Grupo de sócios do Benfica avança para Tribunal para impugnar AG onde Benfica District foi aprovado

Benfica District foi aprovado em Assembleia Geral em janeiro
Benfica District foi aprovado em Assembleia Geral em janeiroSL Benfica

Um grupo de sócios do Benfica decidiu avançar para Tribunal, visando impugnar a Assembleia Geral de janeiro, onde os sócios aprovaram o Benfica District, projeto apresentado pela direção liderada por Rui Costa.

Gonçalo Almeida Ribeiro, João Ferreira Leite, Pedro Cardigos, Cristina Santos Silva, João Marecos e Márcia Vala, sócios do Benfica, avançaram para tribunal contra a Mesa da Assembleia Geral do Benfica, que presidida por José Pereira da Costa.

Em causa não está a decisão dos associados, mas sim o método de votação eletrónico que, de acordo com estes sócios, não está abrangido pelos estatutos do clube da Luz.

Gonçalo Almeida Ribeiro, na Lista de Noronha Lopes, e João Ferreira Leite, pelo movimento Servir o Benfica e apoiado por João Diogo Manteigas, ambos candidatos a presidente da MAG, João Marecos, candidato a vice-presidente da MAG, e Ana Cristina Santos Silva, candidata a secretária da MAG, decidiram assim recorrer à Justiça para impugnar a referida Assembleia Geral, aos quais se juntaram Márcia Vala e Pedro Cardigos dos Reis, que não foram candidatos nas últimas eleições. 

Recorde-se que, em janeiro, os sócios do Benfica aprovaram o plano da direção de Rui Costa de avançar para a construção do Benfica District, com cerca de 60 por cento dos votos. 

Comunicado na íntegra:

"Seis juristas e sócios do Sport Lisboa e Benfica intentaram ação judicial para anular a deliberação da Assembleia Geral Extraordinária de 3 de janeiro de 2026, por violação das regras de funcionamento da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica, consagradas nos Estatutos, pela qual é responsável a MAG.

Três semanas antes da AG, os Autores e outros cinco sócios enviaram ao Presidente da MAG uma carta com doze perguntas sobre a legalidade do modelo de participação na Assembleia e de votação anunciados. Os pedidos de esclarecimento não obtiveram resposta.

Quanto ao modelo de votação, a MAG sabia, porque a Assembleia Geral o tinha decidido há menos de um ano, que os sócios do Sport Lisboa e Benfica não aceitaram voto eletrónico sem garantias. Ainda assim, a MAG decidiu que dezenas de milhares de pessoas pudessem votar numa AG através de urnas eletrónicas e de uma app, ambas sem controlo efectivo e confiável sobre quem exerceu o direito de voto.

São demasiados os relatos de irregularidades ocorridas a 3 de janeiro de 2026 para que os Autores desta ação fiquem de braços cruzados. Acresce que o modelo remoto de AG desfigura a natureza deliberativa do órgão, transformando um processo democrático, participado e dialogado, num plebiscito ou referendo às propostas da Direção.

Não está em causa o mérito da deliberação tomada, seja o que for que sobre a mesma se pense, mas antes uma questão prévia e de alcance bem mais profundo: a necessidade de salvaguardar a integridade e a legalidade democráticas no Sport Lisboa e Benfica.

A ação visa, pois, a defesa destes valores inegociáveis, que perpassam os Estatutos do Clube e caracterizam a história e o espírito da maior instituição desportiva nacional."