Desde cedo, centenas de pessoas concentraram-se junto ao palco montado na Avenida dos Aliados, antecipando a chegada do autocarro panorâmico que transportou os jogadores ao longo do percurso entre a zona ribeirinha e o coração da cidade.
À medida que a noite avançava, a mole humana foi crescendo, entre cânticos, bandeiras, fumos azuis e buzinas incessantes, numa atmosfera de euforia coletiva que tomou conta das principais artérias da cidade invicta.
Pouco passava das 23:30 quando o autocarro surgiu na Avenida dos Aliados, avançando lentamente por entre milhares de adeptos em delírio, muitos deles empoleirados em candeeiros, paragens de autocarro e varandas improvisadas para tentar vislumbrar os novos campeões nacionais.
“Isto é o Porto, isto não se explica”, gritava Rui Moreira, de 54 anos, envolto numa bandeira gigante dos dragões, enquanto abraçava o filho.
O FC Porto comemorou no sábado a conquista do seu 31.º título de campeão nacional de futebol, depois de encerrar o campeonato com a receção vitoriosa ao Santa Clara, por 1-0.
“Esperei o dia todo aqui. Valeu cada minuto”, confessou Mariana Teixeira, estudante universitária de 21 anos, com a voz rouca depois de horas a cantar.
No palco instalado em frente à Câmara Municipal, os primeiros a subir foram o treinador Francesco Farioli e o capitão Diogo Costa, empunhando o troféu de campeão perante uma explosão de aplausos e fogo-de-artifício.
“Portistas, celebremos juntos”, gritou Farioli aos microfones, numa frase imediatamente repetida pela multidão em uníssono, antes da restante equipa subir ao palco ao som do hino do clube e de cânticos que ecoaram por toda a baixa portuense.
A festa prosseguiu depois na varanda da Câmara Municipal do Porto, onde jogadores, equipa técnica e dirigentes ergueram novamente o troféu perante uma praça completamente lotada. Entre cachecóis erguidos no ar e telemóveis apontados ao céu, os adeptos responderam com um ensurdecedor “campeões, campeões”, prolongando uma noite que ficará marcada na memória da cidade.
“O Porto pode ganhar muitas vezes, mas isto nunca deixa de ser especial”, dizia António Ferreira, reformado de 68 anos, enquanto observava emocionado a festa nos Aliados.
A festa vai continuar pela noite dentro, com milhares de pessoas a não arredarem pé do centro da cidade para celebrar com o clube novamente campeão nacional de futebol, quatro anos depois.
