Investidores norte-americanos levam ações da Benfica SAD para novos máximos

Ações da Benfica SAD valorizaram 24% desde a entrada do fundo norte-americano
Ações da Benfica SAD valorizaram 24% desde a entrada do fundo norte-americanoANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

A entrada do fundo norte-americano Entrepreneur Equity Partners no capital da Benfica SAD, com a compra de 16,38% ao empresário José António dos Santos, anunciada na segunda-feira, fez disparar as ações das águias para novos máximos.

Há dois dias, no fecho da sessão bolsista na Euronext Lisboa, poucas horas antes de o acordo ter sido revelado ao mercado, os títulos da Benfica SAD tinham uma cotação unitária de 6,58 euros, tendo fechado hoje nos 8,16 euros, um aumento de 24%, depois de terem alcançado durante o dia os 8,28 euros, um novo máximo histórico.

O frenesim em torno das ações encarnadas também é refletido em termos do volume de transações, com mais de 22 mil papéis a mudarem de mãos só na quarta-feira, uma tendência já verificada na véspera, e a capitalização bolsista está agora próxima dos 188 milhões de euros (ME).

Ainda assim, um valor abaixo da avaliação de mercado superior a 250 ME dada pela Entrepreneur Equity Partner à SAD benfiquista, seguindo a informação avançada pela Bloomberg, que noticiou que o negócio feito com José António dos Santos, presidente do Grupo Valouro, e conhecido por Rei dos Frangos, foi acordado a um preço entre 10 e 11 euros por ação.

Em termos oficiais, os valores da operação de venda de 3.767.400 ações, correspondentes a 16,38% da Benfica SAD, não foi comunicada, com as partes a revelarem apenas que o entendimento foi alcançado em 23 de abril, e comunicado ao Benfica no dia seguinte.

E a adiantarem que "a concretização da transmissão das ações está prevista para ocorrer até final do mês de julho de 2026", conforme os documentos divulgados através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Caso a operação tivesse ocorrido à cotação das ações da Benfica SAD, de 6,58 euros por título (no fecho da sessão de segunda-feira), a posição adquirida pelo fundo Entrepreneur Equity Partners, teria um valor próximo de 25 ME (24.789.492 euros).

Mas, seguindo o valor médio do intervalo avançado pela Bloomberg (10,5 euros por ação), então o montante sobe para 40 ME, representando um prémio de cerca de 60% pago pelos norte-americanos.

Certo é que, caso se concretize a operação, a Entrepreneur Equity Partners torna-se a segunda maior acionista da Benfica SAD (13,68%), a seguir ao Benfica, cuja posição ascende em termos globais a 63,70%.

Porém, não é o único fundo norte-americano presente no capital da SAD da Luz, já que, de acordo com os dados oficiais do último Relatório e Contas publicados pelo clube da Luz, em fevereiro, a LSP Lisbon (Scotland), que pertence ao fundo Lenore Sports Partners (LSP), detém 5,24%, adquiridos há cerca de um ano ao ex-presidente dos encarnados, Luís Filipe Vieira.

Estas são as três participações de relevo no capital da SAD benfiquista, com os norte-americanos a dominarem quase um quinto (20%), e com os restantes 14,68% nas mãos de pequenos investidores.

Olhando para as SAD dos dois maiores rivais do clube liderado por Rui Costa, a agitação recente nas águias não contagiou nem o Sporting, nem o FC Porto, que têm um núcleo acionista estável há alguns anos.

Na SAD leonina, o Sporting detém uma posição global de 88%, com a Holdimo, detida pelo empresário angolano Álvaro Sobrinho, a deter quase 10% (9,91%), com uma fatia residual (na ordem de 2%) nas mãos dos pequenos investidores. Os títulos da Sporting SAD fecharam a sessão de hoje com uma cotação unitária de 0,98 euros, avaliando-a em quase 198 ME.

Por seu turno, a SAD dos dragões tem o FC Porto como detentor de praticamente 75% (74,83%) do capital, e com o empresário António Oliveira, antigo jogador, treinador e selecionador de Portugal, a assumir 7,34%, enquanto a Olivedesportos (dominada pelos herdeiros da herança indivisa de Joaquim Oliveira, irmão de António Oliveira), tem uma participação de 6,68%.

Os restantes 11% do capital da SAD azul e branca, cujos títulos fecharam a valer hoje em bolsa 2,98 euros, colocando a capitalização bolsista em 67 ME, são detidas por pequenos acionistas.