Relatório de Cláudio Pereira no Santa Clara-Benfica: "O que o árbitro efetivamente entendeu fazer foi condenar uma atitude, no entender da equipa da arbitragem. Estando ele longe, não conseguia ter a perceção das palavras que foram ditas pelo jogador, mas percebeu-se, no entender da equipa de arbitragem, que a ação do jogador provocou toda aquela ira dos jogadores adversários, por isso é que se gerou aquela confusão. Mas o Conselho de Disciplina irá ter oportunidade de chamar novamente o árbitro, questioná-lo e pedir explicações."
Incredulidade com as explicações do árbitro no relatório: "Percebo, principalmente pela forma como foi escrito, pela justificação que é dada. No meu ponto vista podia-se ter explicado melhor. Iria ter o mesmo fim, até porque a ação podia ter sido um amarelo para um dos jogadores, o jogador do Benfica acabaria por ser expulso na mesma porque já tinha amarelo. Como está distante, quis condenar a atitude, provocou toda aquela ira, mas a forma como escreveu certamente não foi a mais clara para percebermos."
Alegado aliciamento de Paulo Lopo, ex-presidente do Estrela da Amadora: "Nunca tive nenhum presidente que me tentasse aliciar. Tenho a minha consciência tão tranquila que estou completamente disponível para investigarem tudo o que tiverem de investigar e tratar do que for necessário para dar-lhes acesso ao meu sigilo bancário, meu e da família, da minha mulher e do meu filho, em Portugal e no estrangeiro. Se alguma vez visse uma irregularidade, ia-me embora logo a seguir."
Relação com Paulo Lopo: "A minha relação é de presidente e eu presidente, é um presidente como tantos outros e ninguém, até ao dia de hoje me pediu ou sugeriu algum árbitro de futebol. É importante que isto fique claro. Nunca estive de férias no Algarve pagas por Paulo Lopo ou qualquer outro presidente de clube, não é de todo verdade isso. Nunca estivemos juntos nenhum fim de semana no Algarve. Na Reboleira sim, no dia 25 de maio é o primeiro contacto que o Duarte Gomes faz comigo sobre este tema, a dizer ter conhecimento de uma situação irregular, grave e a 27 de maio marquei reunião com os envolvidos, às 10:00 com Hélder Malheiro e às 11:00 com o Hugo Ribeiro que era o assistente. Disseram-me que essa informação veio de um ex-árbitro assistente, mas disseram que não valorizaram porque era normal esse ex-árbitro ter esse tipo de teorias. Também assumo que após falar com os árbitros e dizer ao Diretor Técnico Nacional que iria reunir com o presidente do Estrela, mandei-lhe mensagem e ele disse que fazia bem. Não sei se houve fuga ou não. Desvalorizei, percebi que não era internamente, nenhuma irregularidade do Conselho de Arbitragem nem da minha parte, desvalorizei. Não me arrependo de ter desvalorizado, fiz todos os procedimentos corretos, ouvi todos os intervenientes, partilhei com o DTN o que era a minha leitura, não considerou suficiente e decidiu demitir-se e a partir desse momento sou eu que pego no e-mail e o envio para o Conselho de Justiça."
Prémio de um milhão de euros: "Se se estavam a referir a mim cidadão ou a mim presidente do Conselho de Arbitragem, não é de todo verdade. Nunca recebi dinheiro, nenhum, beneficio algum, nem nunca houve qualquer presidente que me tivesse tentado aliciar-me. Tenho a minha consciência tão tranquila que estou totalmente para dar alta do meu sigilo bancário, da minha família, esposa, filhos, para analisarem tudo e se existir qualquer irregularidade, irei embora, mas isso não vai acontecer. As pessoas que verdadeiramente me conhecem sabem que a minha personalidade é difícil de condicionar. Sou um excelente ouvinte, considero-me um bom dirigente, não apareci do nada, sou dirigente há 30 anos, a minha vida foi sempre lidar com pessoas, trabalhei nas obras dos 16 anos aos 37, lidei com pessoas, fui chefe de equipa e encarregado, gosto de falar e conversar, mas daí a condicionar..."
Polémicas no futebol português: "A forma como se trata o futebol fora das quatro linhas pouco o valoriza. Este tema está efetivamente a criar um desconforto e a aumentar a desconfiança, no fundo a fazer mal ao futebol, não tenho a menor dúvida. Mas nada fiz para estar nesta posição, nem os árbitros. Não suspendo o meu mandato, não por estar agarrado ao lugar, pois não tenho qualquer problema em sair daqui. Se sair da arbitragem tenho emprego. Não dependo disto. Também não tenho problema em reconhecer que ganho acima da média nacional."
Pedidos de demissão: "Os estatutos da Federação Portuguesa de Futebol não permitem que se possa suspender o mandato. Não esquecer também que fui eleito há ano e meio por 70 por cento do caderno eleitoral da FPF, nem fiz nada para estar nesta posição. A não ser que exista uma acusação, algo de muito grave, se não seria um precedente gravíssimo."
Solidariedade de Pedro Proença: "O presidente tem estado sempre a meu lado. Se me pergunta enquanto presidente do Conselho de Arbitragem, se gostaria que publicamente me viesse defender quando da decisão do Conselho de Justiça e o ataque à minha família, e viesse dar uma palavra de solidariedade, naturalmente gostava."
Hélder Malheiro: "Não sei se soube ou não soube, mas o que tive conhecimento é que ele transmitiu ao ex-diretor técnico nacional que tinha sabido 15 dias antes ou dez dias antes, mas não é possível de forma nenhuma que tenha sabido através do Conselho de Arbitragem, o processo de nomeações é sempre feito domingo a noite, após os jogos, na segunda-feira no que diz respeito ao árbitro principal é finalizado, na segunda à noite é partilhado entre os colegas do Conselho de Arbitragem que depois colocam os assistentes, VAR's, quartos árbitros e depois, na terça-feira, esse documento segue para a direção de arbitragem, que faz a análise, volta para nós e depois validamos. Seria impossível isso sair, mas dar a nota que tendo em conta aquilo que foi informação partilhada com o presidente do Estrela da Amadora numa reunião na cidade do futebol, transmiti que nas últimas quatro jornadas os clubes que tivessem em risco de descer, para ser campeões, ir à Europa ou para subir na Liga 2, iam ter árbitros internacionais. Para mim esta partilha é normal, todos os clubes da Liga e Liga 2 têm o meu contacto. É normal que os mais jogos mediáticos vão ter internacionais e é questão de matemática: nove árbitros internacionais, dois dos mais experientes, André Narciso e Hélder Malheiro, dá 11, com as equipas que temos nessas lutas... Não estamos a falar em escolhas, aquilo que qualquer presidente demonstra é que quer que sejam os árbitros mais experientes. Enviei mensagem ao árbitro que nada tem a ver com o tema que é público. Basta ver o que ele disse em sede de conselho de justiça e diz categoricamente que não. Tinha a ver com o enquadramento da Taça de Portugal. A 23 de abril Hélder Malheiro estava no final da carreira, chamam-no, ele e mais três colegas e disse: 'Vai acabar, não vamos continuar', mas dissemos que escolhe um jogo para ser o final de carreira e o Hélder Malheiro manda-me mensagem a dizer que era na final da Taça de Portugal que gostava de terminar. Emocionalmente não fui suficientemente forte, dada a ligação de 25 anos, para lhe dizer que não havia hipótese. Foi um momento comovente e nunca mais cortei o tema da Taça, e a mensagem era a dizer que havia hipótese de ser. O silêncio tinha a ver com uma questão muito simples, tinha a ver com ele não utilizar nem existirem prints. E foi o que me fez apagar a mensagem."
Entregar registos e mensagens às autoridades: "Estou ansioso para que isso efetivamente aconteça, para que este caso seja o mais rapidamente possível esclarecido. Equipamentos? É o mesmo número de telefone, os computadores são os mesmos, não há outras mensagens apagadas. Estou disponível para o que necessitarem porque não tenho nada a esconder sobre o que quer que seja. Mas ainda nem sequer fui contactado pelo Ministério Público."

