1. FC Porto
Nota: 10
Após três temporadas sem conquistar o campeonato, e numa época marcada pela mudança de ciclo iniciada por André Villas-Boas, o FC Porto recuperou o estatuto de campeão nacional. A temporada começou longe de ser tranquila: a aposta em Martín Anselmi na época anterior não resultou e obrigou a uma nova mudança no comando técnico, acompanhada por uma profunda reformulação do plantel.
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A chegada de Francesco Farioli revelou-se decisiva. O treinador italiano conseguiu construir uma equipa competitiva, com uma identidade de jogo bem definida e um futebol atrativo, superando desafios dentro e fora de campo, incluindo o impacto emocional da perda de Jorge Costa. Num ano de transformação e reconstrução, os dragões ultrapassaram as expectativas e regressaram ao topo do futebol português.
2. Sporting
Nota: 7
O Sporting viveu uma temporada de contrastes. Durante largos meses, os leões mantiveram-se firmes na luta pelo tricampeonato e chegaram a dar sinais de que poderiam discutir o título até ao fim. No entanto, dois empates consecutivos frente aos dois últimos classificados da Liga acabaram por se revelar demasiado penalizadores e custaram caro nas contas finais.
Ainda assim, a equipa orientada por Rui Borges demonstrou capacidade de reação na reta decisiva da época, recuperando terreno para o Benfica e assegurando o segundo lugar. Uma classificação que garante o acesso à Liga dos Campeões e aos importantes encaixes financeiros associados à principal competição europeia. Num ano em que o grande objetivo escapou por pouco, o Sporting cumpriu os mínimos exigidos, mas ficou aquém da ambição inicial.
3. Benfica
Nota: 4
A temporada do Benfica ficou marcada por uma enorme discrepância entre as expectativas e os resultados alcançados. A época arrancou sob o comando de Bruno Lage, mas a chegada de José Mourinho, numa mudança que surpreendeu o futebol português, elevou ainda mais a fasquia e a ambição dos encarnados. A aposta foi acompanhada por um forte investimento no mercado, com as contratações de nomes como Sudakov, Ivanovic, Dodi Lukebakio, Richard Ríos e Enzo Barrenechea.
Contudo, o impacto esperado nunca se materializou. Apesar da qualidade individual do plantel e do peso da figura de Mourinho, o Benfica falhou os principais objetivos da temporada. Não conseguiu lutar pelo título até ao fim e terminou fora dos lugares de acesso à Liga dos Campeões, um cenário inédito para os encarnados nos últimos 18 anos. Tendo em conta o investimento realizado e as expectativas criadas, a época só pode ser encarada como uma grande desilusão.

4. SC Braga
Nota: 5
O SC Braga atacou a temporada com uma ambição renovada e um investimento sem precedentes no reforço do plantel. As contratações de Tiknaz, Pau Víctor e Mario Dorgeles, entre outras, representaram um claro sinal de que os arsenalistas pretendiam aproximar-se dos três grandes e afirmar-se definitivamente na luta pelos lugares cimeiros.
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Contudo, a realidade acabou por ficar muito distante desse objetivo. Apesar da qualidade do plantel, o o conjunto de Carlos Vicens nunca conseguiu reduzir o fosso para os candidatos ao título e terminou a época a 21 pontos do terceiro classificado. Mais preocupante ainda, a margem para o Famalicão foi de apenas três pontos, evidenciando uma temporada abaixo das expectativas criadas pelo investimento realizado. O quarto lugar acaba por saber a pouco para quem gastou como nunca.
5. Famalicão
Nota: 8
O Famalicão protagonizou uma temporada absolutamente histórica e que, de certa forma, acabou por não ser devidamente valorizada. O quinto lugar conquistado em campo parecia abrir as portas das competições europeias, mas a vitória do Torreense na Taça de Portugal frente ao Sporting retirou aos famalicenses uma qualificação que parecia ao seu alcance.
Apesar dessa enorme desilusão final, a época deixa sinais muito positivos. A equipa voltou a apresentar um futebol competitivo, valorizou vários ativos do plantel e deu mais um passo firme na consolidação do projeto entre a elite do futebol português. O sentimento é agridoce pelo desfecho, mas o trabalho realizado ao longo da temporada merece elogios.
6. Gil Vicente
Nota: 8
Depois de uma temporada passada a lutar pela permanência, o Gil Vicente deu um salto qualitativo impressionante sob o comando de César Peixoto. Os gilistas passaram a maior parte da época na discussão pelos lugares europeus e assinaram uma das melhores campanhas da sua história recente, ficando apenas com a sensação de que poderiam ter ido ainda mais longe não fossem alguns resultados menos conseguidos na reta final.
O mérito torna-se ainda maior quando se olha para as saídas de duas das principais figuras da equipa, Pablo, entretanto transferido para o West Ham, e Andrew, que rumou ao Flamengo. Ainda assim, os 50 pontos conquistados e o sexto lugar final representam uma das melhores campanhas do Gil Vicente nas últimas duas décadas, apenas superada pelo histórico quinto posto alcançado em 2021/22.

7. Moreirense
Nota: 6
O Moreirense protagonizou uma temporada tranquila sob o comando de Vasco Botelho da Costa. A equipa entrou a todo o gás no campeonato e foi, durante largos meses, uma das agradáveis surpresas da Liga, chegando mesmo a instalar-se nos lugares cimeiros da tabela. Com o passar do tempo foi perdendo algum fulgor, algo natural tendo em conta a dimensão do clube e os recursos disponíveis.
Ainda assim, os cónegos mantiveram sempre uma distância confortável em relação aos lugares de descida e terminaram a época na metade superior da classificação. Os 43 pontos conquistados representam uma melhoria face à temporada anterior e confirmam a estabilidade do projeto.
8. Arouca
Nota: 6
Ao contrário do Moreirense, o Arouca demorou mais tempo a encontrar o seu melhor nível competitivo. A primeira volta ficou marcada por alguma irregularidade e por uma classificação aquém das expectativas, mas a chegada da segunda metade da temporada trouxe uma equipa completamente diferente.
Sob o comando de Vasco Seabra, os arouquenses protagonizaram uma segunda volta de enorme qualidade, somando nove vitórias em 17 jornadas e apresentando um dos melhores registos fora do lote dos candidatos europeus. A evolução exibicional e pontual foi evidente, permitindo ao Arouca terminar a época de forma tranquila e deixando excelentes indicadores para o futuro.
9. Vitória SC
Nota: 4
Saíram algumas das principais figuras do plantel, mas o Vitória SC mostrou argumentos para se manter competitivo em alguns momentos. A conquista da Taça da Liga, alcançada após ultrapassar adversários de elevado grau de dificuldade, parecia ser o ponto de partida para uma época positiva. No entanto, a instabilidade acabou por marcar o percurso vimaranense.
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A declaração do presidente António Miguel Cardoso, que assumiu que se demitiria caso o clube não terminasse no quinto lugar, criou um clima de pressão acrescida. Mais tarde, a mudança no comando técnico, difícil de compreender à luz dos resultados e do contexto, acabou por acentuar a sensação de uma época aquém das expectativas. Apesar do troféu conquistado, o Vitória SC voltou a falhar a afirmação que há vários anos procura alcançar de forma consistente. O 9.º lugar só pode ser sinónimo de desilusão.

10. Estoril
Nota: 5
O Estoril voltou a deixar boas indicações ao longo da temporada, sobretudo pela qualidade do futebol praticado. A equipa orientada por Ian Cathro apresentou, em vários momentos, um futebol ofensivo, dinâmico e atrativo, ao mesmo tempo que conseguiu valorizar diversos ativos do plantel, como João Carvalho, Jordan Holsgrove, Yanis Begraoui e Ferro.
No entanto, a reta final acabou por deixar um sabor amargo. Uma série de resultados negativos e várias derrotas consecutivas impediram os canarinhos de transformar o bom futebol em algo mais palpável na classificação. Pela qualidade demonstrada e pelo talento existente no plantel, fica a sensação de que o Estoril poderia - e talvez devesse - ter terminado a época mais acima na tabela.
11. Alverca
Nota: 7
Mais de três dezenas de contratações, um plantel praticamente construído de raiz e a inevitável incógnita que acompanha qualquer recém-promovido. Ainda assim, Custódio Castro conseguiu transformar um conjunto de individualidades numa verdadeira equipa, criando rapidamente uma identidade competitiva e conduzindo o clube a uma temporada surpreendentemente tranquila.
Longe dos sobressaltos da luta pela permanência, a equipa foi somando pontos com consistência e terminou a época com a sensação de missão cumprida. A estabilidade exibida ao longo do campeonato e a valorização de vários ativos do plantel reforçam o mérito de uma campanha que superou as expectativas iniciais.

12. Rio Ave
Nota: 6
A temporada em Vila do Conde esteve longe de ser tranquila. A entrada de Evangelos Marinakis trouxe mudanças profundas à estrutura do clube, com várias alterações internas e a saída de duas das principais figuras da equipa, André Luiz e Clayton Silva, ambos transferidos para o Olympiacos. Perder dois dos jogadores mais influentes do plantel revelou-se um golpe difícil de absorver e teve reflexos no rendimento da equipa em vários momentos da época.
Apesar das dificuldades e da pressão crescente, Sotiris Sylaidopoulos resistiu às críticas e conseguiu manter o Rio Ave focado no principal objetivo da temporada. Sem deslumbrar, mas também sem entrar em situações dramáticas, os vila-condenses garantiram a permanência e fecharam a época com a sensação de dever cumprido num contexto particularmente exigente.
13. Santa Clara
Nota: 5
O Santa Clara viveu uma temporada de enorme sofrimento, passando por momentos muito delicados na luta pela permanência. A equipa açoriana atravessou um longo período sem vitórias e chegou a ver o cenário da descida ganhar contornos preocupantes, numa altura em que a confiança parecia esgotada.
A entrada de Petit revelou-se decisiva. Com a experiência e o pragmatismo que o caracterizam nestas batalhas, o treinador conseguiu devolver competitividade à equipa, recuperar resultados e recolocar o Santa Clara no caminho certo. A manutenção acabou por ser garantida com mérito e representa uma recompensa importante pela capacidade de resistência demonstrada nos momentos mais difíceis da época.
14. Nacional
Nota: 6
Com um dos orçamentos mais reduzidos da Liga, o Nacional alcançou o grande objetivo da temporada e garantiu a permanência entre a elite do futebol português. A manutenção foi celebrada na Madeira quase como um título, e com razão. Num campeonato cada vez mais competitivo e exigente, poucos acreditavam que o clube pudesse atravessar a época com tanta competência.
Grande parte desse mérito pertence a Tiago Margarido. O treinador conseguiu construir uma equipa organizada, competitiva e capaz de superar limitações evidentes em termos de recursos. Sem grandes estrelas, mas com uma identidade muito vincada, o Nacional foi somando pontos importantes e confirmou a permanência sem depender de terceiros.

15. Estrela da Amadora
Nota: 5
Foi uma temporada extremamente exigente para o Estrela da Amadora, marcada por dificuldades do início ao fim e por uma luta pela permanência que apenas ficou resolvida na derradeira jornada. O desfecho teve contornos dramáticos, com o golo da manutenção a surgir já nos descontos da visita a Braga, desencadeando uma celebração à altura da importância do momento.
A mudança de treinador a apenas três jornadas do fim parecia um risco elevado, mas acabou por produzir efeitos positivos. Bacci conseguiu estabilizar a equipa nos momentos decisivos e somou dois empates fundamentais nas contas finais. Não foi uma época brilhante em termos exibicionais, mas o objetivo principal foi alcançado e, em contextos como este, isso é o que realmente importa.
16. Casa Pia AC
Nota: 4
A chegada de Álvaro Pacheco à segunda volta trouxe um novo fôlego à equipa. Logo ao terceiro jogo, o treinador conseguiu uma vitória histórica frente ao FC Porto, que até então seguia invicto no campeonato, e tudo parecia encaminhar-se para uma permanência relativamente tranquila.
No entanto, a realidade acabou por ser bem diferente. Entre 23 de fevereiro e 3 de maio, a equipa atravessou um período dramático, somando seis derrotas e quatro empates em dez jornadas. A quebra de rendimento atirou o clube para o play-off de manutenção, onde foi necessário recorrer à experiência e ao sangue-frio para evitar a descida. Aí, a equipa respondeu da melhor forma e garantiu a continuidade na Liga ao superar o Torreense, que ainda vivia a euforia da histórica conquista da Taça de Portugal.
17. Tondela
Nota: 4
O Tondela lutou pela permanência até à última jornada, mas acabou por não conseguir evitar o regresso à Liga 2. Ainda assim, a descida dificilmente pode ser considerada uma surpresa para uma equipa que passou grande parte da temporada nos lugares mais baixos da classificação e que nunca conseguiu criar uma margem de segurança consistente em relação aos rivais diretos.
O desfecho encerra um ano agridoce para os beirões. Em apenas 365 dias, o clube passou da euforia da subida ao principal escalão para a tristeza da despromoção. Apesar da resistência demonstrada até ao fim, a falta de consistência ao longo da época acabou por pesar demasiado nas contas finais.

18. AFS
Nota: 3
A época do AFS ficou marcada por enormes dificuldades competitivas. A primeira vitória no campeonato surgiu apenas à 22.ª jornada, um dado que, por si só, explica bem a dimensão dos problemas enfrentados pelo conjunto de Santo Tirso ao longo da temporada. Durante largos meses, a permanência pareceu uma missão praticamente impossível.
Ainda assim, merece destaque o trabalho realizado por João Henriques. O treinador assumiu uma equipa numa posição muito delicada e conseguiu torná-la mais competitiva, melhorando significativamente os resultados e devolvendo alguma esperança aos adeptos. Além disso, contribuiu para a valorização de vários ativos, com destaque para Pedro Lima, que entretanto garantiu uma transferência para o Sporting. A descida acabou por não ser evitada, mas a reação da equipa na reta final merece reconhecimento.
