Na antecâmara do escrutínio de sábado, o líder da candidatura intitulada ‘Só Vitória’ considera que a SAD que tutela o futebol profissional está “cada vez mais dependente da venda de jogadores” e de qualificações europeias, que não conseguiu em 2025/26, face ao nono lugar, para sobreviver, face ao défice entre receitas e custos, que pretende ver diminuídos.
“Estamos sempre a vender de forma apertada. Estamos sempre sujeitos à contingência do momento, de ter de pagar salários, de ter de pagar prémios, de ter de pagar a fornecedores. Não queremos vender sob essa contingência. Queremos um Vitória muito mais estruturado, um Vitória muito mais certeiro nas contratações. Se temos dentro de portas, não vamos buscar fora. Não queremos desperdício de dinheiro”, realça, em entrevista à Lusa.
Candidato à presidência pela segunda vez, depois de ter perdido as eleições mais equilibradas na história do clube para Júlio Mendes, em 2018 – obteve 47,6% -, o sócio número 1.447 dos vimaranenses realça que a situação financeira está pior, com o passivo do clube e da SAD em mais do triplo – na altura, rondava os 23 ME e agora é de 81.
Vieira de Castro crê que o recente campeonato mostrou que o Vitória SC está a “gastar mal”, já que se classificou abaixo do Famalicão, do Gil Vicente, do Moreirense e do Arouca, equipas que, a seu ver, gastam menos, e considera adequado diminuir os gastos operacionais para o patamar dos 20 ME, numa altura em que as receitas ordinárias, excluindo transferências, se aproximam dos 15 ME.
Pronto a impor uma mentalidade vencedora no seio do clube, com o “equilíbrio financeiro” a coabitar com a “ambição desportiva”, o candidato da lista B considera descabido projetar o crescimento do futebol sem o envolvimento do V Sports, fundo que é proprietário dos ingleses do Aston Villa e que detém 29% da SAD vitoriana.
“É evidente que temos as nossas ideias para o Vitória e que vamos ouvir as ideias do V Sports. Temos a informação de que o V Sports também quer participar mais, embora em condições diferentes. Temos de perceber quais são, como são. Este ‘casamento’ tem tudo para dar certo”, refere.
Uma das áreas em que o fundo detido pelo egípcio Nassef Sawiris e o norte-americano Wes Edens pode contribuir para o futebol vitoriano na constituição do departamento de performance, que visa otimizar o rendimento da equipa sénior e das equipas de formação.
Questionado sobre a hipótese de o V Sports aumentar a sua participação no capital social ou até pretender a maioria da SAD, Júlio Vieira de Castro reitera que qualquer decisão cabe aos sócios, em assembleia-geral.
O ‘rosto’ da lista B salienta ainda que “o respeito a Gil Lameiras é inegociável”, recusando confirmar se o treinador, de 32 anos, com contrato válido até 2027, é a sua opção para liderar a equipa principal em 2026/27 e disse já ter identificadas as características para o exercício dos cargos de diretor desportivo e diretor do futebol profissional, embora rejeite adiantar nomes.
Convencido de que o Vitória não tem condições financeiras para avançar com a futura academia para o futebol profissional no imediato, embora não seja um objetivo descartado até ao final do mandato, Júlio Vieira de Castro defende ainda que a aposta na formação tem de deixar de se fazer “por necessidade”, quando não há recursos.
O candidato promete acompanhamento personalizado dos futebolistas das camadas jovens, com “planos de desenvolvimento individuais”, e um acompanhamento especial quando são chamados às seleções nacionais, ocasiões em que são “assediados pelos empresários” para mudarem de rumo na carreira.
O rosto da lista B confessa ainda que, em caso de eleição, deseja constituir uma fundação para fins sociais e abrir o museu, com saída junto à loja do clube no Estádio D. Afonso Henriques.
“O Vitória não faz dos ‘tours’ ao estádio uma fonte de receita. O Vitória, por exemplo, não se integra com as agências de viagens por forma a que quando os turistas vêm a Guimarães, o Estádio D. Afonso Henriques possa ser um ponto de visita”, lamenta.
