boas a dizer dele, tanto dentro como fora de campo, e sem dúvida que vai deixar marca, e acho que se for daqui a uns anos, ou agora que ele acabou, é que as pessoas vão olhar para trás e perceber realmente o que ele fez e os números que teve cá em Portugal.

Ferro jogou com Pizzi no Benfica e no Estoril
Ferro jogou com Pizzi no Benfica e no EstorilEstoril

- Vários jogadores do Estoril exibiram-se a um excelente nível esta época. Quem é que do atual plantel poderá dar o salto a breve trecho?

O Begraoui com os golos que fez, acho que é difícil não se falar nele, e acho que mesmo para o Estoril será difícil mantê-lo, não sei de nada, nem perto nem de longe, mas acho que com os números que tem, também tem todos os motivos para ambicionar outras coisas, mas há vários. Mas também vejo muito potencial no Felix Bacher, no Kévin Boma, no Jordan Holsgrove, no João Carvalho ou no Rafik Guitane. Há vários jogadores com qualidade e que podem ambicionar atingir outros patamares. Acho que têm todos os motivos para ambicionarem outras Ligas, se assim o quiserem, porque se calhar há jogadores que não o querem, que gostam, e estão bem com o Estoril. 

- O Mundial-2026 está à porta. Portugal pode sonhar com o título?

A ambição e o sonho têm de existir. Caso contrário, mais vale nem ir. Temos muita qualidade, mas sabemos que há seleções fortíssimas. Ainda assim, acho que Portugal tem condições para lutar pelo título. É pensar jogo a jogo, ninguém é campeão só a ganhar a final, vão ter de passar por todas as fases. 

- E além da nossa seleção, quem são os outros candidatos ao título?

A França. É impossível não olhar para a qualidade individual que têm. Depois também coloco o Brasil, porque tem jogadores capazes de decidir jogos a qualquer momento.

- Numa espécie de remate final, que mensagem o Ferro gostaria de deixar aos adeptos do Estoril?

Apenas agradecer. Nunca nos faltou apoio, tanto em casa como fora. Estiveram sempre connosco, mesmo nos momentos mais difíceis. Peço apenas que continuem ao nosso lado, porque sabemos que vão existir bons e maus momentos, e o apoio deles faz toda a diferença.

Os resultados do Estoril nas últimas jornadas da Liga
Os resultados do Estoril nas últimas jornadas da LigaFlashscore