"Sempre disse ao presidente que ficaria no clube enquanto ele lá estivesse"
- Depois de quatro anos no Vitória SC, que balanço faz hoje da sua passagem pelo clube?
Considero que o balanço é muito positivo. No plano desportivo, conseguimos participar em competições europeias, batemos o recorde de vitórias consecutivas de um clube português em provas internacionais, alcançámos um recorde de pontos no campeonato português, conquistámos uma Taça da Liga e valorizámos vários jogadores. Alguns vieram da segunda divisão portuguesa ou do centro de formação do clube, o que nos permitiu gerar mais de 100 milhões de euros em vendas.
- O Vitória SC conquistou a Taça da Liga esta época. Considera que este título representa o culminar do trabalho realizado nos últimos anos?
Sim, penso que sim. Conquistámos o terceiro título da história do clube.
- Em que momento percebeu que o seu ciclo no Vitória SC estava a chegar ao fim?
Sempre disse ao presidente que ficaria no clube enquanto ele lá estivesse. Quando decidiu sair, deixou de fazer sentido para mim continuar.
- Como encara o futuro? Já tem algum projeto ou pistas para dar seguimento à sua carreira?
Quero continuar a trabalhar na direção desportiva, porque é isso que me apaixona. Sou um profissional e agora trata-se de analisar os projetos que me forem apresentados para escolher aquele que melhor se adequa a mim.
- Pode explicar-nos como é o seu método de trabalho no dia a dia? Como é um dia típico na vida de Rogério Matias?
Chego cedo ao clube e vou diretamente para o meu gabinete. Consulto todos os meus e-mails e leio as notícias do dia. Depois, assisto ao treino da equipa e falo com a equipa técnica. Mais tarde, volto ao gabinete para reunir com o departamento de scouting e analisar com eles os jogadores que estamos a acompanhar. É um trabalho constante: temos de procurar talentos em todo o mundo de forma permanente.

"Um clube não deve contratar só por contratar"
- Falemos agora da sua visão sobre o futebol. Que papel têm hoje os dados e a análise estatística no seu processo de decisão?
Os dados são muito importantes porque nos dão referências sobre o que um jogador está a fazer atualmente e sobre o que pode vir a fazer no futuro. São uma ferramenta valiosa na tomada de decisão, mesmo que não sejam o fator determinante.
- Entre as estatísticas e o olhar do scouting, qual deve ter a última palavra quando se trata de tomar uma decisão desportiva?
Penso que é fundamental conhecer bem o jogador, tanto a nível profissional como no seu contexto familiar. Quanto mais informações tiver sobre ele, menor é o risco de cometer um erro.
- Na sua opinião, qual é o principal erro que um clube deve evitar ao construir o seu plantel?
Um clube não deve contratar só por contratar. As entradas devem responder a necessidades concretas. Ao mesmo tempo, é importante saber aproveitar o potencial dos jogadores formados no clube.
- Quais são as conquistas de que mais se orgulha ao longo da sua carreira, enquanto jogador e depois como dirigente?
Como jogador, ter representado a seleção nacional de Portugal. Como dirigente, o trabalho realizado neste período no Vitória SC, onde batemos vários recordes e permitimos que muitos jovens formados no clube se afirmassem no futebol português e europeu.

Elogios a Diogo Sousa: "Estrasburgo fez uma excelente contratação"
- Diogo Sousa deverá juntar-se ao Estrasburgo nas próximas semanas. Acompanhou de perto a sua evolução e conhece-o bem. Para os adeptos da Ligue 1 que ainda não o conhecem, pode apresentar-nos o jogador: o seu percurso, as suas qualidades, o seu perfil e o seu potencial?
O Diogo é um jogador com uma personalidade muito forte. Não tem receio de assumir responsabilidades com bola, é intenso no jogo e tem uma qualidade técnica muito acima da média para um jogador de apenas 20 anos. Tem um futuro muito promissor. O Estrasburgo fez uma excelente contratação.
- Qual foi o processo ou a operação mais complexa que teve de gerir no Vitória SC?
Foi a contratação do Mikey Johnston, emprestado pelo Celtic. Estávamos a poucas horas do fecho do mercado e foi uma verdadeira corrida contra o tempo para concluir todos os procedimentos necessários e inscrever o jogador a tempo no campeonato português.

- Com o distanciamento do tempo, que decisão desportiva tomada nestes anos teve maior impacto no crescimento do clube?
A melhor decisão foi acabar com a equipa de sub-23 e fazer evoluir os jovens do centro de formação na equipa B, que jogava na quarta divisão. Assim, defrontavam jogadores adultos, o que acelerava o seu desenvolvimento. O tempo deu-nos razão, pois vários jovens passaram da equipa B para a equipa principal antes de serem transferidos por valores elevados, como o Alberto Costa para a Juventus por 13 milhões de euros, o Diogo Sousa para oEstrasburgo por 11 milhões de euros ou ainda o Noah Saviolo para o Trabzonspor por 11,5 milhões de euros.
- Qual é hoje, na sua opinião, o maior desafio para um clube como o Vitória SC no futebol europeu atual?
O Vitória SC tem de lutar sempre pelos lugares europeus. Isso tem de ser uma exigência permanente do clube.
