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Liga Portugal 2026/27: Vítor Manuel avisa que investimentos dos clubes elevam pressão sobre treinadores

Rodrigo Zalazar foi o reforço mais caro do Sporting esta época
Rodrigo Zalazar foi o reforço mais caro do Sporting esta épocaSporting

Os investimentos dos clubes aumentam a pressão sobre os treinadores dos clubes da Liga Portugal, cuja edição 2026/27 começa na sexta-feira, reconhece o técnico Vítor Manuel, justificando as mudanças frequentes nos bancos com a impaciência diretiva.

Não é um bom sinal que se dá para dentro. Os atletas têm de sentir que os técnicos têm força e parece-me que a perderam para estar mais tempo nos clubes, porque há muitos interesses em jogo. No meu tempo também havia, mas via-se outro respeito e credibilidade, mesmo que o treinador português seja hoje dos melhores do mundo”, referiu à agência Lusa o ex-médio, de 73 anos e com 505 partidas como técnico no escalão principal.

Onze dos 18 clubes primodivisionários têm novos treinadores em 2026/27, mas nem todas as alterações se deveram a maus resultados, o motivo habitual para essas mudanças, que incidiram em sete equipas em 2025/26.

Não faz sentido querer comprar uma ideia e o treinador sair passados três ou quatro jogos. Já vimos alguns serem despedidos à primeira jornada. É uma contradição. Os treinadores estão sempre a prazo, mas tem de haver mais paciência. Percebo a pressão, mas às vezes há precipitação”, frisou.

Afastado dos bancos há 11 anos, Vítor Manuel comandou Académica, SC Braga, Penafiel, União de Leiria, Belenenses, Leça, Salgueiros e Alverca na Liga e admite que mudar sistematicamente “não é bom para ninguém”, apesar da “cultura do resultado” sustentar essa tendência.

Os treinadores não fazem milagres e, por vezes, conseguem transformar em bons jogadores alguns que não têm tanta qualidade. Estas mudanças vão acontecer cada vez mais, porque os investimentos são fortes, as expectativas estão altas e as pessoas querem resultados de imediato, mas isso é muito difícil de acontecer de um momento para o outro”, enquadrou.

Vítor Manuel concorda com a entrada de investidores, mas defende “mais escrutínio”, sob pena de os projetos desportivos desmoronarem-se, e uma “melhor repartição” das receitas dos direitos audiovisuais dos jogos da I e II Ligas, cuja comercialização vai ser centralizada a partir da época 2028/29.

Benfica, FC Porto e Sporting têm de levar a maior fatia, até porque são os protagonistas e os que vendem mais, são mais vistos e têm mais imprensa, mas espero que haja bom senso. Os grandes também têm de pensar que só serão ainda melhores se os outros derem outra competitividade”, notou.

Portugal vai ter seis vagas de acesso às provas europeias para atribuir em 2026/27, ao contrário das cinco disponíveis nas últimas três épocas, após superar os Países Baixos no sexto lugar do ranking da UEFA em 2025/26.

Vítor Manuel lembra o mérito dos lusos nessa subida, que permite colocar três representantes na Liga dos Campeões - dois na fase principal e um através das pré-eliminatórias - e aumentará a disponibilidade financeira dos clubes em prol de uma maior profundidade de soluções em várias provas.

A Liga dos Campeões é cada vez mais importante para a vida dos clubes. O Sporting teve essa visibilidade na época passada. É a grande montra, além da Liga Portugal. Não é por acaso que os principais clubes europeus vêm buscar jogadores que se valorizam em Portugal. Isso é competência dos treinadores e da forma como as suas equipas são rentabilizadas”, analisou.

Vítor Manuel confia que uma “boa prospeção” pode “ajudar a evitar certas loucuras” nas transferências e sugere aos clubes que “olhem para casa” e concedam oportunidades aos futebolistas portugueses, complementando com as respetivas camadas jovens o investimento em atletas estrangeiros.

O Sporting teve essa visão de potenciar muitos jogadores da formação e falta isso a Benfica e FC Porto. Um ou outro vai aparecendo nos dois, mas não com tanta frequência e visibilidade como se vê no Sporting”, concluiu.

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