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Pouco tempo para preparar Moreirense: "Naturalmente esperamos dificuldades. Tive a oportunidade de observar bem o Moreirense. Se dermos espaço tem qualidade e um sistema muito próprio. Não sei em que sistema vêm. Conseguem ter essa variabilidade no sistema. Preparámo-nos da melhor forma. O tempo não foi muito, mas a equipa esteve bem nestes dias. No que pudemos trabalhar acho que entenderam o que pretendo. Agora temos de estar a um bom nível porque o Moreirense nunca é uma equipa fácil."

Sporting candidato ao título: "Não gosto de criar expetativas nas pessoas, quando temos um cenário como o que temos. Naturalmente, acredito muito na nossa equipa. Vamos jogar para jogar, independentemente do adversário, mas é difícil. Pessoalmente, se não acreditasse, não estava aqui. Após estes três dias de trabalho, começo a acreditar mais. É muito difícil, mas vamos trabalhar a pensar no próximo jogo, sem perder de vista essa possibilidade."
Paragem para as seleções com Gonçalo Inácio fora dos convocados de Portugal: "Naturalmente, o Sporting fica sempre satisfeito quando tem jogadores nas seleções. Gonçalo Inácio não foi, desta vez, por opção do mister Jorge Jesus, opção que eu respeito imenso e o clube também, mas, por outro lado, fico satisfeito, porque tenho a possibilidade de ter tempo de trabalhar com ele. Na realidade, aquilo que, supostamente, seriam duas semanas em que poderia trabalhar com os jogadores, praticamente, não temos jogadores para trabalhar. Temos alguns defesas, com a permanência do Gonçalo, e dá para trabalhar alguma coisa, mas não temos muitos jogadores para poder trabalhar o que pretendia e necessitamos.
"Homenagem de Cristiano Ronaldo poderia ser no nosso estádio"
Cristiano Ronaldo: "Falou-se tanto desta questão e não estou aqui para julgar ninguém. O que acho importante é que o Cristiano Ronaldo mereça uma homenagem em que se sinta realmente acarinhado por nós, independentemente do que se passou. Devemos homenagear o maior jogador português de todos os tempos. Temos essa responsabilidade de forçar essa homenagem. Por sugestão minha, poderia ser no nosso estádio. É tempo de esquecer as mágoas e estarmos unidos para prestar homenagem a um jogador que merece."
Pressão depois dos últimos projetos lá fora: "Percebo por diversos motivos. Percebo que as pessoas só retêm quando não há sucesso. É perfeitamente normal. Mas percebo ainda mais porque as pessoas não acompanharam a minha carreira lá fora. Vocês em Portugal não acompanharam. Esporadicamente um jogo ou outro. Se perguntar como jogo provavelmente a maioria não sabe. Lembram-se dos tempos do FC Porto, menos do SC Braga e do Paços de Ferreira. Acho perfeitamente normal. A maior pressão que existe é a que coloco a mim próprio. Venho para um clube ganhador, que há obrigação de lutar para ganhar. Se estou aqui é porque me sinto preparado para isso. As pessoas lembram-se é do tempo do FC Porto, do Paços e do SC Braga. Não conhecem o meu trajeto. Sabem que estive aqui e ali, mas não sabem como jogo, o que penso neste momento. Acho normal terem esse perceção e ideia do Paulo Fonseca."
Defesa e golos sofridos são uma preocupação? "Ainda bem que colocou essa questão. Quando comecei a ver mais atentamente os jogos do Sporting, percebi que há na minha opinião, sem ser uma crítica ao trabalho do Rui (Borges), somos diferentes, se o Sporting não defender bem é impossível lutar por títulos. É uma das prioridades meter a equipa do Sporting a defender bem. Defendia diferente daquilo que acho que deve defender. Apenas isso. Trabalhámos sobre isso. Não é que eu queira passar muito tempo a defender. Mas quando defendemos temos de defender de acordo com aquilo que nos torna mais fortes."
Quem vai ser o guarda-redes titular? "Já sei, mas não vou revelar. A equipa está escolhida, mas vão ter de esperar por amanhã."
O que mais o surpreendeu nos primeiros dias de Sporting? "Não é que esteja surpreso. Um dos motivos que me levou a vir para o Sporting é acreditar que este plantel tem grande qualidade apesar de ser jovem. Tenho confirmado isso nos treinos, também nas sessões de vídeo. Aquilo que eu pensava confirma-se. A equipa tem realmente muita qualidade individual e tem confirmado nos treinos. Depois, confesso outra coisa. Não conhecia a realidade Sporting. O que me tem surpreendido é a organização do clube. Altamente organizado em todos os departamentos, com pessoas muito profissionais. Não conhecia, tem sido uma agradável surpresa."

"Marco Silva e Farioli são grandes treinadores, conheço-os bem"
Marco Silva e Francesco Farioli: "São grandes treinadores. Conheço-os bem. São grandes treinadores, por isso é que estão cá. Estão no FC Porto, campeão, e no Benfica, onde o Marco está a fazer um grande trabalho. Não tenho muito mais a dizer do que, para mim, são grandes treinadores. Luta intensa até ao fim? Espero que sim."
Debast, Nuno Santos e Rodrigo Zalazar: "Zalazar está bem. Nuno Santos e Zeno (Debast) estão a recuperar neste momento. Estão a recuperar bem. Parece-me que estão a andar num sentido bastante positivo."
Houve algum pedido para não falar de arbitragem? "Vou ao máximo tentar abster-me de comentar o trabalho dos árbitros. Tenho experiência lá fora, em campeonatos do top 5, e não penso que os nossos árbitros tenham menor qualidade do que os árbitros lá fora. Vou tentar respeitar ao máximo o trabalho dos árbitros e tentar não comentar."
Que características pretende valorizar na equipa? "Estou a chegar agora e, como devem compreender, a informação deve ser muito controlada neste momento. O que tenho passado aos jogadores é que vamos ter essa variabilidade nas nossas estruturas. O que acho importante falar convosco é que para haver um jogo posicional de acordo com o que pretendemos, e o Sporting atua 80 por cento das vezes em ataque posicional, estes jovens jogadores que vieram este ano, a maior parte não estava habituada a este contexto de jogo. Tem de existir um tempo para os ensinar a jogar este jogo, que tem de ser perfeito. O jogo posicional tem de ser bem sustentado. Têm de aprender a jogar este jogo. O (Issa) Doumbia nunca passava por este contexto, que é o mais difícil de ataque planeado, equipas em bloco baixo, não há espaço. Temos de nos movimentar no tempo de certo. Para um jogador que chega do futebol italiano, num contexto homem a homem, é realmente difícil. Há que ter tempo. E temos outros exemplos. A verdade é que estes jovens precisam de aprender a jogar no contexto que é o normal no Sporting: atuar 80 por cento dos jogos em ataque planeado. Trabalharemos muito sobre isso. Os jogadores vêm de um contexto totalmente diferente e precisam de tempo."

"Pressão negativa é jogar para não descer"
Que ambiente espera em Alvalade? "A pressão é a normal de uma equipa que tem de vencer todos os jogos. Não há como fugir a isso, não há outra forma de dizer as coisas. O Sporting joga sempre para ganhar, é uma pressão positiva. Pressão negativa é jogar para não descer. Isso é que é a pressão negativa. Esta é positiva e temos de aprender a lidar com ela. É magnífica ter a oportunidade de jogar com os nossos adeptos. Espero ter o estádio cheio para apoiar a equipa. Com os nossos adeptos seremos mais fortes ainda."
Quanto tempo precisa para colocar a equipa à sua imagem? "No futebol não temos tempo. Devemos ter resultados imediatos. O que posso dizer é que este tempo curto que tive com os jogadores dá-me grande confiança para o futuro. Vem aí uma série de jogos muito complicados, sem tempo para treinar, mas a recetividade que tive dos jogadores faz-me acreditar que podemos começar a ser diferentes. Sabemos que os jogos que vêm aí não são fáceis, o tempo não é muito. Vamos tentar apressar o processo. O que penso é que nós podemos a breve prazo começar a mostrar algumas coisas de acordo com as minhas ideias."
Prefere ganhar por 1-0 ou por 5-4? "Prefiro ganhar. Mas gosto muito de ganhar sem sofrer golos. Isso não faz de mim um treinador defensivo. Não quero passar tempo a defender. A melhor forma de defender é ter a bola. Se estiveram atentos ao que se passa nos melhores campeonatos, o jogo mudou muito nos últimos anos. A questão do homem a homem, que se vê em todos os campeonatos, isto obriga-nos a reformular o processo. Neste momento, temos de ter equipas capazes de jogar tudo. Falamos no jogo posicional. Estamos a falar num momento do jogo próximo da baliza adversária e o jogo posicional tem de ser forte em função da falta de espaço. Até lá existe outra coisa. As equipas quando pressionam alto, e ainda agora vi o Académico Viseu, o Gil Vicente, a jogar contra grandes equipas e admiro a coragem, a marcarem homem a homem. Jogar este jogo é completamente diferente do posicional. Os treinadores têm de preparar as equipas para jogar dois tipos de jogos no mesmo jogo. O que fiz entender nesta semana aos jogadores é esta diferença no mesmo jogo. Quero uma equipa de ataque posicional, mas a equipa tem de saber jogar o jogo até chegar a esse momento. Isto é um processo longo e complicado. Mas temos de acelerar as coisas, ir ao essencial. Sou um treinador de detalhe até individual. Neste momento não há tempo. Temos de acelerar o processo e pensar no que é realmente importante. Esta diferenciação do jogo é urgente percebermos. Temos de jogar diferentes jogos dentro do mesmo jogo. Vamos jogar contra a Roma. Vamos jogar o mesmo jogo no campo todo, que é homem a homem no campo todo. Está a chegar agora a Portugal. Um dos grandes méritos do FC Porto é isso, as equipas não estavam preparadas para essa pressão alta homem a homem. Este jogo com a Roma é extremamente difícil. Não há espaço, não há tempo. Se virem a Roma jogar... Lembram-se do que o Guardiola disse de jogar com o Gasperini? Gabo a coragem de ver Académico Viseu, Gil Vicente, a serem corajosos. Antigamente não se via muito. Agora já se começa a ver. Vamos jogar contra o Moreirense, vamos ter as duas coisas. Vamos ter momentos em que vai pressionar alto, homem a homem, e outros de ataque planeado. Preparei a equipa para os dois momentos."
Plantel do Sporting foi mais montado para as competições europeias? "Não acredito nisso. Sinceramente, não acredito que exista algum clube que dê prioridade a competições europeias e não ao campeonato. Tenho a certeza absoluta. Não estava aqui, mas tenho a certeza absoluta de que isso não aconteceu aqui."
Falou nas fragilidades defensivas do Sporting: "Não falei em fragilidades defensivas do Sporting... Falei que tenho de pôr a equipa a defender da maneira que eu quero. Equipa que quer ser vencedora tem de defender bem. E para mim, defender bem, é defender segundo aquilo que eu acredito..."
O que pode ser mantido e quais são as fragilidades? "Gostava muito de responder mas não posso. Tenho a minha opinião, mas não quero dar esse trunfo aos adversários. Não é só no futebol. Temos tendência para esconder fragilidades. E se as temos não sou eu que as vou divulgar. Tenho de perceber se existem e trabalhar aqui dentro para melhorar essas fragilidades."

