Com passagens por clubes como Atlético de Madrid, Espanhol e SC Braga, foi no Benfica que Pizzi atingiu o estatuto de lenda do clube. Durante quase uma década de águia ao peito, foi peça fulcral na conquista do tetracampeonato, destacando-se pela inteligência de jogo e por números de golo e assistência invulgares para um médio - com destaque para a época 2019/20, onde somou uns impressionantes 30 golos e 19 assistências.
"Vou retirar-me como jogador profissional de futebol. Não foi uma decisão fácil, foi talvez a mais difícil da minha carreira. Infelizmente, há seis anos que jogo com dores intensas na anca e apesar de ter feito vários tratamentos, esta é uma condição que me impede de ser o Pizzi que todos conhecemos. Ainda assim, estive sempre disponível para ajudar todos os clubes por onde passei. (...) Hoje sento-me aqui com o coração apertado, mas com enorme sentimento de gratidão", começou por dizer num vídeo publicado nas redes sociais.
Pela seleção nacional, Pizzi somou 17 internacionalizações e marcou 3 golos, fazendo parte da geração que conquistou a Liga das Nações em 2019. Depois de aventuras no estrangeiro (Turquia, Emirados e Chipre) e de um regresso ao Minho, o maestro termina a caminhada na Amoreira, deixando para trás um rasto de classe e títulos.
O último jogo de uma carreira recheada será precisamente contra o Benfica.
"O meu último jogo será contra o Benfica. Conto com o vosso apoio uma última vez. Este jogo tem um significado tão especial para mim. Despeço-me dos relvados, mas não do futebol, porque o futebol continuará sempre a fazer parte da minha vida. Muito obrigado e até já", finalizou o médio.
Um museu recheado: Do tetra à glória europeia
Ao pendurar as botas, Pizzi deixa para trás uma vitrina de troféus que poucos podem ambicionar. No plano internacional, o médio conta com dois títulos de peso: a Liga Europa (2011/12), conquistada ao serviço do Atlético de Madrid, e a Liga das Nações (2018/19), onde fez parte da armada lusa que levantou o troféu no Porto.

Internamente, o seu domínio foi avassalador, somando 11 títulos nacionais. O grande destaque vai para os quatro campeonatos nacionais vencidos pelo Benfica, sendo uma das figuras centrais do histórico tetra das águias. A estes juntam-se uma Taça de Portugal, três Supertaças e três Taças da Liga — a última das quais já em 2023/24, no seu regresso ao SC Braga.
O reconhecimento individual: O rei de 2016/17
Mais do que os títulos coletivos, a regularidade de Pizzi ao mais alto nível foi validada por sucessivas distinções individuais. O seu ano de ouro foi 2016/17, época em que foi eleito o Melhor Jogador da Liga Portuguesa, depois de um desempenho assombroso que guiou o Benfica ao título.
Especialista em momentos de forma fulgurantes, foi por seis vezes considerado o Jogador do Mês e três vezes o Médio do Mês no campeonato nacional. A sua veia goleadora também atravessou fronteiras, culminando com o prémio partilhado de melhor marcador da Liga Europa em 2020/21, prova onde demonstrou que o seu raio de ação ia muito além da simples organização de jogo.

